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TV 3.0 avança no Brasil e deve ganhar novas regras ainda em 2026

Durante o SET Nordeste 2026, especialistas discutiram o futuro da televisão aberta, os desafios das emissoras regionais e o uso de inteligência artificial na produção audiovisual.

A implantação da TV 3.0 no Brasil deve ganhar novos avanços regulatórios ainda em 2026. Durante o SET Nordeste 2026, realizado em 28 de outubro, no Recife, o Ministério das Comunicações apresentou os próximos passos para a adoção da tecnologia, que promete transformar a experiência da televisão aberta ao combinar transmissão tradicional, recursos digitais e novas possibilidades de interação com o público.

O encontro reuniu representantes de emissoras, empresas de tecnologia, órgãos reguladores e profissionais do audiovisual para discutir não apenas a transição tecnológica, mas também os desafios comerciais de um setor que precisa acompanhar as mudanças no consumo de conteúdo, especialmente com o crescimento das plataformas de streaming.

Entre as novidades apresentadas, o Ministério das Comunicações informou que prepara um conjunto de normas relacionadas à implantação da TV 3.0, incluindo canais virtuais, consignação de canais e certificação de receptores. Segundo Tawfic Awwad Junior, diretor do Departamento de Inovação, Regulamentação e Fiscalização da pasta, parte dessas medidas está em fase final de tramitação, enquanto outras ainda dependem de desenvolvimento regulatório. SET PORTAL+1

O que muda com a TV 3.0?

A nova geração da televisão aberta, também conhecida como DTV+, busca aproximar a experiência da TV convencional das funcionalidades encontradas nos serviços digitais. Entre as possibilidades estão conteúdos direcionados a diferentes regiões, maior interatividade e ferramentas que permitam às emissoras desenvolver novos modelos de publicidade e distribuição.

Outra funcionalidade discutida durante o encontro envolve os sistemas de alerta de emergência, que poderão incorporar recursos de acessibilidade, como Libras e audiodescrição. Essas aplicações ainda dependem de regulamentação e desenvolvimento técnico para chegar efetivamente ao público.

Para as emissoras, entretanto, a mudança envolve investimentos em infraestrutura, revisão dos pontos de transmissão e capacitação de profissionais, especialmente nas regiões onde os custos de modernização representam um desafio maior.

Paulo Henrique Castro, presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), destacou que a tecnologia também poderá transformar a relação comercial das emissoras com seus espectadores.

Estamos colocando ferramentas que permitem trazer para a televisão modelos de negócio presentes no ambiente digital. O que vemos hoje da TV 3.0 ainda é uma pequena parte do que ela pode se tornar.

A declaração reforça uma das principais discussões do setor: como preservar a relevância da televisão aberta em um mercado cada vez mais conectado, no qual streaming, publicidade digital e consumo sob demanda disputam a atenção do público. SET PORTAL+1

Inteligência artificial já transforma as transmissões

Além da TV 3.0, a inteligência artificial ganhou espaço nas discussões sobre produção e distribuição de conteúdo. Durante o evento, emissoras nordestinas compartilharam experiências envolvendo a cobertura de grandes acontecimentos, como o Galo da Madrugada, o São João de Campina Grande e o Campeonato Pernambucano de Futebol.

Entre os exemplos apresentados, Bruno Pessoa, gerente regional de vendas da EVS, destacou a utilização de inteligência artificial nas repetições da final do Campeonato Pernambucano, em uma experiência apontada pelo executivo como pioneira no Brasil. O debate também abordou a produção remota, a integração de equipes e as possibilidades de otimizar operações durante transmissões ao vivo.

A distribuição de conteúdo em diferentes plataformas também ganhou atenção. Fausto Portella, coordenador-geral de Conteúdo da Sua Música, apresentou resultados de transmissões gratuitas em 4K de dois grandes espetáculos nordestinos, que, segundo o executivo, alcançaram mais de 42 milhões de pessoas em 2026.

Os números mostram como eventos regionais podem ampliar sua audiência para além da televisão tradicional, utilizando plataformas digitais para alcançar novos públicos e explorar outras formas de monetização.

No encerramento, o Casal REC apresentou aplicações de inteligência artificial generativa na produção audiovisual. Durante a palestra, Lucas Pkta demonstrou ferramentas capazes de transformar cenários, personagens e narrativas, mostrando como essas tecnologias já começam a modificar os processos criativos e de produção de vídeos.

Apesar das possibilidades, a discussão também destacou a importância da criatividade humana em um cenário no qual a inteligência artificial assume cada vez mais funções técnicas.

Promovido pela SET, o encontro no Recife integrou a programação regional da entidade, que acompanha o desenvolvimento tecnológico do setor audiovisual brasileiro. As discussões sobre a TV 3.0 continuam envolvendo emissoras, órgãos reguladores e empresas de tecnologia, enquanto o país prepara as próximas etapas de implantação da nova geração da televisão aberta.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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