Se te falassem de um filme que mostra um futuro próximo em que os Estados Unidos decretaram que as pessoas não podem mais transar fora do casamento, a não ser uma única vez por ano? Com um controle implantado sob a pele, a polícia precisa fiscalizar se todos estão seguindo as regras, o que transforma uma das noites do ano em um verdadeiro evento, quando tudo está liberado.
É aqui que Só por uma noite parte para uma trama em que, quando pensamos em futuro, não imaginamos que ele possa ser literalmente amanhã. O filme apresenta um mundo que passou por essa mudança recentemente e em que a população realmente espera por um único dia do ano para transar, seja casualmente ou até mesmo entre namorados.
E é aqui que conhecemos Owen (Callum Turner), que trabalha em uma pizzaria e tem uma vida que considera perfeita. Porém, justamente neste dia, ele percebe que sua namorada quer trocar uma noite de amor com ele por uma noite de sexo sem compromisso com o vizinho.
Sem casa e sem sexo, Owen decide que também quer transar com alguém neste dia. Isso dá início a uma corrida que faz com que ele esbarre diversas vezes com Allie (Monica Barbaro), uma cantora de jingles que também quer encontrar alguém para viver uma aventura sem compromisso naquela noite.
Assim que a noite é liberada, começa uma verdadeira corrida e até mesmo uma histeria coletiva, com pessoas se pegando em tudo quanto é lugar. É nesse momento que Owen esbarra com Allie pela primeira vez, mas acaba convidando uma barista para transar e se envolve em uma aventura para conseguir um preservativo. A situação lembra muito as comédias dos anos 80, como Porky’s.
No meio desses absurdos, Allie encontra um cara que parecia ser o homem perfeito, mas quase acaba presa ao descobrir que ele era, na verdade, um ladrão procurado pela polícia.
Só por uma noite, por sua vez, consegue contar sua história sem ser vulgar, mantendo o tom de comédia romântica ao acompanhar os encontros e desencontros de Owen e Allie durante uma única noite. Na tentativa de encontrar um parceiro, os dois acabam se esbarrando diversas vezes, sempre desejando boa sorte um ao outro.
E é assim que, de repente, ambos se encontram novamente, dessa vez indo para uma estranha festa. Allie encontra um cantor de quem é fã, enquanto Owen conhece a pessoa responsável por aquela festa, o que prometia finalmente uma noite feliz para os dois.
Mas será que Só por uma noite consegue terminar sem que os protagonistas realmente se conheçam?
Vale a pena?

Callum Turner e Monica Barbaro seguram o filme todo com personalidade e uma dinâmica de gato e rato, deixando claro que os dois foram feitos um para o outro. Owen e Allie se rejeitam mesmo tendo essa conexão, o que torna essa comédia romântica tão gostosa de assistir nas telonas.
Sem pesar a mão e se tornar vulgar, Só por uma noite consegue apresentar uma trama bastante original sobre um futuro totalmente conservador e sem liberdade individual, mas sem que isso soe piegas ou faça o filme ultrapassar os limites da própria proposta.
Além disso, o filme traz boas surpresas, como a atriz Molly Ringwald, que interpreta a mãe de Owen. Conhecida por ser uma das grandes protagonistas das comédias dos anos 80, Molly estrelou Clube dos Cinco, Gatinhas & Gatões e A Garota de Rosa-Shocking, clássicos que ajudaram a definir o gênero e que continuam influenciando as comédias românticas até hoje. Sua participação acaba sendo uma das surpresas mais marcantes da trama.
Mas existe, logicamente, uma grande ironia aqui: fazer de Só por uma noite um filme sobre sexo, porém sem sexo. E é justamente essa ironia que torna o longa tão gostoso e leve de assistir, enquanto acompanhamos até onde os caminhos de seus protagonistas vão se cruzar.
Com uma trama simples e sincera, Só por uma noite é uma boa surpresa e mostra, mais uma vez, que uma história em que seus protagonistas simplesmente funcionam em cena pode ser fundamental para uma boa comédia romântica.
Ficha técnica

Nota: 4,5 (de 5)
Direção: Will Gluck
Roteiro: Travis Braun
Elenco: Monica Barbaro, Callum Turner, Maya Hawke e Molly Ringwald
Fotografia: Yaron Orbach
Montagem: Tia Nolan
Música: Este Haim e Christopher Stracey
Produção: Olive Bridge Entertainment
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 102 minutos
País: Estados Unidos
Idioma: Inglês

