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Review | Fading Echo faz da água sua maior arma em uma aventura cheia de personalidade

Poucos jogos conseguem construir toda a sua identidade em torno de uma única ideia. Em Fading Echo, essa ideia é a água. Seja em estado líquido ou em vapor, ela é trabalhada aqui muito além de um power-up: é uma mecânica essencial para explorar seus cenários.

Desenvolvido pela Emeteria e publicado pela New Tales, tive contato com o jogo durante a gamescom latam 2026. Na época, ele já impressionava pela beleza, pelos cenários grandiosos e pelos personagens carismáticos.

Agora, em sua versão final, com dublagem brasileira e grandes nomes da dublagem nacional, Fading Echo entrega não só uma aventura, mas uma experiência que sabe falar português e que diverte.

Com personalidade de sobra e bastante original, Fading Echo é um jogo que vale a atenção. Não apenas pela dublagem, pela proposta ou até pelo preço convidativo, mas pela experiência que consegue construir. E é exatamente isso que vamos conversar por aqui.

Quando a movimentação é tão importante quanto o combate

Giuliano Peccilli

A protagonista One pertence a um mundo devastado pela corrupção conhecida como Paradox, uma força que ameaça consumir Corel e suas realidades paralelas, chamadas de Shadows. Em busca das antigas Fontes Æthéricas, capazes de restaurar o equilíbrio do mundo, ela inicia uma jornada que mistura descobertas pessoais, mistérios sobre seu passado e batalhas contra criaturas corrompidas.

Mas a história nunca tenta carregar o jogo sozinha. Cabe ao jogador explorar e entender os limites daquele mundo. E é justamente nesse processo que One percebe que não está mais em Kansas. Sua mãe sabia que havia algo muito maior por trás de tudo aquilo, e agora ela também está envolvida nessa história.

Desde os primeiros minutos, fica claro que a habilidade de transformar One em uma esfera de água muda completamente a forma como o jogador interage com os cenários. Em vez de apenas correr e escalar obstáculos, é possível deslizar por tubulações, atravessar pequenas aberturas, ganhar impulso para alcançar plataformas distantes e utilizar a própria física da água para criar novas possibilidades de exploração.

É uma mecânica simples de entender, mas que recebe novas camadas conforme habilidades adicionais são desbloqueadas. E é aqui que One passa a atravessar grades, transportar itens dentro de sua forma de água e combinar outras habilidades para pular mais alto ou até mudar seu estado físico, como no caso do vapor, utilizado para alcançar lugares mais altos.

O resultado é uma progressão natural. Você vai se acostumando com cada nova habilidade até que ela se torna parte da personagem e, consequentemente, cada vez mais necessária para sobreviver naquele mundo.

Jogabilidade com estratégia e criatividade

Giuliano Peccilli

No combate, Fading Echo também evita seguir o caminho tradicional. Na forma de água, One pode criar poças para atrapalhar inimigos de fogo, congelá-los ou simplesmente usar o cenário a seu favor. Em alguns momentos, inclusive, pular no momento certo pode ser suficiente para empurrar um inimigo de um penhasco.

Se o adversário é de fogo, a água pode ser utilizada para congelá-lo. E é justamente nesses detalhes que os confrontos exigem não apenas habilidade, mas criatividade para descobrir a melhor maneira de derrotar cada inimigo sem sair machucado dali.

É um sistema que conversa diretamente com a proposta apresentada pela campanha de divulgação: “Become Water”. E, felizmente, não fica apenas no discurso.

É importante frisar que, mesmo oferecendo inúmeras formas de jogar, isso não impede que o jogo seja desafiador. Cada nova habilidade aumenta a complexidade, mas tudo acontece na medida certa, tornando o aprendizado bastante natural.

Em determinado momento, One descobre que pode utilizar um dispositivo que a transfere para diferentes áreas. É aqui que você pode parar em uma “fase” de fogo ou de neve, o que exige ainda mais domínio sobre suas habilidades e sobre as diferentes possibilidades oferecidas pela água.

A identidade visual

Giuliano Peccilli

Outro aspecto que merece destaque é sua direção de arte. Fading Echo segue uma direção completamente diferente de muitos jogos atuais, deixando de lado o excesso de neon e os tons escuros para apostar em cenários bastante coloridos.

