O LatAm Content Meeting encerrou sua segunda edição em São Paulo após três dias de programação intensa, reunindo mais de 800 profissionais de 20 países. Voltado ao mercado de não-ficção, o evento confirmou sua próxima edição para 2027 e consolidou a capital paulista como um polo estratégico de negócios audiovisuais.
Mercado em foco e presença global
Com participação de produtores independentes, distribuidores e executivos de canais e plataformas, o encontro contou com cerca de 80 tomadores de decisão internacionais. A proposta foi clara: acelerar conexões e viabilizar projetos, com centenas de reuniões one-to-one e sessões de pitching ao longo da programação.
A parceria com o Sunny Side of the Doc reforçou esse posicionamento, trazendo curadoria internacional para os projetos apresentados.
Premiação destaca documentário ambiental
Entre os 18 projetos selecionados, o destaque ficou para Herança, dirigido por Ana Aranha e produzido por Mariana Genescá. O documentário acompanha a trajetória da filha de um ativista ambiental assassinado após denunciar os impactos de agrotóxicos, refletindo uma tendência forte do mercado: histórias reais com impacto social.
Coprodução e audiência no centro do debate
Os painéis reforçaram dois eixos principais do mercado atual: coprodução internacional e construção de audiência.
Discussões mostraram como parcerias entre países ampliam alcance e viabilidade financeira dos projetos, enquanto executivos de canais como BBC e Canal Brasil destacaram os desafios de manter relevância em um cenário fragmentado e politicamente sensível.
Outro ponto recorrente foi a necessidade de entender o público desde o desenvolvimento, não apenas na distribuição, especialmente diante das mudanças de consumo impulsionadas pelo streaming.
Tendências: verticalização, IA e conteúdo global
Ao longo dos três dias, o evento mapeou tendências claras:
- crescimento do consumo em formato vertical
- uso estratégico de redes sociais como termômetro criativo
- expansão do true crime e narrativas baseadas em fatos reais
- impacto da inteligência artificial na cadeia produtiva
Apesar do avanço tecnológico, o consenso foi direto: a tecnologia acelera processos, mas não substitui a autoria.
Brasil como exportador de conteúdo
O evento também reforçou um movimento estratégico: transformar o Brasil em exportador de propriedade intelectual. Parcerias com mercados como França e Nova Zelândia já estão avançadas, enquanto negociações com países como Índia e Coreia do Sul seguem em andamento.
Com apoio de instituições como BNDES e Spcine, o encontro reforça a leitura do audiovisual como indústria, não apenas como produção cultural.


