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Consequências Paralelas | Amizade de 30 anos une diretores de ficção científica brasileira

CD Vallada e Gabriel França transformaram uma amizade de infância em parceria cinematográfica; longa sobre viagens no tempo passou por 25 festivais e conquistou 21 prêmios

O que acontece quando tentamos mudar o passado? Essa é uma das questões exploradas por Consequências Paralelas, longa brasileiro que mistura ficção científica e suspense psicológico para investigar as consequências de interferir no tempo.

Fora das telas, o filme também tem uma história que atravessa décadas. Os diretores CD Vallada e Gabriel França são amigos há mais de 30 anos e decidiram transformar essa convivência em uma parceria cinematográfica.

O resultado chegou aos cinemas brasileiros depois de circular por 25 festivais nacionais e internacionais, conquistando 21 prêmios.

Entre os reconhecimentos estão o de Melhor Filme no Screamfest, nos Estados Unidos, e o Prêmio do Público no Macabro, no México. A produção também recebeu seis indicações ao Gran Premio FantLatam, incluindo categorias de direção, roteiro e atuação.

Uma história sobre viagens no tempo que começou em um lugar familiar

A ideia de Consequências Paralelas começou a ganhar forma em junho de 2021, quando CD Vallada convidou Gabriel França para participar do projeto.

Na ocasião, CD sugeriu utilizar como locação principal um sítio pertencente à família de Gabriel. O lugar tinha um significado particular para os dois, que o frequentavam desde a infância.

O convite inicial acabou tomando outras proporções.

Depois de ler o roteiro, Gabriel se interessou pela história e propôs assumir a codireção do longa. Ele também passou a colaborar no desenvolvimento do texto, tornando-se corroteirista.

A história original permaneceu creditada a CD Vallada.

Essa colaboração deu origem a um filme que utiliza a ficção científica para abordar as consequências de tentar alterar acontecimentos do passado, aproximando os elementos de viagem no tempo das tensões características do suspense psicológico.

Como CD Vallada e Gabriel França dividiram a direção

Embora assinem juntos a direção, os cineastas adotaram responsabilidades diferentes durante as filmagens.

CD Vallada concentrou sua atuação na comunicação com as equipes de assistência de direção, fotografia e som. Gabriel França ficou mais próximo do elenco e das atividades de produção.

As decisões relacionadas à linguagem cinematográfica, à construção das cenas e à decupagem foram tomadas em conjunto.

A divisão também reflete as trajetórias profissionais dos realizadores.

Formado em Cinema pela FAAP, CD Vallada trabalhou com montagem, assistência de direção, roteiro e análise cinematográfica.

Gabriel França, por sua vez, passou pelo Direito e pela Publicidade antes de estudar direção e roteiro na MET Film School, em Londres. Também se especializou na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo, e construiu uma carreira na produção audiovisual e no mercado publicitário.

Para CD, a amizade contribuiu para estabelecer uma relação de confiança durante a realização do longa.

“Nossa parceria funciona pela soma de visões e pelo respeito genuíno ao repertório de cada um. Não há disputa, mas sim uma ampliação de possibilidades.”

A experiência compartilhada permitiu que os diretores desenvolvessem uma dinâmica própria, equilibrando as exigências práticas de uma produção cinematográfica com as decisões criativas.

De Stanley Kubrick a René Magritte: as referências dos diretores

Para construir a identidade visual de Consequências Paralelas, a dupla buscou referências em diferentes linguagens artísticas.

Entre os cineastas citados estão Stanley Kubrick, Christopher Nolan e Paul Thomas Anderson, diretores conhecidos por abordagens distintas da narrativa e da composição cinematográfica.

No audiovisual brasileiro, uma das referências é Luiz Fernando Carvalho, cuja obra frequentemente explora cenários, enquadramentos e elementos visuais como parte da construção dramática.

A dupla também menciona o pintor belga René Magritte, associado ao surrealismo e a imagens que questionam a percepção da realidade.

Essas influências dialogam com a proposta de uma ficção científica que não depende apenas de seus elementos fantásticos, mas também de questões psicológicas e das consequências das escolhas humanas.

Elenco reúne Carol Macedo, Felipe Hintze e Camila Morgado

Além da parceria entre os diretores, Consequências Paralelas conta com um elenco formado por Carol Macedo, Felipe Hintze e João Fenerich, que também participa da produção do longa.

A atriz Camila Morgado faz uma participação especial.

A trajetória do filme pelos festivais antecedeu sua chegada ao circuito comercial brasileiro.

No dia 14 de outubro, uma sessão de pré-estreia no Cinesystem Belas Artes Botafogo, no Rio de Janeiro, reuniu os diretores e os protagonistas.

O evento também recebeu convidados como Agatha Moreira, Rodrigo Simas, Paloma Bernardi, Pedro Nercessian, Giovanna Grigio e Igor Fernandez.

Com a circulação internacional e os prêmios conquistados, Consequências Paralelas passou a integrar o conjunto de produções brasileiras recentes que exploram a ficção científica e o cinema fantástico.

Para CD Vallada e Gabriel França, o longa também representa o início de uma colaboração que pretendem manter em futuros projetos.

Depois de mais de três décadas de amizade, os dois encontraram no cinema uma maneira de construir histórias juntos. E, curiosamente, escolheram começar justamente com um filme sobre o tempo.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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