Está chegando para os jogadores do Nintendo Switch 2 a experiência completa de Yakuza Kiwami 1 + 2 com legendas em português. No melhor estilo Super Mario Galaxy, são dois títulos exibidos separadamente no menu do console.
Remakes dos jogos de 2005 e 2006 para PlayStation, os Kiwami surgiram na comemoração de 10 anos da franquia, em 2015. Seguindo uma estratégia semelhante à de Resident Evil, os dois primeiros jogos foram refeitos, com a diferença de que aqui ficaram muito melhores e com mais detalhes em suas histórias do que as versões originais.
No Nintendo Switch 2, esta é a primeira vez que a série chega a um console da Nintendo fora do Japão. Yakuza 1 e 2 receberam uma versão em HD para Wii U exclusivamente em território japonês, numa época em que Sonic ganhava jogos apenas nos consoles da Nintendo. Naquele momento, não houve um esforço real para trazer os títulos ao Ocidente. Agora, com legendas em português, fica evidente um cuidado especial com o público brasileiro e a esperança de que o restante da franquia siga o mesmo caminho.
Mesmo sendo relançamentos, os títulos chegam com tradução inédita em português, reforçando ainda mais o carinho voltado aos jogadores do Brasil. E torcemos aqui que outros jogos da franquia ganhem tradução também oficial em português, porquê quanto mais Like a Dragon é o melhor para o jogador brasileiro.
Para os fãs, este lançamento funciona como um verdadeiro “esquenta” para Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, previsto para 2026. O forte interesse no Japão também deixou claro que muitos jogadores desejam a série em um console da Nintendo.
A questão que fica é simples: é uma boa experiência jogar no Switch 2? Um pequeno spoiler: já queremos ver todos os títulos da franquia disponíveis por lá também.
Yakuza 1


Antes de falarmos do remake, é importante comentar como surgiu o jogo original em 2005 para PlayStation 2. Com um orçamento de 2,4 bilhões de ienes (cerca de 21 milhões de dólares), o título nasceu sob o codinome “Projeto J”, produzido por Toshihiro Nagoshi.
Buscando criar uma história com forte carga dramática, Yakuza não foi influenciado apenas por doramas e produções cinematográficas, mas também por uma extensa pesquisa da equipe em regiões como Roppongi e Kabukichō, que inspiraram a fictícia Kamurocho.
Sabendo que tinha uma mina de ouro nas mãos, a SEGA contratou ninguém menos que Takashi Miike para ações de divulgação e apostou em product placement, trazendo marcas reais para dentro do jogo. Cafés Boss, whisky Suntory e outras empresas marcaram presença, assim como clássicos da SEGA, algo que o público passaria a esperar nos títulos seguintes.
O resultado foi um jogo que conquistou o público. Seu sucesso levou a SEGA a preparar uma versão localizada para o Ocidente e, para isso, recrutou nomes relevantes da época, como Mark Hamill (Coringa das animações do Batman e o eterno Luke Skywalker), Michael Madsen (Kill Bill) como Futoshi Shimano e Michael Rosenbaum (Lex Luthor de Smallville) como Akira Nishikiyama. No papel de Kazuma Kiryu, Darryl Kurylo relatou ter tido uma experiência fantástica no projeto.
Yakuza Kiwami 1

Planejado para PlayStation 3 e PlayStation 4, Yakuza Kiwami 1 chegou em 2016 como parte da comemoração de 10 anos da franquia. O jogo foi reconstruído com um novo tom, influenciado pelo lançamento de Yakuza 0 em 2015.
Masayoshi Yokoyama liderou o desenvolvimento do remake, atualizando e elevando o nível estabelecido por Yakuza 0. Mais do que melhorar os visuais, a equipe revisou elementos narrativos, transformando o jogo em um grande sucesso de sua época.
É esse Kiwami 1 que chega agora ao Nintendo Switch 2, mostrando que a franquia pode revisitar seus títulos clássicos no futuro sob o selo Kiwami.
A História

