A ilustradora italiana Elena Casagrande, um dos nomes mais respeitados dos quadrinhos atuais, levou o público do Palco Omni a uma conversa honesta sobre trajetória, influências e reinvenção criativa durante a CCXP. Conhecida principalmente pelo trabalho em Viúva Negra, a artista revisitou o início da carreira ainda na infância, período em que os animes exibidos na Itália tiveram papel decisivo na sua formação visual e narrativa.
Segundo Casagrande, esse contato precoce com a animação japonesa ajudou a moldar seu olhar para movimento, ritmo e composição, elementos que seguem presentes em suas páginas até hoje. Mais do que uma referência estética, os animes funcionaram como porta de entrada para entender como emoção e ação podem coexistir de forma fluida na narrativa gráfica.
Viúva Negra, parcerias e um momento de virada
Durante o painel, Elena também comentou sobre a cocriação com Kelly Thompson em Viúva Negra, parceria que marcou um ponto de virada em sua carreira. O convite surgiu em um período pessoalmente desafiador, logo após a maternidade, e acabou se tornando um processo de reconstrução profissional e criativa.
Ela destacou como a confiança mútua entre roteirista e artista foi essencial para experimentar novas soluções visuais, buscando sempre manter a leitura dinâmica e imprevisível. A ideia, segundo Casagrande, nunca foi repetir fórmulas, mas encontrar algo novo a cada edição.
Técnica, movimento e o legado de Gianni De Luca
Ao falar de processo criativo, Elena citou diretamente o Efeito De Luca, técnica desenvolvida pelo italiano Gianni De Luca que cria a sensação de passagem de tempo e movimento dentro de uma única página. Essa abordagem foi uma das referências centrais para a estética da série, permitindo cenas mais fluidas e cinematográficas sem perder clareza narrativa.
“Eu não queria entediar meus leitores, então em cada edição eu buscava algo diferente”, comentou a artista, reforçando a importância de pensar a página como um espaço vivo, onde o olhar do leitor é guiado de forma quase coreografada.
Pausa, reflexão e um projeto autoral no horizonte
Atualmente, Casagrande revelou estar trabalhando em um ritmo mais contido. O foco agora é reorganizar ideias, retomar hábitos criativos e absorver novas referências fora da rotina intensa da indústria. Esse momento de desaceleração, segundo ela, é essencial para não perder o prazer de criar.
Antes de encerrar o painel, a artista deixou no ar uma expectativa que animou os fãs presentes: a existência de um projeto autoral guardado há anos. “Depois de anos, eu ainda gosto dessa história e acredito que os leitores vão gostar também”, afirmou. Sem detalhes revelados, a fala foi suficiente para indicar que um novo capítulo da carreira de Elena Casagrande pode estar mais próximo do que parece.
A passagem da artista pela CCXP reforçou não apenas seu peso criativo no mercado internacional, mas também a importância de revisitar origens, aceitar mudanças e seguir experimentando, mesmo depois de alcançar reconhecimento global.


