A animação Guerreiras do K-pop saiu do Oscar 2026 com a estatueta de Melhor Animação, na cerimônia realizada neste domingo, 15 de março, em Los Angeles. O filme venceu concorrentes de peso como Zootopia 2, Elio, Arco e Pequena Amélie, consolidando uma trajetória que começou no streaming e acabou chegando ao palco mais prestigiado do cinema.
Dirigido por Maggie Kang e Chris Appelhans, o longa combina fantasia, cultura pop coreana e estética de videoclipes para contar a história de um grupo de idols que divide o tempo entre turnês e batalhas contra demônios. A mistura pode parecer improvável no papel, mas funcionou bem o suficiente para transformar a produção em um dos fenômenos mais curiosos da animação recente.
Discurso celebra representatividade coreana
Durante o discurso de agradecimento, Maggie Kang destacou o peso simbólico da vitória. A diretora falou sobre a importância de ver personagens inspirados na cultura coreana ocupando um espaço que durante muito tempo parecia distante.
Segundo ela, demorou bastante para que histórias desse tipo ganhassem um filme de grande escala. A expectativa agora é que as próximas gerações encontrem esse tipo de representação com mais naturalidade.
A fala terminou com uma dedicatória direta à Coreia e ao público coreano que acompanhou o projeto desde o início.
Idols de dia, caçadoras de demônios à noite

A trama acompanha o grupo fictício Huntrix, formado por Rumi, Mira e Zoey. Para o público, elas são apenas mais um trio de K-pop em ascensão. Nos bastidores, porém, o trabalho é outro.
As três fazem parte de uma linhagem de caçadoras que usam música e dança como forma de manter selados os demônios que tentam atravessar para o mundo humano.
O plano começa a dar errado quando surge uma boy band rival chamada Saja Boys. O detalhe é que o grupo também é formado por demônios, que usam o próprio universo idol como estratégia para roubar fãs, coletar almas e enfraquecer a barreira mágica que mantém o submundo longe da humanidade.
A partir daí o filme vira uma mistura de batalha sobrenatural, rivalidade pop e competição musical.
Do streaming para o circuito de premiações
Desde a estreia na Netflix, em junho de 2025, Guerreiras do K-pop cresceu de forma constante. O longa alcançou o topo das listas de audiência da plataforma e sua trilha sonora também ganhou espaço fora do filme.
Faixas como Golden, Your Idol e Soda Pop entraram em rankings musicais e ajudaram a empurrar o projeto para além do circuito de animação tradicional.
Ao longo da temporada de premiações, o filme também levou troféus no Globo de Ouro e no Critics Choice Awards, preparando o terreno para a vitória no Oscar.
Universo deve continuar no cinema
O sucesso abriu espaço para a expansão da franquia. Uma sequência de Guerreiras do K-pop já está em desenvolvimento e tem lançamento previsto para 2029.
Enquanto isso, o primeiro filme segue disponível na Netflix e continua a circular como um daqueles projetos que parecem improváveis até dar certo. No caso, um musical de idols que mistura mitologia coreana, humor pop e batalhas sobrenaturais acabou encontrando um lugar inesperado na história do Oscar.

