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Crítica | Olhe o Mar emociona ao encontrar leveza em uma história de superação

Comédia dramática francesa transforma um drama familiar em uma bela história sobre recomeços

Existem filmes que, mesmo abordando assuntos delicados, conseguem transmitir leveza e até divertir o público. Em Olhe o Mar, o diretor Emmanuel Poulain-Arnaud conquista essa difícil missão ao tratar de um tema que certamente representa a dor de muitas famílias sem abrir mão da sensibilidade e do bom humor.

A história acompanha Milo, um adolescente que descobre sofrer de uma doença rara que o fará perder completamente a visão. Filho de Chris e Antoine, um casal divorciado, ele vê a rotina da família mudar completamente diante da notícia. Sem saber como lidar com a situação, seus pais tentam descobrir qual seria a melhor forma de tornar esse momento menos doloroso.

Em vez de uma grande viagem pelo mundo, Milo faz um pedido muito mais simples: voltar à praia onde viveu alguns dos melhores momentos de sua vida e rever o avô. A decisão acaba reunindo novamente Chris e Antoine, obrigando os dois a dividirem uma viagem que também se transforma em uma oportunidade de revisitar o passado.

É nesse cenário que o filme encontra sua maior força. Mais do que acompanhar a despedida da visão de Milo, Olhe o Mar mostra um garoto que deseja continuar sendo tratado exatamente como sempre foi. Entre o surfe com o avô, o reencontro com um antigo amor de verão e as conversas sinceras entre seus pais, o longa constrói uma história sobre aceitação sem transformar seus personagens em vítimas.

Olhe o Mar tinha tudo para ser um drama feito para arrancar lágrimas do público. Felizmente, Emmanuel Poulain-Arnaud escolhe outro caminho. A doença nunca é tratada como espetáculo, mas como parte da vida daqueles personagens. O grande charme do filme está justamente na amizade que ressurge entre Chris e Antoine. Mesmo separados, os dois redescobrem o respeito, o carinho e a parceria que um dia fizeram deles uma família, enquanto percebem o quanto aquele lugar guarda lembranças importantes para todos.

Um elenco que transforma a história

Ewan Bourdelles brilha como Milo, interpretando um adolescente que, às vezes, ainda demonstra a leveza de um menino e, em outras, a maturidade de alguém obrigado a crescer antes do tempo. Mesmo sabendo que perderá a visão, seu personagem encara a situação com uma serenidade admirável, tornando a experiência ainda mais emocionante.

Audrey Fleurot e Dany Boon, por sua vez, são o grande destaque da produção. Embora Chris e Antoine não formem mais um casal, a química entre os dois permanece intacta. É justamente essa cumplicidade que torna tão prazeroso acompanhar a jornada dos personagens e descobrir como enfrentarão os desafios que surgem pelo caminho.

Também merece destaque Nicolas Marié, no papel do avô de Milo. Sem tratar o neto de maneira diferente por causa da doença, ele oferece alguns dos momentos mais espontâneos e acolhedores do filme, reforçando a ideia de que inclusão também passa pela naturalidade com que enxergamos o outro.

Já Amalia Blasco, como Nina, representa o primeiro amor de Milo. Sua presença acrescenta delicadeza à narrativa e reforça que, mesmo diante das maiores dificuldades, ainda existe espaço para viver novas experiências, criar lembranças e enxergar beleza nos pequenos momentos.

Com aquele clima de filme de verão — quase uma clássica Sessão da Tarde, no melhor sentido da expressão —, Olhe o Mar entrega uma trama envolvente, um elenco extremamente carismático e uma sensibilidade que nunca ultrapassa o limite do melodrama. É um filme que emociona sem manipular o espectador e diverte sem diminuir o peso do assunto que aborda.

Respeitoso e sincero, Olhe o Mar entende que algumas dores não podem ser evitadas, mas podem ser compartilhadas. Ao falar sobre família, amizade e recomeços, a produção lembra que nem sempre é possível mudar o futuro, mas sempre existe tempo para criar boas lembranças ao lado de quem amamos.

Ficha técnica

Nota: 4,5 (de 5)

Direção: Emmanuel Poulain-Arnaud

Roteiro: Emmanuel Poulain-Arnaud, em colaboração com Julien Rigoulot e Jean-André Yerles

Elenco: Audrey Fleurot (Chris), Dany Boon (Antoine), Ewan Bourdelles (Milo), Nicolas Marié (Papichou), Amalia Blasco (Nina), Camille Solal (Isabelle) e Thomas VDB (Peyo)

Música: Julien Glabs

Cenografia: Charlotte Martin-Favier

Figurinos: Cécile Cenoura-Guiot

Fotografia: Nicolas Gaurin

Som: Guillaume Valeix

Edição: Grégoire Sivan

Produção: Laetitia Galitzine, Émilie Pégurier e Nathalie Toulza-Madar

Produtoras: Chapka Films e Studio TF1 Cinéma, em coprodução com Beside Productions, Société nouvelle de Distribution (SND) e TF1 Films Production

Distribuidoras: Athena Films (Bélgica) e SND (França)

País de produção: Bélgica / Bélgica

Idioma original: francês

Agradecimentos a Autoral Filmes pela produção deste conteúdo

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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