InícioAnimêCrítica | Demon Slayer - Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito leva a saga...

Crítica | Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito leva a saga ao clímax nos cinemas

A história de Demon Slayer e seu sucesso mundial se mistura com a própria animação japonesa, que foi “obrigada” a se reinventar para se aproximar do que a série se tornou.

O filme Mugen Train (atualmente a maior bilheteria do Japão) foi o ponto de virada, repetindo o feito ao exibir o primeiro episódio da terceira e da quarta temporada nos cinemas. Agora, Demon Slayer chega às telonas em sua quarta passagem, desta vez quebrando recordes em escala mundial.

Antes de falar de Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito, é importante destacar que este não é um título qualquer, mas parte de uma franquia consolidada que virou mania nacional e mundial com cosplayers, produtos licenciados e acessórios de personagens, alcançando também o público do streaming.

A cada temporada, o nível de qualidade subiu, e a animação se tornou ainda mais impressionante na tela grande. É nesse ponto que a franquia aumentou a “aposta”, escolhendo encerrar sua trajetória nos cinemas em uma trilogia que promete marcar a história das animações japonesas.

O sucesso de vendas foi tão grande que derrubou a maior plataforma de ingressos do Brasil. Logo depois, redes de cinema anunciaram baldes e copos temáticos, mostrando a força da marca e lembrando o impacto que Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball tiveram ao levar multidões da TV para o cinema.

É preciso reforçar: Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba invadiu a cultura pop de tal forma que se tornou presença constante em eventos de animê, encontros geek e até estourou a bolha daqueles que sempre viam animês apenas como “modinha”.

Nascida nas páginas da antologia mensal Shonen Jump, lar de títulos consagrados como Naruto e One Piece, Demon Slayer seguiu um caminho diferente dos animês “eternos”. Optou por temporadas mais curtas, mas com qualidade máxima em cada episódio. Isso acabou mexendo com a indústria: até One Piece precisou rever seus lançamentos, introduzindo pausas e alongando flashbacks para entregar momentos épicos comparáveis. A obra virou padrão no mercado japonês e forçou outros estúdios a saírem da mesmice.

Agora que revisitamos essa trajetória, vamos falar diretamente da série e do filme?

Resumo até aqui

Tanjiro Kamado se torna Caçador de Oni após sua família ser massacrada e sua irmã Nezuko transformada em demônio. Na primeira temporada, Tanjiro inicia sua jornada, enfrentando diversos inimigos, aprende a Respiração da Água com Urokodaki e conhece os Hashiras.

A saga continuou nos cinemas com Mugen Train, onde Tanjiro, Zenitsu e Inosuke se juntam ao Hashira Kyojuro Rengoku para enfrentar o demoníaco Enmu em um trem.

Na segunda temporada temos o arco Distrito do Entretenimento, em que Tanjiro, Nezuko, Zenitsu e Inosuke se unem ao Hashira Tengen Uzui para investigar desaparecimentos e enfrentar os irmãos demônios Daki e Gyutaro em combates que testam suas habilidades e sua força em equipe. É nesse ponto que surgem os vilões de verdade e a saga entrega uma das lutas mais belas.

Na terceira temporada, com o arco da Vila dos Ferreiros, o grupo treina para enfrentar inimigos ainda mais poderosos, aprofundando o conhecimento sobre a Respiração do Sol e o poder das Luas Superiores. Tanjiro também precisa consertar sua espada, o que o leva até a Vila dos Ferreiros.

Chegamos à quarta temporada, com o arco Hashira Training, onde Tanjiro e os Hashiras se preparam para enfrentar os inimigos mais fortes: todas as Luas Superiores e Muzan Kibutsuji, o demônio supremo.

E é aqui que finalmente entramos na história de Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito.

O filme

Adentrando no Castelo Infinito

Sem mais delongas, Castelo Infinito começa sem resumos ou explicações. Os personagens adentram uma outra dimensão onde o castelo se encontra e logo são separados para enfrentar as Luas Superiores. Enquanto tentam entender as regras daquele mundo, cada um precisa enfrentar hordas de demônios, enquanto as Luas Superiores percebem a presença dos invasores.

O primeiro combate emblemático envolve Shinobu Kochu e a Lua Superior Doma. Ao entrar na sala, Doma se “delicia” com suas súditas, e Shinobu consegue salvar apenas uma delas, por pouco tempo. Doma revela sua precisão mortal nos cortes, tornando o confronto ainda mais tenso.

Shinobu Kochu

Shinobu tenta usar ataques com veneno, mas descobre que as Luas Superiores compartilham informações e que Doma desenvolveu resistência contra seus golpes. À medida que intensifica o ataque, Shinobu revela que sua relação com Doma vai além daquele momento: ela busca vingança pelo mal que ele fez à sua irmã, Kanae Kocho.

Mesmo com toda sua destreza, Shinobu é derrotada, tendo seu corpo esmagado quase até a absorção. É nesse ponto que sua discípula, Kanao Tsuyuri, a encontra quase sem vida.

Enquanto outros combates acontecem pelo castelo, um em especial ganha destaque: Tanjiro e Giyu contra a Lua Superior Akaza. A dupla se esforça ao máximo para sobreviver, mas é constantemente separada para ser pega desprevenida. A notícia da morte de Shinobu deixa claro que aquele é o combate final, e que eles precisam dar tudo de si.

Akaza

Akaza elogia Tanjiro por sua evolução, reconhecendo que não será um duelo fácil. E, como em outros momentos clássicos de Demon Slayer, o vilão relembra sua vida como humano. Ao recordar Keizo e seu passado, Akaza percebe que aquela luta deve acabar ali mesmo.

