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Jude Law vive Putin em “O Mago do Kremlin”, thriller político que aposta nos bastidores do poder

Filme de Olivier Assayas acompanha ascensão política na Rússia dos anos 1990 e ganha novo trailer

“O Mago do Kremlin” chega com uma proposta clara. Em vez de olhar para o poder pelo que ele mostra, o filme tenta entender como ele é construído. O novo longa de Olivier Assayas, que estreia em abril nos cinemas brasileiros, mergulha nos bastidores da política russa no período pós União Soviética, focando em quem molda a narrativa, não apenas em quem ocupa o cargo.

Com Jude Law no papel de Vladimir Putin e Paul Dano como protagonista, o filme parte de um ponto menos explorado. A construção da imagem pública como ferramenta de poder, especialmente em um momento de instabilidade política e transformação social.

Um estrategista no centro da narrativa

A história acompanha Vadim Baranov, interpretado por Paul Dano, um produtor de TV que acaba se tornando estrategista de comunicação do Kremlin. É a partir dele que o filme se desenvolve, colocando o espectador dentro de um sistema onde percepção vale tanto quanto ação.

A escolha de seguir esse ponto de vista desloca o foco do líder para quem ajuda a construí lo. Baranov não é apenas observador. Ele atua diretamente na criação de uma figura pública que precisa parecer forte, confiável e inevitável.

Esse recorte aproxima o filme de um thriller mais psicológico do que político tradicional, onde o conflito se dá na manipulação de narrativa e na disputa por controle simbólico.

Jude Law aposta em transformação para viver Putin

Assumir o papel de Vladimir Putin no cinema envolve um tipo específico de desafio. Não apenas pela figura histórica, mas pela necessidade de construir uma presença reconhecível sem cair em caricatura.

Jude Law aposta em um trabalho apoiado em ambientação e detalhe. Segundo o ator, o conjunto de direção de arte, figurino e caracterização foi essencial para criar a sensação de imersão na Rússia dos anos 1990. O resultado busca menos imitação direta e mais reconstrução de contexto.

Esse tipo de abordagem costuma funcionar melhor em narrativas que lidam com figuras reais, permitindo que a interpretação se encaixe no tom do filme sem depender apenas de semelhança física.

Assayas revisita poder, imagem e manipulação

Baseado no romance de Giuliano da Empoli, o filme segue uma linha já presente na filmografia de Olivier Assayas. O interesse por sistemas de poder e pelas estruturas que operam por trás deles.

A presença de nomes como Alicia Vikander, Jeffrey Wright e Tom Sturridge reforça a proposta de um elenco que sustenta a narrativa em diferentes camadas, entre o político, o pessoal e o estratégico.

Exibido no Festival de Veneza e indicado ao Leão de Ouro, o longa chega cercado por expectativa, especialmente pelo tema e pelo momento em que será lançado.

Pôster

No fim, “O Mago do Kremlin” não tenta explicar o poder de forma direta, mas mostrar como ele é construído, manipulado e sustentado ao longo do tempo. O filme estreia em 9 de abril nos cinemas brasileiros.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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