Tons quentes dominam boa parte da aventura, enquanto os efeitos produzidos pelas habilidades aquáticas criam um contraste constante durante a exploração.

A sensação é de estar explorando uma pintura em movimento. Os cenários conseguem transmitir beleza sem abrir mão da sensação de decadência provocada pelo avanço do Paradox.

É uma combinação que funciona justamente porque o jogo não precisa transformar cada cenário em um espetáculo visual. Existe uma identidade própria ali, e ela ajuda a reforçar a sensação de que estamos descobrindo um mundo que já foi muito diferente do que encontramos.

Muito além da One

Giuliano Peccilli

A história funciona melhor quando One percebe que não está sozinha. É aqui que Vellum e o próprio Echoverse despertam curiosidade, mas o roteiro evita excessos e prefere revelar informações aos poucos.

Muitas vezes, o próprio cenário ajuda a complementar a construção daquele universo. Isso acaba expandindo a mesma sensação de aprendizado presente na jogabilidade: assim como One aprende novas habilidades, o jogador também vai descobrindo aos poucos como aquele mundo funciona.

O roteiro também sabe equilibrar seus momentos mais sérios com diálogos que conseguem arrancar algumas risadas. Essa combinação ajuda a criar uma protagonista carismática, que está tão perdida sobre o próprio mundo quanto o jogador.

E isso funciona muito bem para a proposta da aventura.

Boa localização

Giuliano Peccilli

Fading Echo já era um jogo que chamava atenção, mas sua localização em português brasileiro é a cereja do bolo.

Além da boa tradução das caixas de texto e de todo o jogo, não tem como não falar do elenco nacional que empresta suas vozes aos personagens.

Começando por Carol Valença, que traz para One um jeito moleca e bastante determinado, enquanto Guilherme Briggs coloca toda a sua presença em Maddock quando entra em cena.

A combinação de fontes que lembram quadrinhos com uma dublagem que faz com que esqueçamos que estamos jogando uma produção originalmente estrangeira mostra que Fading Echo acerta quando o assunto é falar português.

E isso é especialmente importante em um jogo que depende tanto de seus personagens e de seus diálogos para construir sua personalidade.

Vale a pena?

Giuliano Peccilli

Quando testei Fading Echo pela primeira vez durante a gamescom latam 2026, escrevi que havia potencial para uma das boas surpresas do ano.

Depois de jogar a versão final, confirmo que o jogo merece essa atenção. É uma surpresa bem-vinda e uma experiência que consegue entregar mais do que aquela primeira demonstração deixava imaginar.

Ao trazer a água como principal ferramenta de exploração e combate, Fading Echo encontra uma maneira bastante original de trabalhar elementos conhecidos do gênero. Ele não reinventa a roda, mas sabe utilizar sua principal mecânica a seu favor para contar sua história e construir seus desafios.

Com diálogos capazes de arrancar risadas e uma protagonista que pouco sabe sobre seu próprio mundo e sobre sua mãe, aprendemos junto com One enquanto avançamos pela aventura.

É justamente aí que Fading Echo mostra sua maior força. Ele é autoral na proposta, criativo sem complicar demais suas mecânicas e carismático sem precisar exagerar.

Não é necessário colocá-lo como o melhor jogo de 2026 para reconhecer o que ele faz bem. Fading Echo é uma experiência divertida, criativa e cheia de personalidade, que consegue transformar a água em muito mais do que uma habilidade especial.

E, no fim, talvez essa seja sua maior conquista: fazer com que uma ideia simples seja suficiente para carregar uma aventura inteira.

Ficha Técnica


Nota: 4,5 (de 5)

Fading Echo

Desenvolvedora: Emeteria
Publicadora: New Tales
Publicação na América Latina: CriticalLeap
Gênero: Ação e aventura em terceira pessoa
Protagonista: One
Elenco original: Samantha Béart, Jasmine Bhullar, Liam O’Brien, Laura Bailey, Sam Riegel e Matthew Mercer
Localização: Textos em português brasileiro
Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X, Xbox Series S e PC
Lançamento: 2026

Agradecimentos a CriticalLeap pela produção deste conteúdo

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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