Quando falamos de eventos com alguns anos de estrada, é normal que eles precisem se reinventar e se adaptar ao público. A Brasil Game Show não foge disso. Chegando à sua 16ª edição, o evento já teve fases mais voltadas ao público gamer, outras que destacavam influenciadores e times de eSports. Mas em 2025, a feira voltou ao que interessa de verdade: jogos.
Com novo endereço no Distrito Anhembi, a BGS continua na Zona Norte de São Paulo, mas deixa o Expo Center Norte para trás, seguindo uma tendência de grandes eventos da cidade. E olha, faz todo sentido. O espaço reformado se mostrou mais amplo e moderno, e foi exatamente isso que a gente percebeu por lá.
Este ano, a bola da vez foi Pokémon, com o mega estande da Nintendo, e a SEGA, que se consolidou como uma das áreas mais interessantes do evento. A Samsung e a TCL também marcaram presença, apresentando portfólios de TVs, celulares e tablets focados no público gamer, além de ativações e suporte técnico.
Mas por que a BGS voltou a ser gamer? A resposta vem com nomes de peso: Hideo Kojima, Naoki Hamaguchi, Yoko Shimomura, Takashi Iizuka, além das apresentações das orquestras A New World: Intimate Music from Final Fantasy e PlayStation: The Concert. Só esses convidados já mostram que o evento queria abraçar de volta o público gamer raiz, e isso tornou a edição deste ano realmente especial.
As novidades também vieram com os patrocinadores diamante — Brawl Stars, Clash Royale, Nintendo e Samsung — que assumiram o protagonismo desta edição, trazendo arenas competitivas, ativações e conteúdos exclusivos.
Marcas que normalmente não são “gamers” também marcaram presença, mostrando sintonia com o público. A Arena Monster Energy, por exemplo, foi o coração dos eSports na feira, palco de torneios e shows durante todos os dias.
Outras veteranas também se destacaram, como Konami, HoYoverse, Riot Games e a própria SEGA, reforçando sua presença histórica na BGS.
E pra quem gosta de levar itens geek pra casa, nomes tradicionais como Legião Nerd, Palácio Geek e Mcfly Colecionáveis dividiram espaço com novidades como a Akiba Station, oferecendo de tudo um pouco para colecionadores.
O espaço dedicado aos indies continuou sendo um dos pontos altos da feira. Estúdios brasileiros e internacionais, de Behold Studios a Pulsatrix, mostraram projetos que prometem chegar ao mercado nos próximos anos, mas que ainda não têm grandes distribuidoras por trás. É sempre ali que se descobre muita coisa bacana.
No fim das contas, um evento só se mantém relevante se sabe dialogar com seu público, e a BGS faz isso como ninguém. Mostra mais uma vez que conhece sua comunidade. Colocando tudo isso em perspectiva, vamos destacar o que mais surpreendeu por lá neste ano.

Nintendo aposta no Switch 2

Com foco no Switch 2, a Nintendo trouxe uma seleção robusta de títulos. Em uma estratégia clara de apresentar o novo console ao público brasileiro, exibiu jogos como Super Mario Galaxy + Super Mario Galaxy 2, Super Mario Bros. Wonder, Pokémon Scarlet e Violet, EA SPORTS FC 26, Hades II, Hollow Knight: Silksong, Just Dance 2026 Edition, The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Tears of the Kingdom.
Mas o destaque mesmo ficou para Mario Kart World, Donkey Kong Bananza e Super Mario Party Jamboree – Nintendo Switch 2 Edition + Jamboree TV.


