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Brasil vira potência do streaming e artistas já faturam R$ 2 bilhões no Spotify

Relatório do Spotify mostra crescimento do mercado brasileiro, explosão do funk no exterior e avanço de artistas independentes

O Spotify divulgou a edição 2026 do Loud & Clear, relatório anual que tenta explicar para onde está indo o dinheiro do streaming musical. E os números mostram uma coisa com bastante clareza: o Brasil deixou de ser apenas “mercado promissor” para virar peça importante na indústria global da música.

Pela primeira vez, o país entrou no Top 8 maiores mercados musicais do mundo, segundo dados da IFPI. O streaming teve papel central nisso. Hoje, 87% da receita da música gravada no Brasil vem das plataformas digitais.

E o consumo local ajuda a explicar o fenômeno. Em 2025, 84% das músicas presentes no Top 50 diário do Spotify Brasil eram de artistas brasileiros, um dos índices mais altos de representação nacional no planeta.

Enquanto boa parte do mundo ainda discute invasão estrangeira nas paradas, o Brasil aparentemente respondeu com um “deixa que a gente mesmo domina isso aqui”.

Artistas brasileiros movimentaram R$ 2 bilhões na plataforma

Segundo o relatório, artistas brasileiros geraram cerca de R$ 2 bilhões apenas no Spotify em 2025, crescimento de 24% em relação ao ano anterior.

O número de artistas que ultrapassaram R$ 1 milhão em receita dentro da plataforma dobrou nos últimos três anos. Já os músicos que passaram da marca de R$ 5 milhões praticamente triplicaram desde 2022.

O dado mais relevante talvez esteja no crescimento da cena independente. O relatório aponta que artistas independentes representam uma fatia de royalties acima da média global no Brasil, indicando um mercado menos concentrado em grandes gravadoras.

Isso ajuda a explicar por que tantos nomes surgem rapidamente no país, especialmente em gêneros urbanos.

O Spotify também destacou o impacto de programas de descoberta da própria plataforma, como o RADAR. Um dos exemplos citados foi Veigh, que saiu de cerca de 400 mil ouvintes mensais em 2022 para mais de 7,8 milhões atualmente.

Seu álbum Dos Prédios Deluxe chegou ao topo do Spotify Global Top Albums Debut.

Funk brasileiro cresce mais que K-Pop e reggaeton

O relatório mostra também que o português virou um dos idiomas de crescimento mais acelerado dentro da plataforma.

Entre os idiomas que geraram mais de US$ 100 milhões em royalties no Spotify, o português foi o que mais cresceu em 2025, superando inglês, espanhol e coreano.

E boa parte disso vem do funk brasileiro.

Segundo os dados, o funk foi o gênero musical de maior crescimento global no Spotify em 2025, com alta de 36%, acima de K-Pop, trap latino e reggaeton.

É uma mudança relevante porque, durante muito tempo, o funk brasileiro circulava quase exclusivamente no mercado local. Agora começa a ocupar espaço internacional de forma mais consistente, especialmente em playlists globais e vídeos curtos.

O relatório também aponta que artistas brasileiros acumularam quase 340 bilhões de reproduções ao longo do ano.

Streaming muda lógica da indústria musical

O Loud & Clear tenta defender uma narrativa importante para o Spotify: a ideia de que o streaming ampliou o número de artistas capazes de viver de música.

Segundo a empresa, mais de 13 mil artistas no mundo geraram acima de US$ 100 mil apenas na plataforma em 2025. Mais de 1.500 ultrapassaram US$ 1 milhão.

Outro dado relevante mostra como o mercado se tornou mais globalizado. Hoje, mais da metade dos royalties de muitos artistas vem de fora de seus países de origem poucos anos após o início da carreira.

Na prática, isso significa que um artista pode surgir em qualquer lugar, viralizar em playlists, TikTok, Reels ou vídeos curtos e construir público internacional sem depender necessariamente do circuito tradicional da indústria.

Claro que a discussão sobre remuneração no streaming continua existindo. Mas os números deixam claro que a lógica do mercado musical mudou de vez.

E talvez o exemplo mais simbólico disso seja justamente o funk brasileiro disputando espaço global com K-Pop enquanto artistas independentes transformam playlists em carreira sustentável.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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