InícioFilmesCrítica | Jujutsu Kaisen: Execução revisita o Incidente em Shibuya nos cinemas

Crítica | Jujutsu Kaisen: Execução revisita o Incidente em Shibuya nos cinemas

Lançado em 20 de novembro, Jujutsu Kaisen: Execução chega aos cinemas assumindo uma missão nada simples: condensar a segunda metade da segunda temporada, o famoso arco Incidente em Shibuya, e ainda apresentar dois episódios inéditos da terceira temporada. São cerca de dezoito episódios reorganizados em um filme que precisa fazer sentido tanto para quem já viu tudo no streaming quanto para quem chega agora querendo entender o que vem pela frente.

A boa notícia é que o longa não tenta repetir a temporada quadro a quadro. Em vez disso, reconstrói Shibuya com outro ritmo, outra prioridade e uma pegada que lembra os antigos filmes de animê que recontavam a história para o cinema, como muitos longas clássicos da franquia Gundam. A trilha com SPECIALZ, do King Gnu, e more than words, do hitsujibungaku, reforça essa transição e dá personalidade a essa nova montagem.

Itadori no olho do furacão

Diferente da série, que abre espaço para vários personagens ao mesmo tempo, o filme escolhe acompanhar quase tudo pela perspectiva de Yūji Itadori. Essa decisão muda totalmente a experiência. Em vez de acompanhar múltiplas frentes em paralelo, seguimos a queda, a culpa e o choque emocional do protagonista.

A sequência que mostra Sukuna retomando o controle depois de receber dez dedos é ainda mais pesada no cinema. O massacre que se segue é apresentado com cortes rápidos, deixando tudo mais caótico e mais próximo de como Itadori “acorda” depois: sem chão, sem respostas e com uma culpa difícil de descrever. Essa mudança de foco é o que sustenta a narrativa e justifica a adaptação para os cinemas.

Shibuya vira zona de guerra

Tudo acontece no dia 31 de outubro, quando o Halloween transforma Shibuya em uma gigantesca festa de rua. Gente fantasiada, fotos, música… até que cortinas espirituais caem sobre a região e trancam todo mundo lá dentro.

É o início do caos.

Feiticeiros correm para o local e Satoru Gojō enfrenta o que acredita ser seu antigo amigo Suguru Geto. A revelação de que apenas o corpo de Geto está ali muda completamente o tom da batalha, e a lacração de Gojō joga o Japão inteiro em alerta. É uma das viradas mais importantes da trama, e o filme trabalha bem essa sensação de que ninguém está no controle.

Enquanto isso, Yūji, Megumi Fushiguro e Nobara Kugisaki se dividem em diferentes frentes. A separação funciona como reflexo do próprio colapso de Shibuya. Mahito continua sendo uma das ameaças mais perturbadoras da série, e a cena no trem é tão brutal quanto você lembra. Nobara, mesmo com menos tempo de tela devido à condensação do arco, mantém seu impacto narrativo. A perda dela continua sendo um dos momentos mais marcantes de toda a temporada.

Sukuna domina e o peso recai sobre Itadori

Quando Sukuna assume o corpo de Yūji e amplia o caos, o filme reorganiza os acontecimentos para intensificar o impacto visual e emocional. Não é só destruição. É a representação do pior medo de Itadori acontecendo diante dele.

Sem Gojō para mantê-lo sob controle, Yūji volta a ser visto como uma ameaça. Ao mesmo tempo, o filme traz Yuta Okkotsu de volta à trama, convocado para caçar Itadori. É um gancho forte, especialmente para quem viu Jujutsu Kaisen 0 e sabe o peso da presença de Yuta na história.

O começo da terceira temporada começa aqui

Depois do incidente, o governo japonês precisa lidar com a confirmação pública da existência de espíritos. No anime, isso se desenrola ao longo de vários capítulos, mas no filme esse cenário aparece de forma mais direta, criando uma tensão política e social que aponta para os conflitos que vêm por aí.

O Arco do Extermínio começa a tomar forma. Itadori tenta processar tudo — o luto, a culpa e a sensação de estar sendo caçado. Já Yuta mostra o quanto cresceu desde o filme prequel, e a batalha entre os dois nos escombros de Shibuya funciona como uma ponte sólida para a próxima temporada.

O clima entre as escolas de feiticeiros também começa a mudar, indicando que um confronto maior está sendo preparado.

Opinião

Jujutsu Kaisen: Execução não dá descanso. A edição é acelerada e exige atenção total, principalmente se você não lembra cada detalhe do arco original. Mesmo assim, o longa funciona muito bem. O foco em Itadori dá mais emoção ao caos, e a narrativa fica mais fácil de acompanhar quando vista pela perspectiva dele.

Alguns personagens aparecem rápido demais, como Kento Nanami, e isso pode deixar o público confuso em alguns momentos. É o preço de adaptar tanto conteúdo em pouco tempo. Mas a obra compensa ao apresentar um filme coeso, emocional e com impacto visual digno da tela grande.

Comparando com a série, a diferença de abordagem fica evidente. Enquanto a temporada mostra vários protagonistas vivendo o mesmo evento, o filme escolhe um recorte mais íntimo e direto. É uma mudança que combina com cinema e ajuda a manter o ritmo.

Quem está acostumado com a dublagem pode estranhar o fato de o filme ser exibido apenas legendado, mas isso já tinha acontecido com Jujutsu Kaisen: Hidden Inventory / Premature Death – O Filme e não é uma novidade pra franquia pelo visto.

No final, Jujutsu Kaisen: Execução é uma experiência que vale a sessão. O drama pesa mais e a adaptação mostra como grandes arcos de animê conseguem funcionar muito bem no cinema, assim como vimos recentemente em Chainsaw Man: Arco da Reze e Demon Slayer: Castelo Infinito. Mesmo revisitando cenas conhecidas, o longa entrega o que se espera dele, o que já vale o ingresso.

Ficha Técnica

Nota: 4,5 (de 5)

Jujutsu Kaisen: Execução

Título Original:
Gekijô-ban Jujutsu Kaisen Shibuya Jihen Tokubetsu Henshû-ban × Shimetsu Kaiyû Senkô Jôei

Data de lançamento:
20 de novembro de 2025 (cinemas)

Duração:
1h 30min

Gêneros:
Animação, Ação, Terror

Direção:
Shouta Goshozono

Roteiro:
Hiroshi Seko

Elenco (voz original):
Junya Enoki (Yūji Itadori)
Yuma Uchida (Megumi Fushiguro)
Asami Seto (Nobara Kugisaki)

Distribuição: Crunchyroll / Sony Pictures

Agradecimentos a Crunchyroll e a Sony Pictures pelo convite para produção deste conteúdo

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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