O documentário Cheiro de Diesel realiza uma sessão especial de estreia em São Paulo nesta quarta-feira, 2 de abril, no Espaço Petrobras Augusta. A exibição, marcada para 21h, será seguida de debate com as diretoras Natasha Neri e Gizele Martins, além de convidadas que atuam na defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão.
Distribuído pela Descoloniza Filmes, o longa estreia nacionalmente na mesma data e se insere em um circuito de documentários recentes que investigam violência de Estado e seus desdobramentos sociais.
Relatos diretos estruturam narrativa sobre ocupações militares
O filme parte de depoimentos de moradores de regiões como Maré, Penha e Morro do Salgueiro, no Rio de Janeiro, para examinar os efeitos das operações militares realizadas durante eventos como a Copa do Mundo FIFA de 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016.
As ações, conduzidas sob operações de Garantia da Lei e da Ordem, são apresentadas a partir de experiências cotidianas, incluindo invasões de residências, abordagens constantes e episódios de violência. O título do filme remete a um elemento recorrente nesses relatos: o cheiro do diesel dos veículos militares, associado à memória dessas operações.
Segundo as diretoras, o foco está menos no evento pontual e mais na permanência dos efeitos. Os depoimentos apontam traumas que seguem presentes anos depois das ocupações.
Debate amplia discussão para comunicação e justiça
Após a sessão, o debate reúne nomes ligados à defesa de direitos e à proteção de comunicadores. Participam Maria Tranjan, da Artigo 19, e Barbara Bergamine, vinculada ao Instituto Vladimir Herzog e à Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores. A mediação será do jornalista Ronaldo Matos.
A proposta é conectar os temas do filme a discussões contemporâneas sobre acesso à informação, responsabilização e limites da atuação estatal em territórios periféricos.
Produção articula memória e denúncia
Cheiro de Diesel é uma produção da Amana Cine e da Baracoa Filmes, com coprodução do Canal Brasil e apoio da RioFilme.
O projeto nasce a partir de pesquisas e acompanhamento de casos de violência de Estado, reunindo relatos de famílias que ainda buscam reparação. Parte desses processos tramita na justiça militar, o que, segundo o filme, dificulta o acesso à informação e a responsabilização.
A diretora Gizele Martins, nascida na Maré, incorpora ao projeto uma dimensão pessoal, enquanto Natasha Neri traz a experiência acumulada em trabalhos anteriores sobre justiça criminal, como Auto de Resistência.
O longa foi exibido em festivais como o Festival do Rio, onde recebeu o Prêmio Especial do Júri e o prêmio de Melhor Documentário pelo voto popular.
Disponibilidade

Cheiro de Diesel estreia nos cinemas brasileiros em 2 de abril. Em São Paulo, a sessão especial com debate acontece às 21h no Espaço Petrobras Augusta, com ingressos disponíveis no site oficial do cinema.


