O cinema brasileiro ganha em outubro um novo capítulo na filmografia de Beto Brant. Conhecido por obras intensas e provocativas, o diretor agora se volta para um tema que atravessa fronteiras da medicina, política e cultura: a cannabis medicinal. O documentário “A Planta” traz relatos reais de pacientes, familiares, médicos e associações que transformaram a relação do Brasil com a maconha terapêutica.
Da dor ao alívio
Entre as histórias, uma das mais impactantes é a de Benício, diagnosticado ainda criança com Síndrome de Dravet. Aos 14 anos, o jovem já havia passado por 14 internações e duas paradas cardíacas. A rotina incluía até 25 comprimidos por dia, mas não garantia qualidade de vida. Segundo o irmão Diego Ramires, “ele não tinha tempo para ser feliz”. A mudança veio quando a família conheceu o óleo de cannabis. Hoje, com quatro doses diárias de extrato, Benício reduziu de 30 convulsões diárias para apenas uma por mês, abandonando os medicamentos tradicionais.
Esse testemunho sintetiza a essência do longa: mostrar como uma planta historicamente estigmatizada se tornou sinônimo de sobrevivência e dignidade.
Um olhar sobre o Brasil e suas contradições
Rodado em cidades como João Pessoa, Campina Grande, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Marília e São Paulo, o filme acompanha tanto pacientes quanto o papel das associações que lutam pelo acesso ao óleo. Importar o medicamento ainda é inviável para a maioria dos brasileiros, e foram essas organizações que criaram caminhos coletivos de acesso, muitas vezes enfrentando disputas judiciais.
Beto Brant ressalta que o Brasil ocupa posição singular no cenário mundial, já que São Paulo foi o primeiro estado a oferecer o óleo gratuitamente pelo SUS. O diretor vê nesse arranjo híbrido — entre sistema público de saúde e associações — um modelo com grande potencial social e sanitário.
O papel das associações
Segundo o anuário da Kaya Mind de 2024, existem hoje 259 associações com CNPJ ativo no país. Cerca de 40 delas possuem autorização judicial para cultivar e produzir insumos, atendendo aproximadamente 147 mil pacientes. No documentário, ganham espaço entidades como Ama+Me (MG), Abrace Esperança (PB), Apepi (RJ), Associação Canábica Maria Flor (SP) e Cultive (SP), todas peças fundamentais na luta pelo direito à saúde.
Ciência e cinema lado a lado
“A Planta” também se apoia em entrevistas com especialistas, entre eles o Dr. Leandro Ramires, Dr. Eduardo Faveret, Dra. Carolina Nocetti e a Prof. Dra. Eliana Rodrigues. O objetivo é apresentar não apenas depoimentos emocionais, mas também evidências científicas que sustentam a eficácia da cannabis medicinal.
Com roteiro assinado por Brant em parceria com Carolina Nocetti, médica brasileira com experiência internacional na área, o filme mistura linguagem documental e urgência social para ampliar o debate.
Estreia nos cinemas e no streaming
O documentário tem 80 minutos e estreia nos cinemas no dia 2 de outubro, com lançamento digital marcado para o dia 24 na Aquarius, primeira plataforma brasileira dedicada a conteúdos sobre saúde, meio ambiente, ciência, tecnologia e sociedade. O título também ficará disponível via Prime Video e Claro TV+.
Ficha técnica
- Direção: Beto Brant
- Produção: Drama Filmes, Yael Steiner Cine e Cultura, Kobbi Produções
- Produção executiva: Renato Ciasca
- Roteiro: Beto Brant e Carolina Nocetti
- Fotografia: Leleco Maestrelli
- Montagem: Manga Campion
- Som direto: Renato Ciasca
- Edição de som e mixagem: Diego Techera
- Finalização de imagem: Dimitre Lucho

