Nascida na periferia da zona sul de São Paulo, a 609 Filmes entra em uma nova fase de atuação no mercado audiovisual brasileiro. Premiada em festivais nacionais e internacionais, a produtora se consolida não apenas como realizadora de filmes, mas como um espaço formativo que transforma vivência periférica em método criativo, unindo diversidade, acolhimento e excelência técnica.
O reposicionamento foi apresentado em dezembro, durante um evento de relançamento que reuniu pré-estreia de filme inédito, performances musicais e encontros culturais, reforçando a identidade da 609 como agente ativo da economia criativa periférica.
Cinema periférico como metodologia, não só estética
A 609 desenvolveu uma metodologia própria baseada em formação coletiva, horizontalidade e inclusão de corpos dissidentes e periféricos em todas as etapas do processo audiovisual. A proposta parte da ideia de que a periferia não é apenas tema ou cenário, mas um modo de produzir, pensar e organizar o cinema.
Essa visão tem rendido reconhecimento consistente. Entre as conquistas estão:
- Vitória de Casa 448 no Curtas em Foco (EBAC / O2 Filmes)
- Prêmio de Melhor Argumento de Curta pelo Aldir Blanc 2020 (Vermelho Marsala)
- Melhor Fotografia no CINE RO – Festival de Cinema de Rondônia (Nicobé)
- Impacto internacional de Perifericu (2019), com mais de 30 prêmios e finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro
Da quebrada para o mundo
A produtora também integrou o programa de aceleração Amplifica Cine, fortalecendo sua estrutura de negócio, e participou do lançamento da Cinemateca de Quebrada, em Paris, com atividades no Centre Pompidou e no cinema MK2, em parceria com a Biblioteca MK2.
O projeto, desenvolvido em coprodução com Astúcia Filmes, RAMO e Coletivo Quitu, tem como foco a preservação do audiovisual produzido nas periferias do Brasil e do mundo, ampliando o alcance internacional dessas narrativas.
Filmes, música e cultura em diálogo
Entre os trabalhos da 609 estão o curta Casa 448, selecionado para a série Meu Olhar, do Canal Futura (disponível no Globoplay), e o videoclipe Hermanas, realizado em parceria com as Irmãs de Pau, exibido na Mostra Mix Brasil.
Essa trajetória reflete a experiência direta de seus fundadores — Stheffany Fernanda, Pedro Miosso e William Gomes — cineastas e produtores que vivenciaram os limites de acesso no audiovisual e criaram a 609 como resposta prática a essa realidade.
Relançamento com filme inédito e celebração cultural
A nova fase da produtora foi anunciada em parceria com a Deck9 House. O evento contou com a exibição de Pocas pra Entender, documentário híbrido dirigido por Stheffany Fernanda e Pedro Miosso, que estreou na Festival Mix Brasil.
A programação incluiu apresentações do multiartista Mulambo e sets dos DJs Harlley, DJ Guxtavinho e DJ Sthe, criando um ambiente onde cinema, música e cultura periférica se encontram.
Com produção executiva de Renata de Oliveira, referência no cenário cultural negro paulistano, o evento reforçou o compromisso da 609 com diversidade, mercado e impacto social.
“O cinema periférico não é só estética ou tema. É metodologia, identidade e potência de transformação cultural”, afirma Stheffany Fernanda.

