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Trilha feita no Brasil leva Clash Royale ao radar do Cinematic Awards

O Brasil apareceu no mapa de uma nova premiação internacional dedicada à linguagem cinematográfica dos games. Cezar Brandão, produtor associado da Blood Audio, foi indicado ao Cinematic Awards pela trilha sonora de Clash Royale – especificamente pela música da 71ª temporada, The Undead March. É o único trabalho brasileiro entre os indicados desta edição inaugural.

A premiação é organizada pela Society for Game Cinematics, em parceria com a Unreal Engine, e nasce com uma proposta clara: reconhecer a área onde games e cinema se encontram. Não é prêmio de popularidade nem ranking de vendas. Aqui, o foco está em direção, edição, som, música original e impacto audiovisual.

A primeira cerimônia acontece em 10 de março de 2026, no AMC Metreon 16 IMAX, em San Francisco, durante a semana da GDC. O contexto ajuda a entender o peso da indicação. Não é apenas sobre uma boa música, mas sobre linguagem, narrativa e identidade estética.

Quando a música puxa o universo inteiro

The Undead March acompanha a 71ª temporada de Clash Royale e marca a introdução da carta Evolved Witch, uma nova evolução dentro do jogo. A trilha, criada por Cezar Brandão, funciona como espinha dorsal da animação: ritmo, clima e tensão partem da música para definir o tom visual.

Segundo o produtor, o processo foi invertido em relação ao padrão da indústria. A música veio primeiro. A partir dela, o universo visual foi construído. É um detalhe que explica por que a trilha não soa como fundo, mas como motor narrativo da animação.

A produção do vídeo ficou a cargo da Mooncolony, com direção de David Ferguson. O brasileiro André Forni também integra a equipe criativa ligada à Supercell, reforçando a presença nacional no projeto.

Um prêmio que olha para a linguagem, não para o hype

O Cinematic Awards surge em um momento em que trailers, animações e cinemáticas de games já não são apenas material promocional. Em muitos casos, são peças autorais, com identidade própria, que dialogam com cinema, animação e música de forma direta.

Nesse cenário, a indicação de um trabalho brasileiro chama atenção não pelo ineditismo, mas pela naturalidade. Clash Royale é um dos jogos mais reconhecidos do mundo. Ter uma de suas temporadas musicais criadas no Brasil e indicada em uma premiação desse tipo diz mais sobre maturidade criativa do que sobre exceção.

Para Cezar Brandão, a indicação já cumpre um papel simbólico importante. Coloca a produção sonora brasileira dentro de uma conversa global sobre narrativa e estética em games. Ganha quem leva o troféu, mas o recado já foi dado: o som feito aqui também constrói mundos lá fora.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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