O cinema brasileiro marca presença em um dos principais eventos dedicados às culturas da diáspora africana. Narciso, novo longa-metragem dirigido por Jeferson De, foi selecionado para a 34ª edição do Pan African Film & Arts Festival, que acontece em Los Angeles até o dia 22 de fevereiro. O filme concorre ao prêmio de Melhor Narrativa e terá uma sessão especial no dia 17, no Culver Theater, com a presença do diretor e da equipe.
Inspirado livremente no mito grego de Narciso e na pintura de Caravaggio, o longa desloca a fábula clássica para o Brasil contemporâneo e propõe uma reflexão sensível sobre identidade, pertencimento e o olhar lançado sobre a infância negra. A história acompanha um menino órfão que, após ser devolvido por uma família adotiva, faz um desejo que parece resolver todos os seus problemas, mas cobra um preço alto demais.
Fantasia, dor e pertencimento
Interpretado por Arthur Ferreira, o protagonista vive em um lar temporário e recebe de um amigo uma bola de basquete capaz de invocar um gênio, papel vivido por Seu Jorge. O desejo de ter uma família rica se realiza, mas vem acompanhado de uma condição cruel: ele nunca poderá ver sua própria imagem refletida. A partir daí, o filme constrói uma narrativa que mistura realismo fantástico e cotidiano duro, colocando a criança diante de escolhas que revelam tensões raciais, afetivas e sociais.
O elenco reúne ainda Bukassa Kabengele, Ju Colombo, Faiska Alves e participações especiais de Juliana Alves e Marcelo Serrado, compondo um universo que transita entre acolhimento e exclusão, sonho e perda.
Trajetória internacional e estreia no Brasil
Antes de chegar a Los Angeles, “Narciso” já passou por festivais no Canadá, como o Vancouver Black Independent Film Festival e o Montreal Independent Film Festival, onde recebeu menção honrosa. A circulação internacional reforça o diálogo do filme com temas universais, mesmo partindo de uma experiência profundamente brasileira.
No Brasil, o longa estreia nos cinemas em 19 de março, com distribuição da Elo Studios e produção da Buda Filmes.
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Pôster

Um cinema que confronta e emociona
Reconhecido por obras como “Bróder”, “M8 – Quando a Morte Socorre a Vida” e “Doutor Gama”, Jeferson De reafirma em “Narciso” um cinema que dialoga com a cultura negra brasileira sem abrir mão da invenção estética. Ao revisitar um mito clássico sob outra perspectiva, o filme transforma o espelho em metáfora e convida o público a olhar para além da superfície, questionando quem pode se reconhecer e em que condições.

