O cinema francês começa 2026 olhando para o próprio passado. Eu, Que Te Amei chega ao circuito brasileiro nesta quinta-feira, 1º de janeiro, trazendo uma leitura íntima e nada idealizada do relacionamento entre Simone Signoret e Yves Montand, um dos casais mais emblemáticos da história do cinema europeu. Dirigido por Diane Kurys e distribuído pela Autoral Filmes, o longa aposta menos no glamour e mais nas contradições que sustentaram três décadas de amor, desgaste e permanência.
Uma história de amor longe da idealização
A premissa do filme parte de uma frase que resume bem a dinâmica do casal: ela o amava mais do que tudo, ele a amava mais do que todas as outras. Assombrada pela relação de Montand com Marilyn Monroe e por sucessivas infidelidades, Simone Signoret nunca aceitou o papel de vítima. É a partir dessa recusa que Kurys constrói sua narrativa, interessada não no começo arrebatador do romance, mas no seu período final, quando amor e ruína passam a coexistir.
Marina Foïs vive Signoret com intensidade contida, explorando a força e a vulnerabilidade da atriz francesa sem recorrer a caricaturas. Roschdy Zem assume o papel de Yves Montand com uma abordagem igualmente humana, distante da lógica tradicional das cinebiografias que resumem trajetórias a sucessos e quedas. Aqui, o foco está no afeto que resiste mesmo quando tudo parece desmoronar.
Diane Kurys e o fascínio pelos contrastes
Conhecida por filmes que exploram relações femininas e memórias afetivas, Diane Kurys encontrou em Simone Signoret o ponto de partida ideal. Para a diretora, são as sombras que definem os contornos de um grande personagem. O roteiro, escrito ao longo de cerca de cinco anos em parceria com Martine Moriconi e Sacha Sperling, reflete esse olhar cuidadoso, interessado mais em perguntas do que em respostas definitivas.
Por que eles continuam juntos apesar das traições? O que mantém esse vínculo ativo mesmo quando o amor parece ferido demais para sobreviver? Essas questões atravessam o filme e ajudam a transformar Eu, Que Te Amei em um estudo sobre permanência, orgulho e desejo.
Elenco, trilha e reconhecimento internacional
Além de Foïs e Zem, o elenco conta com Thierry de Peretti, Vincent Colombe e Raphaëlle Rousseau. A trilha sonora é assinada por Philippe Sarde, nome marcante do cinema francês e responsável por trabalhos como A Guerra do Fogo. O filme teve sua première mundial na seleção Cannes Classics do Festival de Cannes de 2025, reforçando seu diálogo direto com a história do cinema.
Onde assistir Eu, Que Te Amei no Brasil
O longa estreia comercialmente em salas de Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Maceió, Porto Alegre, Recife, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo e Vitória. A relação completa de praças de exibição está disponível no Instagram da distribuidora, no perfil @autoral_filmes.
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Pôster

Um filme sobre o que fica quando o amor não acaba
Mais do que um retrato biográfico, Eu, Que Te Amei propõe um mergulho em um relacionamento marcado por contradições, orgulho e afeto persistente. Para fãs de cinema, o longa funciona como homenagem a duas lendas e, ao mesmo tempo, como um lembrete de que grandes histórias de amor raramente são simples.