A trama inicial de Yakuza coloca Kazuma Kiryu no centro de um turbilhão que muda sua vida para sempre. Quando Sohei Dojima tenta atacar Yumi Sawamura, amiga de infância de Kiryu, quem o impede é Akira Nishikiyama, seu melhor amigo. Nishiki puxa o gatilho, mas Kiryu assume a culpa e aceita dez anos de prisão, apagando sua antiga vida.
Ao sair, tudo mudou. Kiryu é expulso do clã Tojo, Yumi desapareceu e começam a circular rumores de que dez bilhões de ienes sumiram do banco privado da organização. Esse dinheiro vira o grande objetivo das facções criminosas, transformando o Japão em uma caçada frenética. E Kiryu, agora visto como traidor, se torna alvo até de antigos aliados.
Quando busca respostas com seu mentor Shintaro Kazama, a situação piora. Nishikiyama reaparece como líder de sua própria gangue e atira em Kazama, conectando Yumi diretamente ao mistério da fortuna roubada. Kiryu foge com a ajuda do detetive Makoto Date, que percebe que a guerra interna no Tojo está prestes a explodir.
Em meio a tudo isso, Kiryu encontra Haruka, uma garota que procura a mãe e carrega um pingente que pode ser a chave para os dez bilhões. Proteger Haruka se torna parte essencial da história, enquanto novas facções surgem para capturá-la e desvendar o paradeiro do dinheiro.
Entre perseguições, traições e revelações, Kiryu enfrenta um caos que mistura drama, conspiração e violência — uma história que define o nascimento de um dos protagonistas mais marcantes dos games japoneses.
Jogabilidade

Aqui está tudo que define Yakuza: o mapa de Kamurocho, desafios e as tradicionais lutas pelas ruas de Tóquio. Mas estamos em uma década diferente, e isso aparece nos detalhes — save e transferência de itens acontecem em cabines telefônicas, exigindo mais do jogador nesse mundo mais analógico.
Se você já jogou outros títulos da série, vai sentir que tudo é mais simples, mas ainda assim plenamente reconhecível. Até o mapa reflete essa diferença, apontando menos elementos com precisão moderna, o que, entretanto, não diminui o charme de revisitar o início da jornada de Kiryu, com seus estilos de luta característicos.
Opinião

Yakuza Kiwami 1 traz gráficos muito bonitos para sua época e valoriza o começo da saga o que é crucial para quem é fã da franquia. O grande diferencial aqui são as legendas em português, que chegam pela primeira vez e tornam a experiência mais acessível.
Por ser um jogo de 2016 aprimorado para esta nova versão, é possível compará-lo ao remake de Resident Evil 1 (2002). Assim como no caso da Capcom, o salto entre o primeiro remake e seus sucessores é grande; o mesmo acontece entre Kiwami 1 e Kiwami 2. Você sente que está jogando Yakuza, mas o estilo moderno que você conhece está mais forte no Kiwami 2.
Isso não prejudica a experiência, mas ao jogar os dois lado a lado, é natural preferir Kiwami 2, que traz a fórmula mais próxima da atual.
Indo além dos games


Se você gosta de explorar todas as mídias, Yakuza fez tanto sucesso em 2005 que ganhou uma versão em live action em 2007. Dirigido por Takashi Miike, o filme é estrelado por Kazuki Kitamura, Goro Kishitani, Show Aikawa, Yoshiyoshi Arakawa, Kenichi Endō e Tomorowo Taguchi.
O grande desafio da produção foi condensar tantas tramas em um único filme. Filmado em Kabukichō, em Tóquio, o longa entrega até mesmo os estilos de luta de Kiryu, resultando em uma adaptação “entusiasmada” da história original.
O filme foi lançado este ano no Prime Video, oferecendo a oportunidade de conhecer o universo do jogo por outra perspectiva.
Além disso, em 2024, Like a Dragon ganhou seu primeiro dorama, também pela Prime Video. Com Ryoma Takeuchi como Kiryu, a série de 6 episódios adapta diretamente Yakuza Kiwami 1, incorporando também elementos de Yakuza 0.
Mesmo com algumas divergências de tom nos personagens, a série adaptou muito bem a trama do jogo analisado aqui e funciona como uma experiência complementar interessante para quem quer entender melhor a mitologia da franquia.
Yakuza 2


