O cinema brasileiro segue ampliando sua presença em Festival de Cannes, mas desta vez o foco não está apenas nos aplausos de festival. O objetivo agora é circulação global, mercado e distribuição internacional.
Durante o Marché du Film, braço de negócios de Cannes, foram anunciados os primeiros filmes selecionados pelo Screen Brasil, iniciativa criada pela Embratur em parceria com o Projeto Paradiso.
O programa apoia longas brasileiros na expansão para mercados internacionais, ajudando nas etapas de divulgação, legendagem, marketing e lançamento fora do país.
E considerando que o cinema brasileiro muitas vezes consegue chegar ao festival, mas não necessariamente ao público internacional, a iniciativa tenta justamente atacar esse gargalo.
Filmes selecionados já chegam embalados por festivais
A primeira edição do programa escolheu três longas de diferentes regiões do Brasil:
- Papaya, de Priscilla Kellen
- O Último Azul, de Gabriel Mascaro
- A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo
Entre eles, “O Último Azul” chega especialmente fortalecido após conquistar o Urso de Prata no Festival de Berlim em 2025.
Cada produção receberá US$ 15 mil para estratégias de distribuição internacional, incluindo campanhas de imprensa, materiais promocionais e adaptação para mercados estrangeiros.
Cinema vira ferramenta de imagem internacional
Segundo a Embratur, a ideia é usar o audiovisual também como ferramenta de projeção internacional do Brasil.
Para Roberto Gevaerd, diretor da agência, filmes brasileiros funcionam como instrumento de soft power, ajudando a fortalecer a imagem cultural do país no exterior e despertando interesse internacional pelo Brasil.
A seleção foi anunciada durante a Matinée Brésil, evento oficial do Marché du Film voltado à promoção do audiovisual brasileiro.
Programa ganha segunda edição
Durante Cannes, a organização também confirmou a segunda edição do Screen Brasil.
A nova fase terá quatro filmes selecionados, em vez de três, além de dois períodos diferentes de inscrição entre 2026 e 2027.
Outra mudança importante será o prazo ampliado para lançamento internacional: agora os filmes terão até 12 meses para iniciar sua distribuição fora do país.
O movimento reforça uma tendência cada vez mais clara no audiovisual brasileiro recente: o país deixou de buscar apenas reconhecimento artístico em festivais e começou a disputar também espaço estratégico no mercado internacional.


