O cinema japonês volta às telonas brasileiras com Make a Girl, novo longa de Gensho Yasuda, que chega nesta quinta, 11 de dezembro, distribuído pela Sato Company. Conhecido por seus curtas em animação 3D com estética de anime, Yasuda faz sua estreia em longa criando um conto futurista que dialoga com tecnologia, afeto e identidade.
A trama acompanha Akira, um jovem gênio da robótica preso em uma sequência de falhas profissionais. Quando ouve a velha máxima de que namorar ajuda qualquer um a “melhorar”, ele leva a ideia ao extremo e decide construir sua parceira ideal. É assim que nasce Zero, uma andróide projetada para ser perfeita em todos os sentidos. O problema começa quando essa perfeição desenvolve algo que nenhum código deveria carregar: emoções próprias.
Zero passa a se perguntar se seu amor por Akira existe de verdade ou é apenas um reflexo da programação. É nesse conflito que Make a Girl encontra seu coração narrativo, transitando entre ficção científica e suspense psicológico.
Do crowdfunding ao cinema
Gensho Yasuda já era um fenômeno digital com mais de seis milhões de seguidores quando iniciou o financiamento coletivo do filme, entre agosto e outubro de 2022. A campanha buscava 10 milhões de ienes, mas o público abraçou o projeto e quase triplicou a meta, chegando a 24 milhões de ienes. O resultado é um filme independente viabilizado pela própria comunidade que acompanha o trabalho do diretor.
Com roteiro, direção, design de personagens e direção de arte assinados por Yasuda, o longa foi produzido pela Aniplex e pelo Studio Kadokawa e chega ao Brasil em cópia oficial de 92 minutos.
Vozes que dão vida à humanidade sintética
O elenco de voz japonês reúne nomes conhecidos do público de anime. Atsumi Tanezaki interpreta Zero, enquanto Shun Horie dá voz a Akira Mizutame. O time também conta com Toshiki Masuda, Sora Amamiya e Youji Ueda, reforçando o clima emocional e de mistério que percorre o filme.
Sato Company e a presença do cinema japonês no Brasil
A distribuição de Make a Girl reafirma a trajetória da Sato Company, pioneira na chegada de animes e tokusatsu ao país desde 1985. A empresa trouxe títulos históricos como Akira, Ghost in the Shell e séries icônicas do gênero tokusatsu. Nos últimos anos, reforçou sua presença no circuito de cinema com lançamentos como Godzilla Minus One e O Menino e a Garça, além do Ghibli Fest, que celebrou os 40 anos da companhia e do Studio Ghibli.
Por que Make a Girl merece atenção
Além do apelo visual de Yasuda, que trabalha com estética 3D estilizada, o longa coloca em debate temas contemporâneos como a relação entre humanos e inteligências artificiais, a idealização do amor e os limites entre criação e autonomia. É o tipo de obra que deve gerar conversas entre fãs de anime e de ficção científica, mas também entre quem curte narrativas introspectivas sobre amadurecimento emocional.
Se você acompanha animação japonesa ou busca histórias que vão além do romance tradicional, Make a Girl tem potencial para ser uma das estreias mais comentadas deste fim de ano.


