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Copan transforma prédio símbolo de São Paulo em retrato de um Brasil rachado em novo documentário

Premiado no É Tudo Verdade 2025, documentário de Carine Wallauer estreia nos cinemas em 28 de maio

Existe um tipo de filme que olha para São Paulo como cenário. Copan parece mais interessado em observar a cidade como organismo vivo, barulhento e permanentemente cansado.

Dirigido por Carine Wallauer, o documentário ganhou trailer e pôster oficiais antes da estreia nos cinemas e chega cercado de reconhecimento. O longa venceu o prêmio de Melhor Filme Brasileiro no festival É Tudo Verdade 2025 e foi o único representante latino americano na competição oficial do CPH:DOX, um dos principais festivais de documentário do mundo.

O filme acompanha o cotidiano do edifício Copan, projeto icônico de Oscar Niemeyer inaugurado em 1966 no centro de São Paulo. Mas o foco aqui não está exatamente nos apartamentos famosos ou na estética modernista que vive aparecendo em editorial de arquitetura.

A câmera prefere olhar para corredores, elevadores, funcionários e pequenas tensões que mantêm o prédio funcionando diariamente.

Documentário mistura eleição de síndico com disputa presidencial

O longa acompanha duas eleições acontecendo ao mesmo tempo: a presidencial, entre Lula e Jair Bolsonaro, e a disputa pela administração do próprio Copan.

Pode parecer exagero comparar um condomínio com o país inteiro, mas o documentário usa justamente essa ideia como motor narrativo. Enquanto o Brasil aparece dividido politicamente, o prédio atravessa conflitos parecidos em escala reduzida.

Uma das figuras centrais da história é Affonso Celso Prazeres de Oliveira, síndico que comandou o edifício durante mais de três décadas e se tornou personagem fundamental dentro da dinâmica política do local.

Ao longo do filme, surgem debates sobre convivência, poder, especulação imobiliária, aluguel de curta duração e transformação do centro de São Paulo. Questões que ultrapassam os limites do prédio e ajudam a explicar muita coisa sobre a cidade atual.

Equipe do filme tem ligação direta com o edifício

O envolvimento da equipe com o Copan vai além da pesquisa. A própria diretora viveu no prédio durante sete anos, enquanto a produtora Viviane Mendonça e o DJ KL Jay, responsável pela trilha sonora ao lado dos filhos DJ Will e DJ Kalfani, também moram no edifício.

Essa proximidade ajuda o documentário a capturar momentos mais íntimos da rotina do lugar, especialmente entre os cerca de 104 funcionários responsáveis pela manutenção diária do condomínio.

Copan estreia nos cinemas brasileiros em 28 de maio com distribuição da Vitrine Filmes.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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