A coletânea Yakuza Kiwami 1 e 2 está chegando ao Nintendo Switch 2, agora com legendas em português e totalmente adaptada ao novo hardware. Mas, entre os dois títulos, é Yakuza Kiwami 2 que realmente assume o papel principal, tanto pela qualidade do remake quanto pelo impacto que teve na evolução da franquia Like a Dragon.
Remake do jogo original de 2006, Yakuza Kiwami 2 marca o momento em que a série dá seu primeiro salto técnico e narrativo, agora reconstruído com a Dragon Engine. Isso resulta em um jogo mais fluido, cinematográfico e intenso, bem à frente do primeiro Kiwami, que ainda preserva a estrutura mais rígida do título de 2005.
No Switch 2, Yakuza Kiwami 2 reforça ainda mais essa identidade. O visual vem refinado mesmo na tela portátil, os combates parecem mais pesados e orgânicos, e tanto Kamurocho quanto Sotenbori ganham vida com carregamentos quase imperceptíveis. A história também se beneficia desse conjunto, já que apresenta uma das fases mais maduras da jornada de Kiryu e introduz Ryuji Goda, antagonista que permanece como um dos mais marcantes da série.
Uma chegada histórica para a Nintendo
Mesmo sendo relançamentos, esta é a primeira vez que a série chega num console da Nintendo fora do Japão. Yakuza 1 e 2 ganharam uma versão em HD para Wii U no Japão, numa época que Sonic ganhava jogos exclusivos nos consoles da Nintendo, porém não houve naquele momento um trabalho tão grande de trazer pro ocidente. Ao ser os primeiros jogos já lançados, recebendo legendas em português mostram um cuidado inédito voltado para o público brasileiro em que torcemos que também traga legendas aos demais títulos da franquia.
A vinda desses dois jogos funciona como um aquecimento direto para Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, previsto para 2026. Para veteranos, é a chance de revisitar a mitologia da série em versões mais completas e, agora, mais acessíveis.
Vale a pena jogar no Switch 2?
Definitivamente. E a resposta fica ainda mais clara quando se olha para Kiwami 2, que é o grande cartão de visita da franquia na plataforma. Ele mostra o potencial do console e abre espaço para um desejo que muitos fãs já compartilham: ver a série inteira Like a Dragon disponível no Switch 2.
Yakuza 2


Com o sucesso do primeiro jogo, lá em 2005, a sequência veio com a proposta de superar o original. Planejado também para o PlayStation 2, o jogo traz tudo em dobro: dois cenários, dois dragões, duas regiões do Japão.
No Ocidente, o jogo foi o primeiro a ser lançado apenas com dublagem japonesa. Mesmo chamando um elenco famoso na época, a dublagem americana não caiu nas graças do público ocidental, fazendo com que a versão original japonesa fosse priorizada.
Mas você acha que a dublagem original não teve mudanças? Teve, sim. O diretor de dublagem incentivou o elenco a atuar fora das interpretações caricatas de animês. Yakuza 2 definitivamente era uma evolução do primeiro jogo em todos os fatores, deixando claro que queria entregar uma história ainda melhor que sua antecessora.
Vale salientar que, em Yakuza 2, na trilha sonora, o time composto por Hidenori Shoji, Hideki Sakamoto, Norihiko Hibino e Takahiro Izutani ganhou mais um nome com a chegada de Haruyoshi Tomita. Na época, Tomita estava trabalhando em Super Monkey Ball: Banana Blitz para Wii e era fã do primeiro Yakuza, vindo também contribuir com as composições.
E quando o assunto é product placement, a SEGA também aumentou a participação das marcas, trazendo ao todo 17 empresas para dentro da série, incluindo a chegada de Matsuya e o bourbon Jack Daniel’s, mostrando novamente que tudo nesta continuação seria maior.
Uma curiosidade envolvendo a Nintendo: Yakuza 2 ganhou um relançamento em 2012/2013, com port para PlayStation 3 e Wii U, tornando-se o primeiro jogo da série a ser levado para um console da Nintendo.
Por fim, Yakuza 2 trouxe para o jogo a conhecida rivalidade entre Tóquio e Osaka. Explicando rapidamente, é algo similar ao que temos no Brasil com São Paulo x Rio de Janeiro, representados aqui pelos dois dragões, cada um de sua região. Além disso, para construir um cenário que rivalizasse com Kabukichō, a SEGA apresentou Sotenbori, criado com base no distrito Dōtonbori, em Osaka.
Yakuza Kiwami 2