Sua derrota é carregada de simbologia e marca um capítulo importante da trilogia, deixando claro que o verdadeiro inimigo ainda não apareceu. Ao final, o filme deixa aquele gostinho de quero mais, mostrando que este é “apenas o começo do fim”.

Dublagem brasileira

A dublagem foi feita no estúdio Iyuno Brazil (antigo UniDub) e manteve o elenco das temporadas anteriores, com Daniel Figueira como Tanjirō Kamado e Charles Emmanuel na voz de Akaza.

O que sempre chamou atenção em Demon Slayer no Brasil é que a adaptação vai além da simples tradução. Ela cria um jeito de falar que aproxima os personagens do público, cheio de expressões e gírias que soam familiares, mesmo que não tenham nada a ver com a época em que a história se passa. É aquele estilo de localização que marcou Yu Yu Hakusho e Dragon Ball, e que aqui aparece ainda mais afiado.

No cinema, essa escolha faz toda a diferença. A dublagem cria uma ligação imediata com quem assiste, deixando tudo mais próximo e emocionante. É tão bem feita que, sinceramente, ver legendado parece até tirar um pouco da força que a obra ganhou por aqui.

+18 anos

Vamos direto ao ponto: a classificação etária para maiores de 18 anos deixou um gosto amargo em Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito. Muitos jovens que acompanharam a saga ficaram de fora justamente no momento mais aguardado, e a frustração é compreensível.

As redes de cinema até têm se esforçado, oferecendo termos de responsabilidade para assinatura dos pais nas bilheterias ou disponibilizando formulários em PDF pelas redes sociais. É um suporte que raramente se viu para qualquer outro título, mas isso não apaga a sensação de injustiça.

Para quem cresceu assistindo Cavaleiros do Zodíaco em horário aberto na TV, fica difícil aceitar que uma obra como Demon Slayer receba uma classificação tão rígida. O filme tem cenas de violência, mas nada que realmente justifique a indicação para maiores de 18 anos.

O contraste fica ainda mais evidente quando olhamos para fora. Em Portugal, por exemplo, a classificação ficou em 12 anos. Essa discrepância levanta uma preocupação: será que estamos criando uma barreira para os animês nos cinemas brasileiros? Se obras como Chainsaw Man ou Dan Da Dan já enfrentaram lançamentos menores, um cenário de restrições excessivas pode tornar o futuro da animação japonesa nas telonas cada vez mais nebuloso.

Premiere em São Paulo

Premiere – Giuliano Peccilli

No dia 8 de setembro, a Cinemark em parceria com a Sony Pictures e a Crunchyroll fez uma premiere Anime Night com a participação dos dubladores, influenciadores e jornalistas. Foi uma enorme festa para o começo da despedida da saga.

Pude conversar com Daniel Figueira que comentou que estava bem curioso pra ver a reação do público no filme. Sendo a voz do Tanjiro Kamado, ele ainda comentou que ele tentou dar o melhor dele aqui no título e espera que o público goste e torça pelo seu personagem no filme.

Agradecemos o convite da Sony Pictures e a Crunchyroll pelo convite.

Opinião

Encerrar a saga nos cinemas foi uma escolha ousada, mas certeira. Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito é para os fãs de animê e mangá o que O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel foi para a fantasia: um divisor de águas. O filme não apenas dá continuidade à história, mas também se transforma em um marco dentro da animação japonesa.

Mais do que batalhas, a produção impressiona pelo equilíbrio entre animação 2D e recursos em CG. O nível de detalhe é tão cuidadoso que chega a ser difícil comparar com qualquer outra obra do gênero. Tecnicamente, este é o ponto mais alto da franquia, superando até o próprio padrão que ela mesma criou, algo impensável alguns anos atrás.

A trilha sonora reforça esse impacto emocional. Com Lisa e Aimer retornando em “Shine in the Cruel Night” e “A World Where the Sun Never Rises”, o filme carrega consigo uma sensação de despedida. São vozes que já marcaram a trajetória da série e que agora ajudam a fechar esse ciclo com nostalgia.

No campo narrativo, assistir a Castelo Infinito é tão grandioso quanto acompanhar Vingadores: Ultimato. É o fechamento de uma história que nos acompanhou por anos, com o peso de cada batalha e a ansiedade de saber até onde Tanjiro conseguirá chegar diante das Luas Superiores. E quando os créditos sobem, fica o desespero: quando veremos a próxima parte nos cinemas?

Não sabemos se outra animação japonesa conseguirá repetir essa fórmula de sucesso, mas Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito mostra que foi um enorme acerto encerrar a jornada nas telonas. Afinal, parte de sua força sempre esteve ligada à experiência cinematográfica, e nada mais justo do que concluir nesse mesmo espaço.

É, acima de tudo, um filme feito de fã para fã. Se você acompanhou a saga até aqui, provavelmente já correu para o cinema ou está prestes a ir para ver de perto o início desse grande final.

Nota: 5 (de 5)

Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito

Nome Original: Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba The Movie: Infinity Castle

Direção: Haruo Sotozaki

Duração: 155 min

Gênero: Animação

Distribuidor: Sony Pictures

País de Origem: Japão

Agradecimentos a Sony Pictures e a Crunchyroll pelo convite para produção deste conteúdo.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

Últimas

A história de Demon Slayer e seu sucesso mundial se mistura com a própria animação japonesa, que foi “obrigada” a se reinventar para se aproximar do que a série se tornou. O filme Mugen Train (atualmente a maior bilheteria do Japão) foi o ponto de...Crítica | Demon Slayer - Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito leva a saga ao clímax nos cinemas