As filmagens de Corações Naufragados chegaram ao fim no último dia 6 de novembro, marcando o encerramento de um projeto ambicioso da WG Produções, sob direção de Caco Souza (Atena, O Faixa Preta, Solteira Quase Surtando). O longa traz um olhar cinematográfico sobre um dos capítulos mais sombrios e pouco explorados da história brasileira: os ataques do submarino alemão U-507 à costa sergipana em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial.
Com roteiro e produção executiva de Cacilda de Jesus (Velho Chico, a alma do povo Xokó), o filme foi rodado em locações históricas de Sergipe — incluindo o Convento São Francisco, em São Cristóvão, o Palácio Carvalho Neto e o Palácio-Museu Olímpio Campos, em Aracaju, além da Praia do Saco, em Estância, onde os náufragos reais foram resgatados há mais de 80 anos.
Um elenco de peso em uma história de amor e resistência

No elenco, nomes consagrados da dramaturgia brasileira se unem a artistas locais. Olivia Torres (Ainda Estou Aqui, Totalmente Demais) e William Nascimento (Anderson Spider Silva) interpretam os protagonistas Lucinda Camargo e Capitão Francisco da Silva, que vivem uma paixão intensa em meio à repressão política do Estado Novo e aos horrores da guerra.
Com eles estão Wagner Santisteban, Dalton Vigh, Daniel de Oliveira, Gabi Britto, Mina Nercessian, Leonardo Medeiros, Domingos Antônio e Anne Samara, além de um grande elenco sergipano, reunindo mais de 40 atores da região.
“Fazer parte de Corações Naufragados foi mergulhar em um momento importante da nossa história. Filmar em Sergipe e trabalhar com artistas locais foi uma experiência única”, comentou Wagner Santisteban.
A atriz Gabi Britto, sergipana, também destacou o impacto de ver seu estado retratado nas telas:
“Ver Sergipe como cenário no cinema e poder contar essa história é uma realização pessoal e profissional. Espero que o público se emocione e reconheça esse capítulo esquecido do nosso passado.”
Entre o mar, a guerra e o coração
Ambientado entre Rio de Janeiro e Sergipe, o longa acompanha Lucinda, uma jovem jornalista que escreve sob pseudônimo masculino e desafia o regime Vargas ao revelar sua identidade. Ao lado de Francisco, ela se torna parte da resistência contra o avanço nazista no Brasil. O destino dos dois se cruza com os torpedeamentos de navios brasileiros, que deixaram mais de 600 civis mortos e levaram o país a declarar guerra ao Eixo.
Corações Naufragados promete unir drama histórico e romance em uma trama que mistura paixão, coragem e memória nacional — um tipo de narrativa rara no cinema brasileiro contemporâneo.
Sergipe no mapa do cinema nacional
A produção contou com apoio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA/BRDE) e deve circular por festivais nacionais e internacionais antes de chegar aos cinemas brasileiros em 2026. Além de revisitar um episódio histórico, o longa reafirma o potencial de Sergipe como polo de produção audiovisual no Nordeste.
Com fotografia de Hamilton Oliveira, direção de arte de Bernardo Zortea e figurinos de Vitor Pedroso, o filme promete um retrato visualmente impactante do Brasil dos anos 1940.
Da história real ao cinema

Os ataques do submarino U-507, ocorridos em agosto de 1942, resultaram no afundamento de cinco navios brasileiros no litoral nordestino, levando à morte de centenas de civis e precipitando a entrada do Brasil na guerra. Pouco lembrado fora dos livros de história, o episódio agora ganha vida nas telas sob um olhar humano e poético.
Ficha técnica
Título: Corações Naufragados
Direção: Caco Souza
Roteiro e Produção Executiva: Cacilda de Jesus
Elenco: Olivia Torres, William Nascimento, Wagner Santisteban, Gabi Britto, Dalton Vigh, Daniel de Oliveira, Mina Nercessian, Leonardo Medeiros, Domingos Antônio e Anne Samara
Produção: WG Produções
Gênero: Romance / Drama Histórico
Estreia: 2026 – exclusivamente nos cinemas


