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Crítica | Em busca da herança, “Manual Prático da Vingança Lucrativa” traz cinismo e humor na medida

Nova produção da A24, Manual Prático da Vingança Lucrativa é o novo filme com Glen Powell, dirigido e roteirizado por John Patton Ford. Inspirado livremente em As Oito Vítimas, o longa atualiza a briga por herança com toques britânicos e com uma roupagem atualizada, mas sem deixar de lado o cinismo e, por que não, a elegância.

Com um plot clássico, a grande sacada aqui foi atualizar onde precisava ser atualizado, mantendo o tom pitoresco de obras do gênero, que não são comuns hoje em dia.

Trazendo Glen Powell no papel de Becket Redfellow, que decide ir atrás da fortuna que era de sua mãe, Manual Prático da Vingança Lucrativa é o famoso fazer “justiça com as próprias mãos”.

Mas será que tudo isso dará certo?

A história

Aqui, Manual Prático da Vingança Lucrativa já entrega nos primeiros minutos do filme que algo deu errado. Becket Redfellow está preso, condenado à pena de morte, e um padre vem para ter uma última conversa com ele.

Sem arrependimentos e com senso de justiça, Becket conta sua história para o padre e para o público. É aqui que entendemos que sua mãe, Mary Redfellow, ficou grávida após ser expulsa pelo próprio pai, tendo que se virar como mãe solo.

Becket cresceu sabendo que foi criado da maneira certa, mas vivendo da maneira errada. Ele ouviu por sua vida toda que era dono de uma fortuna de bilhões, com iates, ilhas, propriedades e diferentes empresas. Seu avô deixou um testamento que não pode ser alterado e, por isso, o último dos Redfellow terá acesso a toda a fortuna.

É aqui que vemos que Becket cresceu entre os melhores. Ele se apaixonou pela jovem Julia Steinway (Margaret Qualley) ainda quando crianças, mas as dificuldades o fizeram seguir outro caminho.

Com a mãe no hospital, ele faz um juramento de lutar pelo que é seu de direito. A morte de Mary Redfellow ainda tem um agravante: a família ignorou o pedido de enterrá-la no mausoléu da família. São marcas que Becket carrega consigo, mesmo ainda tentando seguir o caminho “correto da vida”.

O ponto de virada

Julia encontra Becket trabalhando em uma loja de ternos e questiona como está sua luta pela fortuna dos Redfellow. Casada, ela brinca que espera notícias quando a família começar a morrer por aí.

Podemos dizer que esse é o pontapé inicial para Becket entender que terá que ir atrás dos herdeiros. É aqui que ele traça, pela primeira vez, que além dele existem sete Redfellow, sendo fácil monitorar e entender como funciona cada um deles.

Ele parte atrás de Taylor Redfellow, primo que esbanja dinheiro e promove grandes festas. Becket reluta muito em saber se é capaz de eliminar seus familiares, mas com Taylor bêbado, ele o amarra a uma âncora, matando-o afogado.

Becket mostra que não só é fácil eliminar os Redfellow, como também marca o início de uma jornada em que ele sempre aparece nos enterros da família. Isso o ajuda a conhecer Warren Redfellow, tio de Taylor, que vê Becket como uma forma de compensar a perda de contato com sua irmã Mary.

Becket começa a trabalhar com Warren na bolsa de valores, entendendo que os ricos não têm salários, mas que são pessoas como ele que ganham dinheiro para os ricos investirem e terem rentabilidade.

O padre pergunta por que, mesmo tendo um bom trabalho e a compaixão do tio, ele continua com a vingança, mas Becket não demonstra arrependimento algum.

Enquanto isso, Julia passa a cercá-lo, percebendo que ele subiu profissionalmente. Mesmo casada, ela se aproxima, deixando claro que sua fome é por poder, e não por paixão.

Mas o que será que deu realmente errado para Becket acabar atrás das grades?

Opinião

Seguindo o tom de filmes clássicos de espionagem e de descobrir quem é o assassino, em Manual Prático da Vingança Lucrativa o mistério está em quem cerca Becket.

Com tons que lembram Ponto Final: Match Point, o protagonista tenta a todo custo fazer seu plano dar certo sem despertar suspeitas. Becket chega a ser interrogado pelo FBI, fingindo não saber da existência do testamento. Seu crescimento profissional, somado a uma morte atrás da outra, levanta suspeitas sobre o membro mais pobre da família, mas ele se safa de todas as perguntas.

Com duas horas de duração, Manual Prático da Vingança Lucrativa apresenta cada Redfellow, passando pelo rico mimado, o pastor de igreja, o artista não compreendido, o piloto de avião, entre tantos outros, que nos fazem questionar se Becket não está certo em lutar pelo que é seu.

Existe um questionamento que lembra o dilema de Thanos em Vingadores: Guerra Infinita, sobre matar metade da humanidade pelo bem do universo. Sabemos que muitas vezes as pessoas não têm vidas justas, mas, se no cinema podemos julgar, talvez não caiba a nós analisar ou decidir o destino dos Redfellow.

Como a história deixa claro, Julia permanece em cima de Becket, tentando descobrir se é ele quem está eliminando os herdeiros. Ela não quer sujar as mãos, mas fica evidente que quer se aproveitar de quem as sujou.

Com um elenco afiado e entregando boas atuações, Manual Prático da Vingança Lucrativa não só é divertido, como entrega uma ótima história sobre até onde tudo pode chegar. Com diversos momentos cínicos e humor na medida certa, fica a dúvida de como Becket conseguirá se safar da própria jornada.

Ficha técnica

Nota: 5 (de 5)

Manual Prático da Vingança Lucrativa

Direção e roteiro: John Patton Ford

Elenco: Glen Powell, Margaret Qualley, Jessica Henwick, Bill Camp, Zach Woods, Topher Grace, Ed Harris

Produção: Blueprint Pictures

Trilha sonora: Emile Mosseri

Duração: 105 minutos

Distribuição: Diamond Films

Estreia: 26 de fevereiro

Agradecimentos a Diamond Films e a Sinny pelo convite para produção deste conteúdo

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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