Muito antes dos animes ocuparem espaço nas plataformas de streaming, nos grandes eventos e no cotidiano do público brasileiro, AKIRA já havia mostrado que a animação japonesa podia ir muito além do entretenimento infantil. Agora, quase quatro décadas após sua estreia original, o longa de Katsuhiro Otomo voltará aos cinemas brasileiros em uma aguardada versão remasterizada em 4K.
A estreia nacional está marcada para 27 de agosto, oferecendo a antigos admiradores a oportunidade de revisitar Neo-Tóquio nas telonas e apresentando a obra a uma nova geração de espectadores.
O anime que mudou tudo
Lançado originalmente em 1988, AKIRA é considerado um divisor de águas na história da animação. Dirigido pelo próprio Katsuhiro Otomo, o longa impressionou pela fluidez de seus movimentos, riqueza de detalhes e pela forma como abordou temas raramente explorados em animações da época, como autoritarismo, corrupção política, militarização e a inquietação da juventude diante de um futuro incerto.
Ambientada em Neo-Tóquio, reconstruída após uma explosão devastadora que desencadeou a Terceira Guerra Mundial, a história acompanha Shotaro Kaneda, líder de uma gangue de motociclistas, e seu amigo Tetsuo Shima, que desperta habilidades psíquicas capazes de colocar toda a humanidade em risco.
Ao longo dos anos, a influência de AKIRA ultrapassou o universo dos animes e alcançou o cinema, os videogames, os quadrinhos e a cultura pop como um todo, consolidando-se como uma das obras mais importantes do gênero cyberpunk.
Antes das telonas, as páginas do mangá


A origem de AKIRA está no mangá criado por Katsuhiro Otomo, publicado entre 1982 e 1990. Embora o filme adapte parte dos acontecimentos da obra original, o material impresso expande significativamente o universo da narrativa e aprofunda as motivações e conflitos de seus personagens.
No Brasil, o mangá ganhou diferentes edições ao longo dos anos, sendo a mais recente publicada pela Editora JBC. A coleção recebeu reconhecimento no Troféu HQ Mix, reforçando a importância de AKIRA também para o mercado nacional de quadrinhos.
A longa história de AKIRA no Brasil
A relação entre AKIRA e o público brasileiro começou em 1991, quando o longa chegou aos cinemas do país. O lançamento marcou época ao se tornar a primeira animação japonesa exibida comercialmente no Brasil como um filme mainstream, ajudando a abrir caminho para a popularização dos animes nas décadas seguintes.
Desde então, a produção passou por diferentes formatos, incluindo VHS, DVD e Blu-ray, mantendo-se viva na memória afetiva de sucessivas gerações de fãs.
Ao longo dessa trajetória, o filme também recebeu novas versões de dublagem em português, refletindo o interesse contínuo do público brasileiro pela obra de Otomo.
Vozes que acompanharam diferentes gerações
Ao longo de sua trajetória no Brasil, AKIRA recebeu três dublagens oficiais em português, cada uma refletindo diferentes momentos do mercado nacional de animação japonesa.
A primeira versão, produzida pela Álamo no início dos anos 1990, trouxe nomes que se tornariam referências para os fãs de anime, como Wendel Bezerra no papel de Kaneda e Tatá Guarnieri como Tetsuo. A adaptação acompanhou a chegada do filme aos cinemas brasileiros e ajudou a apresentar Neo-Tóquio ao público local.
Anos depois, o longa ganhou uma nova dublagem pela Mastersound, com Alfredo Rollo assumindo Kaneda e Mauro Eduardo dando voz a Tetsuo, acompanhando relançamentos em home video.
Já nos anos 2000, uma terceira versão foi produzida pela Capricórnio, trazendo César Terranova como Kaneda e Vagner Fagundes interpretando Tetsuo. Para muitos fãs que conheceram o filme através da televisão ou das edições mais recentes em DVD, essa acabou se tornando a versão mais familiar.
Independentemente da preferência de cada geração, as diferentes dublagens ajudam a contar a própria história de AKIRA no Brasil, acompanhando a forma como o público brasileiro descobriu, redescobriu e manteve viva uma das animações mais importantes de todos os tempos.
Neo-Tóquio em 4K

Agora, 35 anos após sua estreia nos cinemas brasileiros, AKIRA retorna às telonas em uma versão remasterizada em 4K.
Mais do que um simples relançamento, a iniciativa funciona como uma celebração do legado deixado pela obra. Em uma época em que muitas das discussões propostas pelo filme seguem atuais, revisitar Neo-Tóquio é também reencontrar uma narrativa que continua provocando reflexões sobre poder, desigualdade, tecnologia e o próprio destino da humanidade.
Para quem cresceu acompanhando a trajetória de Kaneda e Tetsuo, trata-se de uma oportunidade rara de experimentar novamente a grandiosidade visual do longa no ambiente para o qual ele foi concebido: a sala de cinema. Já para quem terá o primeiro contato com a obra, o relançamento representa a chance de descobrir por que AKIRA permanece como uma referência incontornável da animação mundial.
Uma sessão para celebrar no bairro da Liberdade
Esta não é a primeira vez que o filme retorna às telonas brasileiras. Ao longo dos anos, AKIRA participou de diferentes exibições comemorativas, incluindo sessões especiais que reuniram fãs antigos e novos espectadores. Uma dessas ocasiões aconteceu durante a inauguração do próprio Sato Cinema, reforçando a ligação histórica entre o clássico de Katsuhiro Otomo e os espaços dedicados à difusão da cultura japonesa no país.
E antes da nova estreia nacional, o público paulistano poderá conferir uma exibição especial do filme em São Paulo.
A sessão acontece no dia 9 de agosto, às 17h, no Sato Cinema, localizado no Grande Auditório do Bunkyo, no bairro da Liberdade. O evento antecipa as comemorações dos 35 anos da chegada de AKIRA ao Brasil.
Serviço
AKIRA (4K Remaster)
Estreia nacional: 27 de agosto de 2026
Sessão especial
Data: 9 de agosto de 2026
Horário: 17h
Sato Cinema (Grande Auditório do Bunkyo)
Rua São Joaquim, 381 – Liberdade, São Paulo/SP
Próximo à estação São Joaquim do metrô.
Os ingressos podem ser adquiridos pelo site da Ingresso.com ou presencialmente na bilheteria, uma hora antes da exibição.

