InícioFilmesYõg Ãtak: Meu pai, Kaiowá | Documentário dirigido por Sueli Maxakali estreia...

Yõg Ãtak: Meu pai, Kaiowá | Documentário dirigido por Sueli Maxakali estreia nesta quinta-feira (10)

Estreia nesta quinta-feira, 10 de julho, nos cinemas brasileiros, Yõg Ãtak: Meu pai, Kaiowá, documentário que se impõe como uma das obras mais potentes do cinema indígena contemporâneo. Dirigido por Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna, o longa narra a jornada de reencontro entre Sueli e seu pai, Luiz Kaiowá, separados desde os primeiros meses de vida em razão das políticas do regime militar brasileiro.

A narrativa parte de um trauma coletivo e íntimo. Luiz, indígena guarani kaiowá, foi retirado à força de seu território tradicional, Ka’aguyrusu (MS), nos anos 1960, e levado com outros parentes por agentes do antigo SPI e da Funai até Minas Gerais. Lá, viveu entre os Tikmũ’ũn (Maxakali), teve duas filhas — Maísa e Sueli — e, após mais de 15 anos, foi reconduzido de volta ao Mato Grosso do Sul, sem conseguir manter contato com a família que deixava para trás.

Décadas depois, com o acesso à internet nas aldeias e o fortalecimento das articulações políticas entre povos indígenas, Sueli localiza o pai com ajuda de primas, e começa a documentar essa busca. O filme nasce desse impulso: da escuta entre dois mundos, do desejo de recuperar laços, da força dos encantados que atravessam a vida dos Maxakali e Kaiowá.

Yõg Ãtak: Meu pai, Kaiowá não é uma tentativa de reconstrução factual, mas um retrato sensível de um reencontro mediado por palavras, cantos, telefonemas e imagens. Em fevereiro de 2019, Luiz recebe uma vídeo-carta das filhas. Apenas em 2022, uma delegação Maxakali consegue cruzar os mais de 1800 km até as terras indígenas Panambi-Lagoa Rica, Panambizinho e Laranjeira Ñanderu, para reencontrá-lo — hoje, um dos mais respeitados xamãs de seu povo.

O documentário é falado em maxakali, guarani kaiowá e português, atravessado por cantos e rituais. A estrutura do filme respeita os tempos de cada território, seus silêncios, pausas e gestos. Como define a diretora Luisa Lanna: “O espectador aprende a ver o filme enquanto assiste — um aprendizado que se dá pela escuta, pela duração dos planos, pelas formas de elaboração da palavra.”

A obra é resultado de uma produção coletiva, envolvendo diversos cineastas indígenas, como Alexandre Maxakali (fotografia), Michele e Daniela Kaiowá (assistência de direção e fotografia), além da própria Sueli Maxakali. Filmado em aldeias dos dois povos, o longa também documenta os cotidianos e as lutas de seus habitantes, reafirmando os vínculos entre cinema, território e ancestralidade.

Premiado com melhor direção no 57º Festival de Brasília e com menção honrosa na 14ª Mostra Ecofalante, Yõg Ãtak: Meu pai, Kaiowá foi também exibido na Mostra de Cinema de Tiradentes e no Festival de Cachoeira. A crítica especializada reconheceu sua força narrativa e estética. O Coletivo Crítico destaca que “a imagem é crua, precária, mas transborda afeto e um caráter enigmático que cativa”. Já o Papo de Cinema observa que o filme “marca uma tendência positiva do cinema brasileiro recente: histórias de alto valor para os povos indígenas contadas por eles mesmos.”

Distribuído pela Embaúba Filmes, o documentário entra em cartaz em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador, Brasília, João Pessoa, Maceió, Vitória, Balneário Camboriú, Poços de Caldas e outras, ampliando a circulação do cinema indígena no circuito comercial.

Yõg Ãtak: Meu pai, Kaiowá traz uma travessia entre perdas, encontros e resistências que continua reverberando muito além da tela e estreia nesta quinta-feira, 10 de julho.

Trailer

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Últimas