Pra quem viveu na década de 1990, quando existia uma guerra de consoles entre Nintendo e SEGA, Rayman surgiu para muitos no PlayStation, sendo frequentemente visto como um “mascote” do console. Ao lado de personagens como Crash Bandicoot, muita gente associava Rayman à marca, enquanto Mario e Sonic dominavam como os grandes rivais da década.
Mas Rayman logo se revelou um personagem que não pertencia a uma única plataforma. Seu jogo não só estava no PlayStation, mas também no Jaguar, MS-DOS, Game Boy Color e até no Game Boy Advance.
Conseguindo reproduzir quase a mesma experiência em todas as plataformas, Rayman é um caso raro de consistência na época, com adaptações que respeitam a essência do jogo original. Isso reforça como o design do jogo já nascia sólido, independente do hardware. No fim, ele se consolidou como um símbolo da Ubisoft.

Rayman: 30th Anniversary Edition resgata o personagem trazendo a experiência de jogar suas diferentes versões, além de um documentário com seus criadores. O pacote permite revisitar esses jogos no PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch.
Talvez fique a dúvida sobre a ausência de uma versão em HD, o que poderia facilitar a entrada de novos jogadores. Ainda assim, a proposta aqui é outra: preservar e apresentar as versões originais como elas foram concebidas, o que acaba sendo um diferencial.
Rayman 1

Aqui estamos falando diretamente com quem viveu a época. Meu primeiro contato com o personagem foi no PlayStation, e foi exatamente essa versão que revisitei.
Trazendo um jogo de plataforma com identidade própria, Rayman sempre foi meio “fora da casinha”. Na história, ele precisa resgatar os Electoons e, conforme avança, ganha novas habilidades que ampliam as possibilidades de gameplay. Isso não suaviza o desafio: a dificuldade cresce de forma progressiva e continua sendo um dos pontos mais marcantes do jogo.
As versões de Jaguar e MS-DOS entregam uma experiência muito próxima da original. Cada uma respeita as limitações do seu hardware, mas mantém a estrutura central intacta. Fica mais uma escolha de preferência pessoal ou nostalgia.
Já no Game Boy Color, temos uma versão mais simplificada. Ainda é reconhecível, mas claramente adaptada e original. É o tipo de port que sacrifica complexidade para funcionar, algo comum na época.

No Game Boy Advance, lançado em 2001, a adaptação é bem mais fiel. A principal diferença é o “zoom” mais fechado, o que pode até facilitar a leitura do jogo em alguns momentos. No geral, a experiência permanece muito próxima da original de 1995.





Rayman Zero

Se tem uma grande surpresa aqui, é a inclusão do protótipo de Super Nintendo Entertainment System.
Essa versão inacabada, que circulava na internet há anos, aparece oficialmente pela primeira vez. É um conteúdo que vai além da curiosidade: mostra um Rayman bem diferente do que conhecemos.
Com menos movimentos e um ritmo mais travado, o personagem parece mais limitado. Visualmente também há diferenças claras. É interessante ver como o jogo ainda estava sendo moldado e como as decisões finais definiram sua identidade.
Documentário

O documentário de cerca de 50 minutos, totalmente traduzido em português, ajuda a contextualizar tudo isso.
Ele explica o processo criativo e destaca que Rayman foi inicialmente pensado para Super Nintendo considerando a parceria com a Sony que não aconteceu. O jogo foi transferido para Jaguar, além de receber versões como a do MS-DOS, considerando a relevância dos PCs no mercado europeu naquele momento. Isso muda a forma como a gente enxerga o jogo, que acabou ficando mais associado aos consoles.
Além disso, reforça como Rayman seguia um caminho próprio dentro dos jogos de plataforma. Enquanto outros títulos apostavam em estruturas mais previsíveis, ele investia em um estilo mais excêntrico e menos convencional. Isso ajuda a entender por que o jogo marcou tanta gente.







Vale a pena?

Rayman: 30th Anniversary Edition é um pacote que conversa diretamente com quem viveu os anos 90, mas vai além da nostalgia.
Mais do que revisitar o passado, ele funciona como um registro importante de um jogo que ajudou a definir a identidade da Ubisoft. A dificuldade continua ali, intacta, e reforça como o jogo nunca foi fácil.
Com o tempo, Rayman passou por várias mudanças, ganhou continuações, os Rabbids e até participações diferentes, como no universo do Mario. Ainda assim, essa versão original mostra um lado do personagem que já não existe mais.
Jogar essa coletânea é quase como apagar tudo o que veio depois e voltar ao ponto de partida. E funciona justamente porque respeita essas origens.
No meu caso, a versão de Game Boy Advance tem um peso especial. Foi meu primeiro jogo no portátil, e revisitar isso hoje tem um impacto diferente. Mesmo jogando em uma TV grande, a experiência continua funcionando bem. E, claro, em algo como um Switch ou Steam Deck, a sensação fica ainda mais próxima do que era na época.
Todo suporte e localização em português do menu e do documentário, também tornam a experiência ainda melhor. Os jogos não receberam tradução, o que pode incomodar alguns, mas toda a história de criação está em nosso idioma, o que vale nota por aqui.
No fim, a Ubisoft acerta ao trazer Rayman de volta dessa forma. Fica a expectativa de que isso não seja só uma celebração do passado, mas o começo de um novo futuro para o personagem.
Ficha Técnica

Nota: 4,5 (de 5)
Rayman: 30th Anniversary Edition
Título: Rayman: 30th Anniversary Edition
Desenvolvimento: Digital Eclipse
Publicação: Ubisoft
Trilha sonora: Christophe Héral
Lançamento:
- Digital: 13 de fevereiro de 2026
- Físico: junho de 2026
Gênero: Plataforma 2D
Modo de jogo: Single player
Plataformas:
Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC (Steam, Ubisoft Connect)
Distribuição: Download digital