O diferencial do estande foi permitir que o público testasse sucessos recentes, como Cyberpunk 2077: Ultimate Edition, Persona 3 Reload e Street Fighter 6, todos portados para o Switch 2. Vale lembrar que Persona 3 Reload ainda não havia sido lançado, então foi uma oportunidade rara de jogar antes do lançamento oficial.
No palco principal, Just Dance 2026 fez a galera se mexer como sempre, com muita dança e interação. Entre os brindes, mochilas do Switch 2, cartões com códigos de Pokémon e fotos com Mario, Luigi e Donkey Kong.
SEGA reforça presença no Brasil

Presente por três anos consecutivos, a SEGA vem construindo sua imagem no país. Conhecida pela parceria histórica com a TECTOY, a empresa exibiu títulos próprios, da Atlus e do Ryu Ga Gotoku Studio. É fato que muita gente queria jogar o Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties (eu incluso), mas infelizmente o título não marcou presença na BGS deste ano.
O sucesso do público foi Sonic Racing: CrossWorlds, que tinha espaço temático com o carro do Sonic e o mascote para fotos. Uma réplica do troféu conquistado por Ayrton Senna em 1993, em tamanho real, também chamou atenção.
Nos brindes, pôsteres de Sonic Racing: CrossWorlds e aromatizantes de carro com personagens do jogo completavam o pacote.




Samsung amplia o território gamer

A Samsung começou sua participação com um evento fechado para jornalistas, mostrando TVs gigantes, de 100 a 115 polegadas, e reforçando sua aposta no público gamer.
Com convidados como a LOUD, a marca vem consolidando sua posição, incluindo parcerias exclusivas, como o Pokémon GO, que oferece benefícios extras ao baixar o jogo na loja oficial da Samsung.

Arc System Works traz Hunter x Hunter e Double Dragon

Entre as empresas japonesas, a Arc System Works apresentou Hunter x Hunter: Nen x Impact, Double Dragon Revive e Bubble Bobble: Sugar Dungeons. Alguns jogos que já haviam sido testados em 2024 voltaram em versões finais, mostrando que o feedback do público realmente fez diferença.
Fandom Box e o Bot_GS

A Fandom Box chamou atenção com um estande que mais parecia uma vitrine de cultura pop. O destaque foi o colecionável Bot_GS, mascote da edição 2025. Entre os produtos, estavam figuras de Sonic, Sílvio Santos e outros personagens icônicos.




O retorno tímido da Sony com Ghost of Yōtei

Se existe uma ausência sentida na BGS, é a da Sony/PlayStation. Mas este ano, com Ghost of Yōtei, a empresa marcou seu retorno, ainda que tímido. O estande foi menor que no passado, mas já é um sinal de que a Sony pode voltar mais forte em edições futuras.
The Pokémon Company celebra a Mega Evolução

O estande da The Pokémon Company foi um dos mais chamativos da feira, coroado por uma enorme Pokébola no topo. A empresa destacou Pokémon Legends: Z-A e a expansão Mega Evolução.
Apesar de o jogo ainda não ter tradução oficial em português, a presença da empresa mostra que ela valoriza o público brasileiro e o suporte em eventos como a BGS é sempre bem-vindo.



Brawl Stars domina com arena de 5 mil m²

Um dos grandes destaques da edição foi Brawl Stars, com uma arena de 5 mil m² para sediar as últimas vagas do World Finals. O espaço reforçou a força dos jogos mobile na BGS, sinalizando que essa tendência só deve crescer nos próximos anos.


Top Game BGS Arcade mantém a nostalgia viva

O BGS Arcade continua evoluindo e é parada obrigatória para os fãs de fliperama. Este ano, trouxe máquinas raras e a novidade de poder conversar com os responsáveis e até levar as cabines para casa ou para empresas.
Títulos como Pump, Mario Kart Arcade GP 2 e Street Fighter 6 foram alguns destaques que chamaram a minha atenção, mas o que não faltam são máquinas tantas novas, como clássicas, o que rendem horas e horas de jogatinha lá na BGS.



