Com estreia marcada para 5 de fevereiro, Zafari acaba de ganhar trailer e se apresenta como uma das obras latino-americanas mais inquietantes do início de 2026. Dirigido pela cineasta venezuelana Mariana Rondón (Pelo Malo), o longa mistura suspense e terror para construir uma poderosa metáfora sobre colapso social, fome e desumanização.
A produção conta com coprodução brasileira da Klaxon Cultura Audiovisual e chega aos cinemas do Brasil com distribuição da Vitrine Filmes.
Uma fábula distópica sobre fome e ruptura social
Ambientado em uma Caracas à beira do colapso, Zafari imagina um mundo onde a escassez extrema de alimentos, água e energia dissolve as regras sociais. Nesse cenário, a fome passa a transformar pessoas comuns em figuras cada vez mais selvagens, guiadas apenas pela sobrevivência.
A narrativa se organiza em torno de um elemento simbólico poderoso: a chegada do hipopótamo Zafari a um pequeno zoológico da cidade. Em meio à miséria generalizada, ele se torna o único ser bem alimentado, despertando fascínio, revolta e desejos perigosos em uma população privada do básico.
Duas famílias, um mesmo abismo
O filme acompanha duas famílias de classes sociais opostas. De um lado, uma família rica que perdeu seus privilégios e observa o mundo ruir do apartamento de um condomínio decadente. Do outro, uma família pobre que decide não se submeter mais às normas sociais. Entre corredores escuros, ruídos estranhos e ameaças invisíveis, o cotidiano se transforma em puro terror psicológico.
Para Mariana Rondón, contar a história como uma fábula distópica foi essencial. A diretora provoca o espectador com uma pergunta direta: até onde seríamos capazes de ir se tudo isso acontecesse conosco? Ainda conseguiríamos sustentar valores éticos ou sucumbiríamos a um mundo sem limites?
Terror como linguagem política
A aproximação com o cinema de gênero não é gratuita. Segundo a corroteirista Marité Ugás, o suspense e o terror ajudam a traduzir fisicamente a experiência da fome e da instabilidade. A sensação constante de ameaça torna o espectador cúmplice do medo vivido pelas personagens.
Reconhecimento internacional
A trajetória de Zafari começou na seção Horizontes Latinos do Festival de San Sebastián. O longa passou ainda por festivais na Alemanha, Grécia, Índia e Brasil, com exibição nacional na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A produção reúne profissionais e atores não profissionais, reforçando o tom cru e realista da narrativa.
Coproduzido por Brasil, Venezuela, Peru, México, França, Chile e República Dominicana, o filme amplia o alcance de sua crítica ao transformar uma crise local em reflexão universal.
Estreia confirmada
Zafari estreia nos cinemas brasileiros em 5 de fevereiro, prometendo uma experiência perturbadora, simbólica e atual. Ao usar o terror como ferramenta de reflexão social, o filme se posiciona como um dos lançamentos latino-americanos mais relevantes do período.

