InícioFilmes“Sagrado”, novo doc de Alice Riff, estreia no É Tudo Verdade 2026

“Sagrado”, novo doc de Alice Riff, estreia no É Tudo Verdade 2026

O documentário Sagrado, novo longa de Alice Riff, foi selecionado para a Competição Oficial do É Tudo Verdade 2026, onde terá sua estreia mundial. Filmado integralmente dentro de uma escola pública em Diadema, o projeto propõe um olhar direto para quem sustenta o cotidiano da educação.

Um retrato de dentro para fora

Sem sair do espaço escolar e sem focar nos alunos, o filme acompanha professores e funcionários em suas rotinas, reuniões e conversas, revelando dinâmicas que normalmente ficam fora do centro das narrativas sobre educação.

A câmera observa, insiste e permanece. É desse acúmulo de situações que surgem as tensões, os vínculos e as contradições que atravessam não só a escola, mas também o território ao redor.

A escolha de trabalhar com o “fora de campo” é central. Ao não mostrar diretamente os estudantes, o filme constrói um retrato indireto da comunidade, deixando que o espectador complete esse espaço a partir do que ouve e observa.

Educação como espaço de cuidado e conflito

Depois de abordar o ambiente escolar em Eleições sob a perspectiva dos alunos, Alice Riff retorna ao mesmo universo, agora focando em quem faz a instituição funcionar no dia a dia.

O resultado é um filme que não busca protagonistas individuais, mas sim o coletivo. Mais do que perfis, interessa aqui a engrenagem: como essas pessoas moldam a escola e são moldadas por ela.

Continuidade de uma trajetória no documentário

Com trabalhos como Meu Corpo é Político, a diretora já vinha explorando temas ligados a identidade, política e estruturas sociais. Em “Sagrado”, essa investigação se volta para a educação como espaço de disputa, escuta e construção.

A abordagem segue o cinema observacional, com foco no tempo, na permanência e na relação entre câmera e realidade.

O que esperar

“Sagrado” se posiciona menos como denúncia direta e mais como observação contínua. Ao acompanhar o cotidiano sem mediações explícitas, o filme propõe uma leitura mais complexa sobre escola pública, trabalho e comunidade.

Após a estreia no festival, o longa terá distribuição nos cinemas brasileiros pela Embaúba Filmes.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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