O documentário “Tambor Sem Fronteiras” leva aos cinemas uma imersão sensorial e histórica no universo do candombe, expressão cultural afro-uruguaia marcada pela musicalidade, dança e resistência. Dirigido por Adriana Gonçalves Ferreira, o longa propõe um olhar feminino e poético sobre essa tradição, reconhecida como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2009.
O candombe como identidade e resistência
Baseado no toque dos tambores piano, repique e chico, o candombe é parte central da cultura de Montevidéu, especialmente durante o carnaval, mas presente ao longo de todo o ano. Mais do que manifestação artística, representa memória, ancestralidade e resistência da população afro-uruguaia.
No filme, essa tradição é apresentada a partir de vivências reais e da relação direta com mestres da cultura popular, como Carlos Maria Dutra. A narrativa combina depoimentos, registros de campo e uma construção estética que valoriza o território e a experiência coletiva.
Um olhar feminino sobre o tambor
A diretora assume múltiplas funções no projeto, incluindo direção, roteiro e narração. A proposta vai além do registro documental tradicional e incorpora uma linguagem performática para explorar subjetividades e a vivência feminina na fronteira cultural entre Brasil e Uruguai.
Temas como identidade, pertencimento e troca cultural atravessam o filme, que também aborda a chegada do candombe ao Brasil e sua disseminação em cidades da região sul.
Produção e trajetória
Este é o terceiro longa de Adriana, após Fronteriz@s (2021) e Vila Santa Thereza (2020). As filmagens começaram em 2015 e passaram por cidades brasileiras como Bagé, Santa Maria, Porto Alegre e Santana do Livramento, além de localidades uruguaias como Rivera, Melo e a própria Montevidéu.
O projeto surgiu a partir de iniciativas culturais ligadas ao Pampa Sem Fronteiras, com oficinas e intercâmbios entre comunidades, resultando inclusive na criação de grupos locais de candombe.
Exibições gratuitas
O filme será apresentado em sessões especiais com entrada franca:
Bagé (RS)
28 de abril, às 18h30, no Cine7
Dentro do Festival Internacional de Cinema da Fronteira
Porto Alegre (RS)
8 de maio, às 19h30, na Cinemateca Paulo Amorim
Santa Maria (RS)
19 de maio, às 19h, no Cineclube Lanterninha Aurélio (CESMA)


