Quando a série original surgiu, há mais de duas décadas, Avatar: A Lenda de Aang mostrou que, nas mãos certas, uma animação criada no Ocidente poderia trazer tudo o que fascinava nas animações japonesas. Com diversas continuações em quadrinhos, Avatar Aang: O Último Mestre do Ar nos permite voltar a esse universo novamente em animação, numa mistura de nostalgia e comemoração ao ver os personagens de volta.
Mas o retorno não aconteceu sem polêmicas, com uma animação que originalmente chegaria aos cinemas, mas acabou sendo lançada apenas no Paramount+, cercada por um vazamento que antecipou sua estreia.
Dirigido por Lauren Montgomery, que trabalhou na série original e em A Lenda de Korra, o novo filme resgata pela primeira vez os personagens na fase adulta, sem recorrer aos flashbacks de Korra, mostrando que eles continuam por aí, agora adultos, assim como seu público.
A história

Treze anos se passaram desde o fim da Guerra dos Cem Anos, e Aang e seus amigos continuam trabalhando na reconstrução de um mundo que tenta superar as consequências do conflito.
Enquanto a Cidade República começa a se estabelecer como um espaço de convivência entre as diferentes nações, Aang segue dividido entre suas responsabilidades e o peso de ser o último mestre do ar.
Só que o equilíbrio desse novo mundo está prestes a mudar quando ele descobre não apenas a existência de outro mestre do ar, até então desconhecido, mas também de um antigo artefato capaz de conceder habilidades de dobra dos elementos com extrema facilidade.
Isso vem ao encontro da chegada de Sonam, um mestre do ar que também esteve preso no gelo, exatamente como Aang, mas por muito mais tempo. Sua chegada permite conhecer histórias do Avatar de sua época e descobrir mais sobre esse artefato, criado e selado há centenas de anos.
Se Aang não está mais sozinho, o artefato também poderia representar uma redenção por ele ter ficado preso durante mais de cem anos, período em que ocorreu o fim dos nômades do ar, justamente um dos acontecimentos que deram início à série original.
Mas, se trazer Sonam de volta à vida se revela um erro, a história também destaca o reencontro com Katara, Sokka, Toph e Zuko, que continuam sempre disponíveis quando é preciso salvar seu amigo Aang.
Como bons amigos que, não importa quanto tempo passe, estão sempre dispostos a ajudar, o grupo mostra que sua amizade continua intacta. E aqui está a grande sacada do filme, que não deixa o humor de lado, tão característico da série original.
Com ares de uma nova temporada, Sonam se revela o vilão do arco ao negociar com bandidos e conceder a eles habilidades de dobra do ar, além de querer destruir a Cidade República, colocando abaixo todas as conquistas de Aang nos últimos anos.
Será que ele e seus amigos conseguirão impedir esse mal?
Uma animação que amplia o universo de Avatar
É inevitável falar que o trabalho da Flying Bark Productions, com apoio do Studio Mir e do Studio Ppuri, não só resgata o estilo da animação original, como também traz novidades das produções mais recentes, mostrando uma evolução em relação à série.
Mantendo as características essenciais dos personagens, Avatar Aang: O Último Mestre do Ar traz o deslumbre de reencontrá-los, mas agora com uma animação 2D combinada à computação gráfica, entregando sequências e movimentos de câmera que a obra original nem imaginava ter.
Além disso, a trilha sonora de Jeremy Zuckerman, compositor da série original, dá justamente o tom necessário à aventura e é a cereja do bolo, conseguindo tornar tudo uma continuidade da obra original.
Porém, temos que ser francos aqui: a dublagem brasileira consegue ser até superior às vozes originais, principalmente por resgatar o elenco da série. Temos Erick Bougleux de volta como Aang, agora empregando um tom mais sério e adulto ao personagem, e isso vale para todo o elenco.
As novidades ficam para Sokka, que passa a ser interpretado por João Victor Granja, assumindo o papel do falecido Caio César, e para Toph Beifong, originalmente dublada por Ana Lúcia Menezes e que agora ganha a voz de sua filha, Bia Menezes. Uma homenagem que vem justamente ao encontro de uma obra que fala tanto sobre legado.
O roteiro de Tim Hedrick e Christopher Yost nos apresenta o tão esperado retorno de Aang e seus amigos, procurando não deixar nenhum detalhe de lado. Porém, por ser um filme e não uma série, a história precisa correr contra o tempo, fazendo com que o reencontro entre os velhos amigos aconteça de maneira rápida e oportuna.
É algo que entendemos, mas, com mais tempo de tela, provavelmente seria muito diferente. Isso faz com que o filme não consiga desenvolver todos os antigos personagens e também limita a apresentação de Sonam, que poderia ter sido mais bem explorado como o novo vilão da história.
Mas, se Aang teve novas aventuras em outras mídias, no maior estilo Star Wars, Avatar Aang: O Último Mestre do Ar, ao trazer todos os personagens juntos novamente, consegue ser um reencontro não só entre amigos, mas também com seu público, depois de tantos anos.
Lançado originalmente em 25 de julho de 2026, o filme apresenta uma qualidade de animação tão alta que não só marca o primeiro longa-metragem produzido pelo Avatar Studios, como também nos faz lamentar não poder ver uma animação tão belíssima nas telas dos cinemas.
O que não impede de curtir o filme e nos faz torcer para que Aang e seus amigos não demorem tanto tempo para retornar novamente.
Ficha técnica

Nota: 4,5 (de 5)
Avatar Aang: O Último Mestre do Ar
Disponível no Paramount+
Direção: Lauren Montgomery
Roteiro: Tim Hedrick e Christopher Yost
Criação original: Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko
Elenco de vozes: Eric Nam, Dave Bautista, Jessica Matten, Román Zaragoza, Dionne Quan, Steven Yeun, Taika Waititi, Freida Pinto e Ke Huy Quan.
Trilha sonora: Jeremy Zuckerman
Produção: Avatar Studios, Nickelodeon Movies e Paramount Pictures
Dublagem brasileira: Erick Bougleux (Aang), Luisa Palomanes (Katara), João Victor Granja (Sokka), Reginaldo Primo (Zuko), Bia Menezes (Toph) e Francisco Júnior (Tagah).

