O documentário Apolo foi selecionado para a programação oficial do SXSW 2026, onde terá sua première internacional. A exibição marca um novo passo na trajetória do longa, que já havia se destacado no circuito nacional ao conquistar quatro prêmios importantes em festivais brasileiros.
Antes de cruzar fronteiras, Apolo foi apresentado no Festival do Rio, onde venceu as categorias de Melhor Longa Metragem Documentário e Melhor Trilha Sonora Original, assinada por Plínio Profeta. O filme também foi reconhecido no 33º Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade, recebendo o Coelho de Prata, prêmio do público de Melhor Longa Nacional, além de uma menção honrosa do júri.

Um retrato íntimo sobre família e resistência
O documentário acompanha a gestação de Apolo dentro de uma família transcentrada, formada por Isis Broken e Lourenzo Gabriel. A narrativa parte de uma experiência íntima para refletir sobre temas mais amplos, como parentalidade trans, afetos e as tensões entre vivências pessoais e uma sociedade ainda pouco preparada para lidar com essas configurações familiares.
Ao longo do filme, o corpo, o cuidado e o afeto surgem como elementos centrais de resistência. A gravidez, longe de ser tratada apenas como evento biológico, torna se ponto de partida para discutir identidade, pertencimento e o direito à existência fora de modelos normativos.
Estreia na direção e gesto autoral
Apolo marca a estreia de Tainá Müller na direção de longas metragens. Com carreira consolidada como atriz no cinema e na televisão, Müller retoma uma relação anterior com o audiovisual, agora sob um viés mais autoral, construindo um filme que se apoia na escuta, na observação e na delicadeza do registro.
Para Isis Broken, que também estreia na direção, o processo foi atravessado por desafios emocionais e políticos. Expor a própria família, segundo ela, significou enfrentar preconceitos, mas também afirmar a importância de visibilizar experiências que raramente ocupam o centro da narrativa no cinema brasileiro.
Reconhecimento internacional em contexto simbólico
A seleção para o SXSW acontece em um momento significativo para o cinema brasileiro, que vem ampliando sua presença em festivais internacionais. Fundado em 1987, o evento realizado em Austin, no Texas, é reconhecido por cruzar cinema, música, tecnologia e cultura, funcionando como uma vitrine estratégica para produções independentes e discursos contemporâneos.
Produzido pelas produtoras Capuri, Puro Corazón e Biônica Filmes, que também assina a distribuição, Apolo chega ao SXSW como um filme que articula intimidade e política sem recorrer a discursos didáticos, apostando na força do afeto como linguagem cinematográfica.
A edição 2026 do SXSW acontece entre 12 e 18 de março, período em que Apolo terá sua première internacional, ampliando o alcance de um documentário que já se consolidou como uma das obras mais relevantes do cinema brasileiro recente.


