Inspirado por nomes como Resident Evil e Parasite Eve, Vultures: Scavengers of Death é um jogo colombiano que tenta combinar duas abordagens pouco comuns juntas: terror de sobrevivência e combate tático por turnos. O lançamento está marcado para 28 de abril no Steam.
Desenvolvido ao longo de quatro anos pelo pequeno estúdio Team Vultures, formado por apenas duas pessoas, o jogo parte de uma lógica simples no papel, mas difícil de executar: transformar a tensão do survival horror em decisões estratégicas, onde cada ação precisa ser pensada antes de acontecer.
Combate por turnos com consequências reais

Diferente da ação direta que domina o gênero, Vultures desacelera o ritmo para dar espaço à estratégia. Cada confronto exige leitura de cenário, controle de recursos e escolha de alvos. É possível mirar em partes específicas do corpo dos inimigos, incapacitando movimentos ou ganhando tempo para reposicionamento.
Nem toda batalha precisa acontecer. O jogo incentiva evitar confrontos quando possível, reforçando a sensação de vulnerabilidade típica do survival horror clássico. Esse equilíbrio entre combate e evasão é um dos pontos centrais da experiência.
Curiosidade: essa mistura de terror com sistemas táticos ainda é rara. Mesmo Parasite Eve, uma das inspirações citadas, utilizava um modelo híbrido em tempo real, não totalmente baseado em turnos como aqui.
Dois agentes, abordagens distintas

O jogador alterna entre dois protagonistas com habilidades complementares:
Leopoldo é mais físico e direto, capaz de interagir com o ambiente de forma mais agressiva, movendo objetos e abrindo caminhos improvisados.
Amber segue uma linha mais técnica, usando mobilidade e posicionamento a seu favor, com ferramentas como um gancho que altera o controle de espaço durante os confrontos.
Essa dualidade não é apenas estética. Ela influencia diretamente como cada missão pode ser resolvida, incentivando experimentação e adaptação.
Uma cidade em colapso como cenário narrativo
A ambientação se passa no Vale do Salento, uma metrópole fictícia devastada por um desastre biológico. O cenário não funciona apenas como pano de fundo. Ele é parte ativa da narrativa.
Documentos, relíquias e objetos espalhados ajudam a reconstruir o que aconteceu, enquanto também servem como recursos práticos para progressão. Chaves, ferramentas e armas aparecem de forma limitada, reforçando a necessidade de gerenciamento constante.
Estética retrô como escolha criativa
Visualmente, o jogo abraça limitações técnicas inspiradas na era do primeiro PlayStation. Ângulos fixos, iluminação restrita e modelagens mais simples são usados como linguagem estética, não como limitação.
Esse tipo de abordagem tem voltado com força no cenário indie, principalmente em jogos de terror, justamente por reforçar a sensação de desconforto e imprevisibilidade.
Um projeto pequeno com ambição temática
Por trás do jogo estão Mateo e Giovanni, desenvolvedores que trabalham juntos há quase uma década. Além da proposta mecânica, o projeto também flerta com críticas sociais, algo recorrente em produções independentes recentes.
A publicação fica por conta da Firesquid Games, que tem focado em títulos que reinterpretam gêneros clássicos sob novas perspectivas.
O que observar no lançamento
Vultures chega em um momento em que o terror independente tem explorado novas combinações de gênero. A principal questão será como o jogo equilibra tensão e estratégia sem comprometer o ritmo.
Se conseguir sustentar essa proposta, pode ocupar um espaço específico que ainda é pouco explorado: o de um survival horror que exige pensar antes de reagir.