Com o sucesso do primeiro jogo, lá em 2005, a sequência veio com a proposta de superar o original. Planejado também para o PlayStation 2, o jogo traz tudo em dobro: dois cenários, dois dragões, duas regiões do Japão.
No Ocidente, o jogo foi o primeiro a ser lançado apenas com dublagem japonesa. Mesmo chamando um elenco famoso na época, a dublagem americana não caiu nas graças do público ocidental, fazendo com que a versão original japonesa fosse priorizada.
Mas você acha que a dublagem original não teve mudanças? Teve, sim. O diretor de dublagem incentivou o elenco a atuar fora das interpretações caricatas de animês. Yakuza 2 definitivamente era uma evolução do primeiro jogo em todos os fatores, deixando claro que queria entregar uma história ainda melhor que sua antecessora.
Vale salientar que, em Yakuza 2, na trilha sonora, o time composto por Hidenori Shoji, Hideki Sakamoto, Norihiko Hibino e Takahiro Izutani ganhou mais um nome com a chegada de Haruyoshi Tomita. Na época, Tomita estava trabalhando em Super Monkey Ball: Banana Blitz para Wii e era fã do primeiro Yakuza, vindo também contribuir com as composições.
E quando o assunto é product placement, a SEGA também aumentou a participação das marcas, trazendo ao todo 17 empresas para dentro da série, incluindo a chegada de Matsuya e o bourbon Jack Daniel’s, mostrando novamente que tudo nesta continuação seria maior.
Uma curiosidade envolvendo a Nintendo: Yakuza 2 ganhou um relançamento em 2012/2013, com port para PlayStation 3 e Wii U, tornando-se o primeiro jogo da série a ser levado para um console da Nintendo.
Por fim, Yakuza 2 trouxe para o jogo a conhecida rivalidade entre Tóquio e Osaka. Explicando rapidamente, é algo similar ao que temos no Brasil com São Paulo x Rio de Janeiro, representados aqui pelos dois dragões, cada um de sua região. Além disso, para construir um cenário que rivalizasse com Kabukichō, a SEGA apresentou Sotenbori, criado com base no distrito Dōtonbori, em Osaka.
Yakuza Kiwami 2

Chegamos então à sua versão Kiwami, que ganhou luz em 2017 no PlayStation 4. O segundo remake da franquia já foi feito com a Dragon Engine, que havia estreado em Yakuza 6: The Song of Life, de 2016.
Comparado ao primeiro Kiwami, Yakuza Kiwami 2 traz mais elementos já conhecidos da série: controle mais fluido, menus familiares, mais inimigos em tela e uma jogabilidade que remete naturalmente a outros títulos da franquia.
Um detalhe curioso é que Yakuza Kiwami 2 tem uma cena no cemitério, com Kiryu e Haruka, que reconta toda a história de Yakuza Kiwami 1. Então, caso você não tenha jogado o primeiro, essa cena inicial serve como um ótimo resumo dos arcos principais da trama.
Para os fãs de música japonesa: a banda SiM, que passou pelo Brasil em um show histórico em outubro de 2025, está na trilha sonora do jogo com as músicas “A” e “The Sound of Breath”. Ambas aparecem nos créditos, e se você é fã de J-Rock, talvez tenha visto a banda perto do lançamento do jogo no Switch 2.
Por fim, infelizmente Kiwami 2 contou com a troca de diversos dubladores do Yakuza 2, deixando de lado muitas das ousadias interpretativas presentes no original.
A História

Kazuma Kiryu vive tranquilamente com Haruka até ser puxado de volta ao caos quando o chefe do clã Tojo, Yukio Terada, surge pedindo ajuda para impedir uma guerra contra a Aliança Omi. A visita termina em tragédia e Kiryu parte para Osaka ao lado de Daigo Dojima, esbarrando no brutamontes Ryuji Goda, o famoso Dragão de Kansai, que quer conflito a qualquer custo.
A detetive Kaoru Sayama entra na narrativa e forma dupla com Kiryu enquanto ambos tentam entender a teia de traições dentro da Omi e o retorno inesperado da máfia coreana Jingweon, que deveria estar extinta desde os anos 80. Cada novo passo revela um plot twist digno da franquia: sequestros, bombas em Kamurocho, chefes conspirando e muita pancadaria pelas ruas das duas cidades.
A invasão de Ryuji em Tóquio leva ao grande clímax e culmina no duelo icônico no topo de Kamurocho. No meio disso tudo, a verdade aparece: Terada estava vivo e comandava a Jingweon nas sombras, manipulando todos para derrubar Tojo e Omi de uma vez.
Jogabilidade

