Durante muito tempo, a imagem do jogador latino-americano esteve associada aos consoles e aos computadores. No entanto, os números mais recentes indicam uma mudança importante nesse cenário. Segundo dados da Pesquisa Game Brasil Latam (PGB Latam), apresentados durante a gamescom latam 2026, o smartphone consolidou sua posição como a principal plataforma de jogos na região.
Mais do que uma simples preferência tecnológica, o avanço do mobile ajuda a explicar transformações no perfil do público, nos hábitos de consumo e até nas discussões sobre o futuro da indústria.
A Geração Z lidera uma nova fase do mercado
Realizada com 7.202 participantes da Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru, a pesquisa identificou que a Geração Z representa 47,5% dos jogadores latino-americanos.
Nascidos em um contexto de ampla conectividade digital, esses consumidores enxergam o celular não apenas como uma ferramenta de comunicação, mas também como uma plataforma natural para entretenimento. O resultado é um mercado cada vez mais acessível e diversificado, impulsionado pela popularização dos smartphones na região.
Apesar da liderança do mobile, a pesquisa também aponta crescimento do interesse por PCs (17,5%) e consoles (19,5%), especialmente em países como Argentina e Peru.
Mulheres impulsionam o crescimento do mobile
Os dados também ajudam a desmontar estereótipos ainda presentes no universo dos games. Entre as mulheres entrevistadas, 62,7% apontaram o smartphone como plataforma favorita, evidenciando a importância do público feminino para o crescimento do segmento mobile.
Ao mesmo tempo, o estudo registrou um aumento da presença feminina nos computadores, com 40,9% das jogadoras demonstrando preferência pelo PC.
Entre os homens, os consoles continuam liderando, com 61,8% da preferência, reforçando que diferentes plataformas coexistem para atender perfis variados de jogadores.
IA e preços também preocupam os jogadores
Além dos hábitos de consumo, a pesquisa investigou a percepção do público sobre temas que vêm ganhando espaço na indústria.
Entre os entrevistados, 40,6% demonstraram preocupação com a perda de empregos e a precarização do trabalho criativo em função do uso da inteligência artificial no desenvolvimento de jogos. Outros 36,2% citaram receios relacionados ao uso indevido do trabalho de artistas, enquanto 35,8% acreditam que a IA pode comprometer a qualidade e a identidade dos games.
Ao mesmo tempo, a maioria dos jogadores parece adotar uma postura pragmática em relação aos lançamentos. Segundo o levantamento, 25,8% afirmam esperar promoções antes de adquirir novos títulos, enquanto apenas 17,5% mantêm o hábito de comprar jogos no lançamento, geralmente quando há algum benefício adicional.
Os números reforçam que o jogador latino-americano está longe de formar um grupo homogêneo. Mais conectado, diverso e atento às transformações do setor, esse público continua desempenhando um papel decisivo no crescimento da indústria de games na região.


