O segundo painel do Palco Omni neste domingo, 7, colocou a Companhia das Letras no centro do debate sobre como a cultura pop vem redesenhando o mercado editorial. Fernanda Dias, Tamiris Busato e Edi Carlos Rodrigues conduziram uma conversa direta sobre mangás, HQs, romantasias e adaptações literárias, formatos que hoje funcionam como porta de entrada para um público jovem cada vez mais conectado a universos narrativos expansivos.
Mais do que tendências passageiras, os editores destacaram mudanças concretas nos hábitos de leitura. Histórias seriadas, fandoms ativos e a influência de outras mídias têm moldado a forma como leitores descobrem livros e constroem vínculo com autores e personagens.
Romances esportivos e gêneros híbridos em alta


Entre as apostas para 2025, um dos destaques foi o crescimento dos romances ligados ao esporte. Narrativas ambientadas no hóquei, no automobilismo e até na Fórmula 1 vêm ganhando espaço, dialogando com leitores que transitam entre literatura, streaming e redes sociais. A romantasia, que mistura fantasia e romance, também segue forte, consolidando um público que busca emoção, escapismo e personagens carismáticos.
Os editores ressaltaram ainda o avanço de gêneros híbridos, que cruzam ficção científica, drama e aventura, refletindo um mercado menos engessado e mais aberto a experimentações.
Lançamentos aguardados e catálogo em expansão

Durante o painel, a Companhia das Letras antecipou alguns dos títulos que devem movimentar o catálogo nos próximos meses. Entre eles estão novas edições e projetos ligados a: It, O Campo de Ouro e The Wandering Earth.
Além desses, outros lançamentos seguem em desenvolvimento e ainda estão sob sigilo, reforçando a estratégia de manter o diálogo constante com diferentes nichos da cultura pop.
Quadrinhos, autores nacionais e o desafio de prever sucessos

A conversa também passou pela dificuldade de prever o que vai se tornar fenômeno entre os fãs. Em um mercado instável, a editora reforçou o investimento contínuo em HQs, mangás e obras autorais por meio dos selos Suma HQ, Seguinte e JBC. Segundo Fernanda Dias, o plano é equilibrar projetos estrangeiros com a valorização da literatura brasileira, ampliando a diversidade de vozes e estilos.
Esse movimento reflete uma aposta clara em autores nacionais que dialogam com temas contemporâneos e com a linguagem do público jovem, sem abrir mão de qualidade editorial.
CCXP como termômetro do mercado editorial

Para Edi Carlos Rodrigues, a CCXP funciona como um grande termômetro desse cenário. O contato direto com leitores, fãs e criadores ajuda a entender para onde o mercado caminha e quais universos despertam mais interesse. A expectativa, segundo ele, é de um volume ainda maior de novidades nos próximos anos, impulsionado por eventos que aproximam literatura, quadrinhos, games e audiovisual.
Ao ocupar o Palco Omni com uma discussão franca sobre tendências e desafios, a Companhia das Letras deixou claro que o livro segue vivo no coração da cultura pop, se reinventando para dialogar com novas gerações de leitores.