Aqui eu assumo que me senti mais em casa do que no primeiro Kiwami. Mesmo sendo um jogo em um console diferente, como o Nintendo Switch 2, tudo flui muito bem e é basicamente o tipo de jogo que você joga de olhos fechados. Talvez nem tanto, mas é por aí.
O controle é muito responsivo. O RPG de ação focado na porradaria direta também está aqui. Até as mensagens de celular com dicas seguem o que se espera de um jogo da série Yakuza.
Particularmente, e já comentei isso em outros jogos, prefiro um RPG mais voltado para o combate do que o estilo de menus visto nos títulos protagonizados por Ichiban Kasuga. E é exatamente isso que Kiwami 2 entrega, sendo, para mim, o ápice da franquia nesse aspecto.
Tradução

Yakuza Kiwami 1 e Yakuza Kiwami 2, ao estrearem com legendas em português, trazem o melhor que a SEGA tem feito nos últimos anos. A tradução é cheia de estilo, sem medo de usar palavrões e com um jeito de falar que, mesmo sendo de rua, soa extremamente natural.
É um trabalho que vem se consolidando nos últimos jogos da série, e aqui o resultado mais uma vez agrada. Além disso, é uma ótima forma de aprender um japonês nada convencional.
Não há como dizer que um jogo está melhor que o outro, pois ambos entregam o mesmo patamar de qualidade no original e trazem traduções igualmente competentes.
Opinião

Yakuza Kiwami 2 traz, para mim, o melhor que a franquia tem. É uma evolução enorme em relação a Yakuza Kiwami 1. Sua história é mais emocionante e apresenta personagens mais envolventes, como Ryuji Goda, o Dragão de Kansai.
Logo no começo, já temos um confronto com Ryuji ao estilo de chefes finais, o que aumenta a adrenalina e faz você querer terminar o jogo o quanto antes. Com uma narrativa mais envolvente, para não dizer viciante, Yakuza Kiwami 2 realmente evolui tudo o que o primeiro estabeleceu, oferecendo uma experiência superior ao jogador.
É fato que você leva dois ótimos jogos para casa, mas Yakuza Kiwami 2 é o que brilha mais e rouba completamente sua atenção quando jogados em sequência. E, se posso recomendar algo, evite jogá-lo enquanto ainda estiver jogando Yakuza Kiwami 1. Assim, você aproveita muito mais o primeiro sem comparações inevitáveis.
Yakuza Kiwami 2 merece nota máxima. Não apenas por se aproximar dos jogos mais atuais, mas por entregar um Kiryu exatamente como conhecemos, já distante de sua origem. Isso conta muito e faz com que a gente acabe preferindo olhar para ele primeiro
Yakuza Kiwami 1 e 2 valem a pena?

Valem, e muito. Não só porque chegam totalmente em português do Brasil, mas porque são dois excelentes jogos que entregam o início de uma das sagas mais queridas da SEGA, agora atualizados e em sua melhor forma.
Por serem títulos já bastante comuns em outras plataformas, pode até soar estranho vê-los no Switch 2. Mas a mobilidade do console faz uma diferença enorme: levar na mochila, jogar no intervalo e continuar em casa cria uma experiência que combina muito bem com o ritmo de Yakuza. Tenho a série também no Steam Deck e gosto bastante, mas, em termos de portabilidade e bateria, achei mais confortável jogar Kiwami 1 e 2 no Switch 2 do que outras entradas da saga no portátil da Valve.
Os jogos chegam por R$ 147,90 cada, ou em pacote conjunto por R$ 261,90 na Nintendo eShop, um preço justo considerando que são duas aventuras extensas e cheias de conteúdo.
No fim das contas, recomendo sem hesitar. E já fica a expectativa para a SEGA continuar trazendo mais títulos da série ao Switch 2.
Ficha Técnica

Nota: 4,5 (de 5)
Yakuza Kiwami 1 e 2 (Switch 2)
Gênero: Ação / Aventura
Console em destaque: Nintendo Switch 2
Editora: SEGA
Lançamento: 13 de novembro de 2025
Yakuza Kiwami
Estúdio: Ryu Ga Gotoku Studio
Direção: Koji Yoshida
Produção/Roteiro: Masayoshi Yokoyama
Plataformas: PS3, PS4, Windows, Xbox One, Switch 1 e 2
Yakuza Kiwami 2
Estúdio: Ryu Ga Gotoku Studio
Direção: Hiroyuki Sakamoto
Produção: Masayoshi Yokoyama, Daisuke Sato
Motor: Dragon Engine
Plataformas: PS3, PS4, Windows, Xbox One, Switch 1 e 2
Agradecimentos a SEGA e a Theogames pela produção deste conteúdo

