Crítica | No melhor estilo brucutu, Seven Snipers transforma Radha Mitchell em uma “Rambo feminina”

Filme de Sandra Sciberras aposta em ação direta e reúne um grupo de assassinos de elite em uma história de vingança e sobrevivência

Filmes de ação não precisam necessariamente reinventar o gênero para funcionar. Muitos ficaram famosos justamente pela proposta de “desligar o cérebro” e curtir uma ação desenfreada, sem necessariamente contar com um grande roteiro por trás. Seven Snipers abraça esse caminho ao colocar Radha Mitchell no centro de uma produção que homenageia os filmes de brucutu das décadas de 1980 e 1990.

Dirigido por Sandra Sciberras, com roteiro de Andrew O’Keefe, o longa acompanha Kris Hendricks (Radha Mitchell), uma atiradora de elite aposentada que abandonou sua antiga vida para se esconder em um rancho na Austrália. Ela vive ao lado da filha adolescente, Anja (Annabel Wolfe), tentando manter distância de um passado que não permanecerá enterrado por muito tempo.

A ameaça surge com The Dragon (Tim Roth), um “senhor da guerra” ligado à vida anterior de Kris. Quando ele descobre seu paradeiro e coloca Anja em perigo, Kris recorre novamente às habilidades que tentou deixar para trás. Para enfrentar os homens enviados pelo inimigo, ela faz algumas ligações e reúne seus antigos companheiros, formando o grupo Seven Snipers.

Rambo feminino

Devo confessar que, antes mesmo de alguns pontos cruciais do filme, eu já enxergava em Kris alguns ecos de Rambo. Conforme a história avança, a comparação vai se confirmando. Seu estilo frio e corpulento de atacar sem dó nem piedade revela uma personagem marcada por experiências traumáticas e que acreditava nunca mais precisar trazer esses fantasmas de volta.

Ao defender sua filha com unhas e dentes, Kris ocupa confortavelmente esse arquétipo. Radha Mitchell interpreta uma mulher que nunca descansou completamente, convivendo com a possibilidade de que seu passado pudesse retornar. Seu estilo nada convencional foge da figura da mãe carinhosa e chega a trazer um jeito meio “relapso”, como quando descobre que a filha estava faltando à escola havia dias para ficar ao lado do namorado.

Querendo reencontrar Anja o mais rápido possível e antes que The Dragon chegue até ela, Kris demonstra uma dureza que combina com a proposta do filme e ajuda a protagonista a carregar boa parte da história.

Com a Austrália como pano de fundo, grande parte da trama se concentra em um rancho, cenário que favorece o conflito que se desenha. Ao explorar grandes áreas abertas, Seven Snipers encontra justamente na presença dos franco-atiradores um dos elementos que tornam suas sequências de ação mais interessantes.

Em uma caçada que cresce rapidamente, Kris e sua equipe tentam proteger Anja, acumulando baixas dos dois lados enquanto o inevitável encontro com The Dragon se aproxima. Aos poucos, também fica evidente que existe muito mais ligando Kris ao vilão do que aquilo que inicialmente conhecemos, fazendo com que proteger a filha signifique também confrontar um dos capítulos mais traumáticos de seu passado.

Opinião

Entregando um thriller de ação eficiente, Seven Snipers não esconde suas limitações de orçamento, mas consegue contorná-las com algumas soluções criativas, principalmente quando utiliza o cenário e seus atiradores para construir os confrontos.

O charme da produção está em Radha Mitchell, que leva boa parte do filme nas costas com sua atuação brucutu, em contraste com Tim Roth, que entrega um The Dragon irônico e ardiloso, interessado acima de tudo em fazer com que esse reencontro aconteça.

Tim Roth, por si só, já traz o maniqueísmo necessário para transformar The Dragon no contraponto perfeito para Kris. Pode não ser um dos papéis mais memoráveis de sua carreira, convenhamos, mas ele entrega exatamente aquilo que se espera de um vilão desse tipo.

É nesse contexto que Kris e Anja precisam funcionar como mãe e filha para sobreviver a The Dragon. A relação entre as duas ganha importância conforme aquilo que Kris tentou esconder durante tantos anos finalmente alcança sua nova vida, colocando mãe e filha diante de uma ameaça que vai muito além dos homens armados ao redor do rancho.

Com todo o jeitão de filme antigo, a trama transforma Radha Mitchell em uma espécie de Rambo feminina no interior da Austrália. Com seus enxutos 87 minutos, alguns personagens surgem e saem de cena sem receber o desenvolvimento que poderiam ter. Isso prejudica a construção de parte do elenco, mas não chega a comprometer o ritmo, algo fundamental quando estamos falando de um filme de ação com uma proposta tão direta.

Sandra Sciberras entrega um filme consciente de sua escala, apoiado principalmente nas atuações de Radha Mitchell e Tim Roth e em uma velha fórmula que fez parte de tantos filmes de ação das décadas passadas.

Para quem gosta de um filme com mais ação e menos preocupação em desenvolver uma história complexa, Seven Snipers é um prato cheio. É uma produção descompromissada, sustentada por personagens que seguram a onda e por uma abordagem que mata a saudade de quando bastavam alguns mercenários, rifles, explosões e um bom motivo para vingança para colocar um filme de ação em movimento.

Ficha técnica

Nota: 3,5 (de 5)

Título: Seven Snipers
Ano: 2025
Direção: Sandra Sciberras
Roteiro: Andrew O’Keefe
Elenco: Radha Mitchell, Tim Roth, Ryan Kwanten, Ioan Gruffudd, Lee Tiger Halley, Annabel Wolfe, Bianca Wallis, Pacharo Mzembe, Charles Cottier e Damien Ryan
Produção: Tristan Barr, Grant Hardie, Phil Hunt, Ian Kirk e Sandra Sciberras
Fotografia: Andrew Conder
Montagem: Steph Liquorish
Música: Mike Forst
Estúdio: Monster Pictures Studios
Gênero: Ação, aventura e thriller
Duração: 87 minutos

Agradecimentos a Adrenalina Pura+ pela produção deste conteúdo

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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