Chegamos então à sua versão Kiwami, que ganhou luz em 2017 no PlayStation 4. O segundo remake da franquia já foi feito com a Dragon Engine, que havia estreado em Yakuza 6: The Song of Life, de 2016.
Comparado ao primeiro Kiwami, Yakuza Kiwami 2 traz mais elementos já conhecidos da série: controle mais fluido, menus familiares, mais inimigos em tela e uma jogabilidade que remete naturalmente a outros títulos da franquia.
Um detalhe curioso é que Yakuza Kiwami 2 tem uma cena no cemitério, com Kiryu e Haruka, que reconta toda a história de Yakuza Kiwami 1. Então, caso você não tenha jogado o primeiro, essa cena inicial serve como um ótimo resumo dos arcos principais da trama.
Para os fãs de música japonesa: a banda SiM, que passou pelo Brasil em um show histórico em outubro de 2025, está na trilha sonora do jogo com as músicas “A” e “The Sound of Breath”. Ambas aparecem nos créditos, e se você é fã de J-Rock, talvez tenha visto a banda perto do lançamento do jogo no Switch 2.
Por fim, infelizmente Kiwami 2 contou com a troca de diversos dubladores do Yakuza 2, deixando de lado muitas das ousadias interpretativas presentes no original.
A História

Kazuma Kiryu vive tranquilamente com Haruka até ser puxado de volta ao caos quando o chefe do clã Tojo, Yukio Terada, surge pedindo ajuda para impedir uma guerra contra a Aliança Omi. A visita termina em tragédia e Kiryu parte para Osaka ao lado de Daigo Dojima, esbarrando no brutamontes Ryuji Goda, o famoso Dragão de Kansai, que quer conflito a qualquer custo.
A detetive Kaoru Sayama entra na narrativa e forma dupla com Kiryu enquanto ambos tentam entender a teia de traições dentro da Omi e o retorno inesperado da máfia coreana Jingweon, que deveria estar extinta desde os anos 80. Cada novo passo revela um plot twist digno da franquia: sequestros, bombas em Kamurocho, chefes conspirando e muita pancadaria pelas ruas das duas cidades.
A invasão de Ryuji em Tóquio leva ao grande clímax e culmina no duelo icônico no topo de Kamurocho. No meio disso tudo, a verdade aparece: Terada estava vivo e comandava a Jingweon nas sombras, manipulando todos para derrubar Tojo e Omi de uma vez.
Jogabilidade

Aqui eu assumo que me senti mais em casa do que no primeiro Kiwami. Mesmo sendo um jogo em um console diferente, como o Nintendo Switch 2, tudo flui muito bem e é basicamente o tipo de jogo que você joga de olhos fechados. Talvez nem tanto, mas é por aí.
O controle é muito responsivo. O RPG de ação focado na porradaria direta também está aqui. Até as mensagens de celular com dicas seguem o que se espera de um jogo da série Yakuza.
Particularmente, e já comentei isso em outros jogos, prefiro um RPG mais voltado para o combate do que o estilo de menus visto nos títulos protagonizados por Ichiban Kasuga. E é exatamente isso que Kiwami 2 entrega, sendo, para mim, o ápice da franquia nesse aspecto.
Tradução

Yakuza Kiwami 1 e Yakuza Kiwami 2, ao estrearem com legendas em português, trazem o melhor que a SEGA tem feito nos últimos anos. A tradução é cheia de estilo, sem medo de usar palavrões e com um jeito de falar que, mesmo sendo de rua, soa extremamente natural.
É um trabalho que vem se consolidando nos últimos jogos da série, e aqui o resultado mais uma vez agrada. Além disso, é uma ótima forma de aprender um japonês nada convencional.
Não há como dizer que um jogo está melhor que o outro, pois ambos entregam o mesmo patamar de qualidade no original e trazem traduções igualmente competentes.
Opinião

Yakuza Kiwami 2 traz, para mim, o melhor que a franquia tem. É uma evolução enorme em relação a Yakuza Kiwami 1. Sua história é mais emocionante e apresenta personagens mais envolventes, como Ryuji Goda, o Dragão de Kansai.
Logo no começo, já temos um confronto com Ryuji ao estilo de chefes finais, o que aumenta a adrenalina e faz você querer terminar o jogo o quanto antes. Com uma narrativa mais envolvente, para não dizer viciante, Yakuza Kiwami 2 realmente evolui tudo o que o primeiro estabeleceu, oferecendo uma experiência superior ao jogador.
É fato que você leva dois ótimos jogos para casa, mas Yakuza Kiwami 2 é o que brilha mais e rouba completamente sua atenção quando jogados em sequência. E, se posso recomendar algo, evite jogá-lo enquanto ainda estiver jogando Yakuza Kiwami 1. Assim, você aproveita muito mais o primeiro sem comparações inevitáveis.
Yakuza Kiwami 2 merece nota máxima. Não apenas por se aproximar dos jogos mais atuais, mas por entregar um Kiryu exatamente como conhecemos, já distante de sua origem. Isso conta muito e faz com que a gente acabe preferindo olhar para ele primeiro.
Ficha Técnica

Nota: 5 (de 5)
Yakuza Kiwami 2
Desenvolvedora: Ryu Ga Gotoku Studio
Publicadora: SEGA
Direção: Hiroyuki Sakamoto
Produção: Masayoshi Yokoyama, Daisuke Sato, Mitsuhiro Shimano
Roteiro: Masayoshi Yokoyama
Motor: Dragon Engine
Série: Yakuza
Plataformas: PS3, PS4, Windows, Xbox One, Nintendo Switch 1 e 2
Lançamento: 13 de novembro (Nintendo Switch 2)
Agradecimentos a SEGA e a Theogames pela produção deste conteúdo