Devolver Games e o charme indie

Com um estande que lembrava uma barraca de feira, a Devolver Games trouxe quatro títulos inéditos: BALLxPIT, Forestrike, Skate Story e Quarantine Zone. Nove estações de teste garantiram atenção constante do público, consolidando a empresa como destaque no cenário indie.
Final Fantasy Orchestra Live at BGS 2025

Um dos momentos mais memoráveis da edição foi ouvir, ao vivo, as trilhas de Final Fantasy. Em duas apresentações, a orquestra entregou um show emocionante e, sem dúvida, um dos mais bonitos que já passaram pelo palco da BGS.
O concerto começou com Besaid (Final Fantasy X) e Gold Saucer (Final Fantasy VII), seguindo com Valse di Fantastica (Final Fantasy XV) e Chaos Shrine (Final Fantasy I).
O ápice foi One Winged Angel (Final Fantasy VII), tema do Sephiroth, cuja execução poderosa arrancou aplausos. Outro momento icônico foi Chocobo Medley 2014, trazendo diferentes músicas feitas para Chocobo ao longo das quase quatro décadas da franquia.
A presença de Naoki Hamaguchi, visivelmente emocionado com a paixão dos fãs brasileiros, reforçou o vínculo da Square Enix com o público nacional.
Opinião — uma BGS que reencontra seu DNA

Falar da BGS como um todo está ficando cada vez mais difícil. Com tantas atrações acontecendo ao mesmo tempo, é quase injusto tentar cobrir tudo em uma visão geral. Mas vale tentar, porque cada edição traz algo novo e especial.
Chegando ao Distrito Anhembi, a BGS se adaptou muito bem ao novo espaço. A primeira impressão pode até enganar: o evento pode parecer menor em comparação aos anos anteriores, mas logo no primeiro dia você percebe que isso não é verdade. Andando pelo local, dá para ver três praças de alimentação bem distribuídas, que ajudam a dimensionar o tamanho do evento e dão conforto para o público do final de semana.
A Nintendo, de longe, caprichou no estande deste ano. Maior do que em edições anteriores, ela se tornou um ponto de referência imediato, mostrando a força da marca com o lançamento do Switch 2. É daqueles estandes que você encontra só de olhar o espaço — impossível não passar por lá.
A Samsung também se destacou, com estandes cada vez maiores e uma experiência completa. Além de poder testar muitos equipamentos, era um dos poucos lugares que oferecia descontos realmente bons à vista, permitindo que você levasse uma televisão, telefone ou soundbar na hora, sem complicação.
A SEGA, mesmo com um espaço menor que nos anos anteriores, manteve seu charme e identidade, sendo um lugar agradável de visitar e que conquistou fãs antigos e novos.
Brawl Stars me fez perceber que o futuro dos eventos de games provavelmente vem do mobile. Com uma arena de 5 mil m² e competições acirradas, ficou claro que títulos populares de celular vão assumir cada vez mais protagonismo nos próximos anos. Um jogo mobile não é menos jogo; ele já forma uma geração inteira de jogadores e fãs.
Infelizmente, não testei os meets este ano, então não posso comentar sobre essa parte da experiência. Tivemos convidados de peso, mas minha escolha foi focar nos jogos e nos concertos, o que me impediu de trazer um feedback completo sobre encontros e sessões de fotos.
De forma geral, o evento estava muito bem organizado e bem espaçado, pensado para o público de fim de semana. Sim, tinha fila e muitas filas imensa, mas nada que tirasse a experiência. E o mais importante: havia muitos jogos para testar. Esse é o ponto que, para mim, define que a BGS voltou a se destacar como feira de games.
Não sei como serão os próximos anos, mas a BGS 25 mostrou caminhos importantes: o novo local trouxe frescor, novas marcas participaram, e o evento reafirmou sua relevância no calendário gamer.
No fim, a edição de 2025 fica marcada como uma das melhores dos últimos anos. Mostrou que a feira ainda sabe ouvir seu público e que tem energia para se reinventar sem perder sua essência. Pra mim, isso é o que faz a BGS continuar sendo o maior evento gamer da região, um lugar que todo fã quer conhecer.
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Agradecimentos ao Brasil Game Show pela cobertura do JWave deste ano.


