No dia 7 de fevereiro de 2026, GACKT finalmente fez sua estreia no Brasil. E, com isso, fãs de J-Rock puderam ver de perto um dos artistas mais influentes da música japonesa, que agora se junta a nomes como Yoshiki (X Japan, no Brasil em 2011) e Hyde, que retornou ao país em 2025.
Realizado no Carioca Club, a mesma casa que recebeu shows do próprio Hyde e do FLOW em 2024, o local já é velho conhecido dos fãs de música japonesa. A diferença, desta vez, estava exatamente em ser GACKT no palco. Não foi apenas um show intenso, mas uma apresentação carregada de emoção e significado.
O público presente refletia diferentes fases da carreira do cantor, desde a era Malice Mizer até sua trajetória solo. Muitos fãs “raiz”, frequentadores de eventos de animê, marcaram presença e mostraram a forte conexão com a música japonesa. Figurinos não faltaram: o visual kei dominou a plateia e chamou a atenção do cantor e de sua banda, a YELLOW FRIED CHICKENz.

Sound Check
Antes do início oficial do show, após a passagem de som que já levantou o público VIP presente na casa, GACKT respondeu a algumas perguntas previamente selecionadas de fãs e jornalistas. O momento serviu para mostrar um pouco mais de seu carinho pelo Brasil e, principalmente, pelo público que o aguardou por tantos anos.
Ao ser questionado sobre o que mudaria em sua carreira, respondeu com humor, dizendo que a pergunta era perigosa e que, se fosse completamente honesto, toda sua equipe seria demitida. Em seguida, trouxe uma reflexão mais profunda: não há nada que gostaria de refazer, pois todas as dificuldades, dores, erros e períodos de depressão moldaram quem ele é hoje. Para ele, cada pessoa deve ser protagonista da própria história.
Em outro momento, GACKT comentou que o maior apoiador que alguém pode ter é a si mesmo, e que sem esse apoio nenhum sonho se torna real. Incentivou o público a pensar de forma simples, agir rápido e tentar de tudo. Segundo ele, é assim que se muda a própria vida.
Questionado sobre a culinária brasileira, explicou que veio diretamente do aeroporto para o evento e que, infelizmente, não teve tempo de experimentar os pratos locais. Após o show, seguiria viagem para o Chile. Ainda assim, demonstrou vontade de conhecer melhor o Brasil, deixando claro o desejo de retornar no futuro.
O cantor também comparou o Brasil à região onde nasceu, Okinawa, destacando semelhanças culturais e a forma mais fluida de encarar o tempo, dividida apenas entre manhã, tarde e noite. Para ele, essa “vibe” brasileira foi imediatamente familiar.
Antes de encerrar a conversa, GACKT recebeu a mensagem de um fã que o acompanha desde 2005. Bem-humorado, disse que estava feliz em conhecer o público brasileiro e brincou que, se continuassem dizendo coisas assim, ele começaria a acreditar que realmente era um cara muito legal.
O show

Pontualmente, as luzes se apagaram e o espetáculo começou. GACKT surgiu no palco acompanhado da YELLOW FRIED CHICKENz, trazendo um som poderoso. A abertura com Dybbuk deixou claro que o show seguiria por um caminho intenso.
Na sequência, Speed Master elevou ainda mais o ritmo da casa. Mantendo diferentes tons na apresentação, DISPAR incendiou o público, a ponto de o próprio cantor jogar água na plateia para “esfriar” os ânimos.
Sem sair do palco em nenhum momento, GACKT seguiu com Maria, Until The Last Day e Suddenly. Conversando em inglês e percebendo que o público o entendia perfeitamente, ele se soltou ainda mais, reagindo às brincadeiras ao ser chamado de “lindo”, “bonito” e “gostosão”. Aliás, “gostoso” foi a palavra em português que ele mais repetiu durante a noite, claramente ciente dos apelidos que vinha ouvindo da plateia.
Clássicos e emoção

Já na reta final, Ride or Die, sucesso de 2016 do álbum Last Moon, foi cantada em uma só voz pelo público, surpreendendo o cantor ao ver uma música em japonês ecoar com tanta força.
E, claro, os clássicos não ficaram de fora. Vanilla, lançada em 2000, apareceu em uma releitura mais pesada, mostrando que mesmo seus maiores hits seguem atuais. Na sequência, Jounetsu no Inazuma, JESUS e ALL MY LOVE embalaram a plateia, que levantou os celulares e iluminou o Carioca Club com dezenas de pontos de luz.
O encerramento veio com Mata, Koko de Aimashou. Cansado e visivelmente emocionado, GACKT comentou no palco que estava feliz por finalmente ter se apresentado no Brasil. Mesmo exausto, com cãibras e quase sem voz, fez questão de dizer que queria voltar no futuro.
Em uma noite que já pode ser considerada histórica para a música japonesa no Brasil, GACKT não apenas realizou o sonho dos fãs brasileiros, como também deixou claro que saiu realizado por tocar aqui. O show aconteceu com perfeição e reforçou, mais uma vez, que o Brasil segue sendo um país especial para artistas japoneses. Se a primeira impressão foi essa, o retorno parece apenas questão de tempo.

SETLIST – GACKT WORLD TOUR: ATTACK OF YFCz | São Paulo
Dybbuk
Speed Master
DISPAR
Maria
Until The Last Day
Suddenly
Ride or Die
Vanilla
Jounetsu no Inazuma
JESUS
ALL MY LOVE
Encore
Mata, Koko de Aimashou
Agradecimentos a R.I.T. Right in time Brasil e a 1004 Collective pelo convite para produção deste conteúdo.
Também agradeço ao Orlando Naninho por algumas informações.


