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‘Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha’ conquista prêmio de Melhor Filme no Olhar de Cinema

O cinema cearense voltou a ganhar destaque no circuito nacional. Depois de estrear mundialmente na 76ª edição do Festival de Berlim, onde recebeu o Tagesspiegel Readers Jury Award na mostra Forum, o longa Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha conquistou dois dos principais reconhecimentos do 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Na Competição Brasileira de longas-metragens, o filme venceu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Atuação, este último concedido às protagonistas Luciana Souza e Verônica Cavalcanti.

Um road movie sobre memória, afeto e resistência

Dirigido por Janaína Marques, o longa acompanha Rosa, uma mulher que, durante uma sessão de ressonância magnética, recebe a orientação de acessar uma lembrança feliz. Incapaz de encontrar essa memória, ela mergulha no próprio subconsciente e reconstrói uma experiência que jamais viveu: uma viagem ao lado da mãe, Dalva, mulher irreverente que passou anos presa após matar um homem prestes a cometer um feminicídio.

Enquanto revisita essa história imaginada, Rosa confronta medos, ausências e sentimentos reprimidos, transformando a travessia em um processo de cura e reconciliação.

A narrativa é atravessada pela música “Sangue Latino”, eternizada na voz de Ney Matogrosso, que surge como um mantra acompanhando a protagonista durante essa jornada entre realidade, fantasia e memória.

Reconhecimento para um primeiro longa

Ao celebrar a conquista no festival curitibano, Janaína Marques destacou o significado da premiação para toda a equipe envolvida na produção.

“Esse é o meu primeiro longa-metragem, um road movie que coloca no centro da narrativa duas mulheres para falar de afeto, imaginação e resistência. Eu não tenho palavras pra dizer o quanto me sinto feliz por esse reconhecimento. Para mim, ele celebra a paixão de fazer cinema, a força do cinema feito no Ceará e a potência de duas atrizes extraordinárias, Luciana e Verônica”, afirmou a diretora.

Ela também ressaltou a importância do próprio Olhar de Cinema no cenário audiovisual latino-americano.

“E que tudo isso tenha acontecido no Olhar de Cinema, um dos festivais de cinema autoral mais importantes da América Latina, torna tudo isso ainda mais especial”, completou.

Crítica destaca sensibilidade e originalidade

Desde sua estreia internacional, Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha vem recebendo elogios da crítica especializada.

O portal Cinema com Crítica definiu o longa como um processo de cura conduzido com delicadeza, destacando a presença de Luciana Souza como “um acontecimento”.

Já o Meio Amargo descreveu a produção como “arejada, fluida e orgânica”, classificando-a como um raro exemplo de feel good movie de estrada dentro do cinema brasileiro contemporâneo.

Produção cearense com trajetória internacional

O filme é uma produção da Moçambique Audiovisual e da Delírio Filmes, realizada com patrocínio do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura e da Lei Aldir Blanc, além do apoio do BNDES.

A obra também contou com suporte do Instituto Mirante de Arte e Cultura, Instituto Dragão do Mar, Projeto Paradiso, Show Me The Fund, Embaixada do Brasil em Berlim e Instituto Guimarães Rosa.

As vendas internacionais são realizadas pela Patra Spanou Film, enquanto a distribuição nacional ficará a cargo da Moçambique Audiovisual, com consultoria da Fistaile.

Para Marina Moreira, superintendente da Área de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES, apoiar produções como esta reforça o compromisso da instituição com o audiovisual brasileiro.

“Com linguagem sensível e abordagem poética, o filme transita entre memória, utopia e futuros possíveis, discutindo temas atuais como os efeitos das diversas formas de violência contra a mulher, a força que atravessa gerações e o impacto das mulheres para transformar realidades”, destacou.

Ceará em evidência

Natural do Ceará, Janaína Marques construiu uma trajetória marcada pelo reconhecimento internacional. Formada pela Escuela Internacional de Cine y TV de Cuba, a cineasta dirigiu curtas premiados em festivais como Cannes, Clermont-Ferrand, San Sebastián, Havana e Biarritz.

Agora, com seu primeiro longa-metragem, amplia a presença do cinema produzido no Nordeste brasileiro nos principais eventos dedicados ao cinema autoral.

Sinopse

No zumbido silencioso de uma ressonância magnética, Rosa é orientada a evocar uma lembrança feliz. Em uma viagem pelo subconsciente, ela revisita o passado e reconstrói um episódio que nunca viveu: uma travessia com sua mãe, Dalva, mulher livre e irreverente que chegou a ser presa por matar um homem prestes a cometer um feminicídio. Crescida na ausência da mãe, Rosa carrega culpa e medo dessa história. Suspensa entre a vida e uma memória inventada, ela transforma esse reencontro imaginado em uma tentativa de cura e reconciliação.

Elenco principal

  • Verônica Cavalcanti como Rosa
  • Luciana Souza como Dalva
  • Sílvia Moura
  • Fabíola Líper
  • Christiane de Lavor
  • Jéssica Teixeira
  • Lua Arellano
  • Ridson Reis
  • Pedro Domingues

Ficha técnica

Direção: Janaína Marques
Produção: Maurício Macêdo
Roteiro: Xenia Rivery, Pablo Arellano, Taís Monteiro e Pedro Cândido
Direção de Fotografia: Ivo Lopes Araújo
Montagem: Fred Benevides e Luísa Marques
Trilha Sonora: Clau Aniz
Direção de Arte: Patrícia Passos
Figurino: Isac Bento

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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