A temporada do Academy Awards sempre provoca o mesmo fenômeno. Pessoas que não falavam de cinema o ano inteiro começam a procurar filmes indicados, montar listas e discutir favoritos. O detalhe é que hoje boa parte dessa maratona acontece longe das salas de cinema.
Um levantamento da YouGov ajuda a entender esse comportamento. Segundo a pesquisa, o streaming se consolidou como a principal forma de consumo audiovisual no dia a dia, enquanto a ida ao cinema aparece com frequência bem menor na rotina do público.
Streaming virou hábito diário

De acordo com os dados, 36,9% dos entrevistados dizem assistir entre uma e três horas de conteúdo por streaming todos os dias. É a faixa mais comum de consumo.
Outros 25,4% afirmam assistir até uma hora diária, enquanto 17,6% passam entre três e seis horas por dia em plataformas digitais. O número ajuda a ilustrar o quanto serviços de streaming passaram a ocupar o espaço que antes era dominado pela TV tradicional.
Esse comportamento também influencia a forma como o público descobre filmes indicados a premiações. Muitas vezes o primeiro contato com essas produções acontece diretamente em casa, nas plataformas.
Cinema segue relevante, mas menos frequente

Quando o assunto é ir ao cinema, a frequência é mais baixa. Apenas 5,1% dos entrevistados afirmam visitar salas de exibição várias vezes por mês. Outros 3,8% dizem ir semanalmente.
O dado mais revelador aparece em outra estatística: 42,1% afirmam que a última ida ao cinema aconteceu há mais de 30 dias.
Isso não significa necessariamente perda de relevância cultural. O cinema ainda aparece como evento, experiência e ponto de encontro social. Só não é mais o centro do consumo audiovisual cotidiano.
Casa vira extensão da sala de cinema
A pesquisa também aponta outra tendência. Parte do público tem investido em equipamentos para melhorar a experiência doméstica, como projetores digitais ou receptores de mídia.
Esse movimento transforma a casa em uma espécie de mini sala de cinema. Televisões maiores, soundbars e sistemas de streaming ajudam a aproximar o ambiente doméstico de uma experiência mais imersiva.
No meio desse cenário, eventos globais como o Oscar continuam funcionando como um grande empurrão coletivo para assistir filmes. A premiação reacende o interesse do público e faz com que muita gente corra atrás dos indicados.
A diferença é que, cada vez mais, essa corrida acontece com controle remoto na mão em vez de fila na bilheteria. O ritual mudou. A curiosidade pelo cinema, aparentemente, não.

