Durante a transmissão especial do solstício de inverno, The Blood of Dawnwalker™ teve uma das suas apresentações mais reveladoras até agora. A Rebel Wolves, em parceria com a Bandai Namco Entertainment, mostrou uma prévia inédita da jornada de Coen, protagonista da aventura vampírica que está sendo desenvolvida na Unreal Engine 5 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
Vale Sangora: exploração livre em uma terra de contrastes
No centro do mundo de The Blood of Dawnwalker está o enigmático Vale Sangora. Com ambientes que vão de pântanos sinistros a montanhas cobertas de neve, ruínas esquecidas e cavernas infestadas de horrores, o jogador é incentivado a explorar cada canto. A liberdade de ação é central para a narrativa, com decisões que influenciam diretamente a história e a relação com o ambiente e seus habitantes.
Svartrau, a maior cidade da região, vive dois mundos distintos: de dia, uma cidade medieval sob a influência silenciosa de um regime vampírico; à noite, os telhados se iluminam sob a lua e segredos emergem. As ações do jogador, inclusive a forma como Coen interage com os moradores, afetam diretamente como a cidade se transforma ao longo do tempo.
Combate direcional e a dualidade de Coen
Coen é um Dawnwalker, uma criatura dividida entre o mundo dos humanos e dos vampiros. Durante o dia, usa espada e runas mágicas entalhadas em sua própria pele. À noite, libera seus instintos predadores com garras letais e a habilidade Shadowstep, que permite movimentação rápida por telhados e sombras.
O sistema de combate é focado em direção, precisão e ritmo. Os confrontos exigem que o jogador analise os movimentos do inimigo, bloqueie no tempo certo e realize contra-ataques estratégicos, tornando cada batalha um equilíbrio entre ação e tática.
Fome de sangue e consequências narrativas
A sede de sangue é uma mecânica central. À medida que a noite cai, Coen sente sua fome crescer — e cabe ao jogador decidir como saciá-la. Beber sangue de inimigos, inocentes ou mesmo animais pode trazer alívio, mas também consequências. Ignorar essa necessidade enfraquece suas habilidades e, nos piores momentos, pode levá-lo a perder o controle, colocando vidas — e a própria narrativa — em risco.
A escolha de como e quando alimentar-se molda não apenas a progressão do personagem, mas também o destino de outros personagens da trama, com eventos-chave podendo ser alterados por decisões tomadas sob pressão.
Gameplay
Transparência no desenvolvimento e o que vem por aí
As imagens mostradas durante a transmissão foram capturadas diretamente de uma build pré-beta no PC, sem retoques ou pós-processamento. A Rebel Wolves reforçou seu compromisso com uma comunicação honesta, mostrando o jogo como ele está hoje, e não como um produto idealizado. A intenção é acompanhar de perto a evolução do título até seu lançamento.
Além disso, a apresentação trouxe a faixa “Battle of Retribution”, parte da trilha sonora oficial composta por Nikola Kołodziejczyk. A música, já disponível no YouTube junto com a revelação oficial de gameplay, também fará parte da gravação em 4K do evento que será publicada em breve.
Com promessas de novas atualizações nos próximos meses, The Blood of Dawnwalker mostra que está disposto a entregar uma experiência densa, sombria e envolvente, onde cada decisão — seja em combate, diálogo ou sede — molda o destino de um mundo à beira do caos.
Honor of Kings acaba de receber sua maior atualização até agora: Honor of Kings Plus. Disponível a partir de 24 de junho, a nova versão transforma o MOBA mais jogado do mundo em uma experiência ainda mais personalizada e equilibrada — com direito a avatar customizável, ajustes no campo de batalha, tradução em tempo real e mudanças no Honor Pass. Tudo gratuito e baseado no feedback da comunidade.
Ser do Fluxo: crie seu herói e personalize sua jornada
A grande estrela da atualização é o Ser do Fluxo, um avatar inédito que os jogadores poderão customizar com roupas, acessórios, cabelos e até pôsteres 2D para compartilhar online. Ele vai além do visual: o Ser do Fluxo se adapta às funções de combate, podendo alterar bônus e habilidades durante a partida. Um verdadeiro camaleão tático.
Datas de lançamento:
Ser do Fluxo – Atirador: 24 de junho
Ser do Fluxo – Tanque: julho
Ser do Fluxo – Mago: julho
Sistema de recompensas agora valoriza sua performance
O Honor of Kings Plus traz uma mudança importante para quem joga sério. Agora, mesmo derrotas podem render Estrelas, caso o jogador tenha se destacado. Jogadas decisivas, como destruir o cristal sozinho ou manter alto desempenho em desvantagem numérica, poderão gerar avaliações elevadas (como SSS) e recompensas extras.
Entre os destaques:
Estrelas mesmo em derrotas
Reconhecimento para jogadas individuais
Avaliação mais transparente que a versão chinesa
Tradução em tempo real e acessibilidade para todos
A nova versão do jogo também facilita a comunicação entre jogadores. A partir de agora, Honor of Kings terá tradução instantânea e transcrição de voz para texto. A função já está disponível em chinês, inglês, indonésio e malaio — e o português está nos planos para o futuro.
Mudanças nas rotas, tropas e ritmo de jogo
O campo de batalha foi ajustado para deixar as partidas mais dinâmicas. Entre as principais mudanças:
Quatro tropas por onda na Rota do Meio
Fim do Duende fluvial central
Ajustes nos duendes laterais e espaciais
Rebalanceamento no Falcão de fogo
Supertropas com atributos reduzidos
Escudos de torres aprimorados
Teletransporte permanente com novo visual
Honor Pass renovado com mais recompensas e Elite grátis
O Honor Pass ganhou um sistema mais direto e baseado em ações: completar missões, alcançar Momentos de Destaque e campanhas rende experiência. E quem atualizar o jogo neste primeiro mês ganha um Elite Pass gratuito.
Destaques:
Novo passe temático da Honor of Kings World Cup (KWC)
Nível 1: Nuwa – Zyzgy Moonlight
Nível 80: Alessio EWC
Versão Deluxe oferece 398 fichas bônus
Visuais grátis e cupons para todos os jogadores
Entre os dias 28 e 30 de junho, todos os visuais lançados até 24 de junho estarão disponíveis para uso gratuito, incluindo skins lendárias e limitadas. Além disso, os jogadores poderão resgatar um voucher de 1688 fichas para comprar qualquer visual anterior a 2025 — exceto o recém-lançado Ying – Lança Cristalina.
Esse voucher pode ser obtido completando objetivos no evento Freebie Frenzy, já disponível no jogo.
Honor of Kings pode ser baixado gratuitamente para iOS (App Store), Android (Google Play) e Samsung Galaxy Store. Para acompanhar todas as novidades, siga o jogo nas redes sociais oficiais: Instagram, Facebook, X, YouTube e Twitch.
Durante o Nickelodeon Kids’ Choice Awards 2025, a SEGA surpreendeu os fãs com um anúncio de peso: personagens icônicos da Nickelodeon vão correr ao lado de Sonic e sua turma no novo Sonic Racing: CrossWorlds. O trailer revelado ao vivo trouxe uma amostra do que vem por aí — incluindo Bob Esponja Calça Quadrada em ação nas pistas, com direito a veículo temático e cenário inspirado na Fenda do Biquíni.
Essa parceria entre SEGA e Nickelodeon marca o início de uma campanha maior envolvendo as duas marcas e promete expandir ainda mais o alcance do multiverso de CrossWorlds. Além do crossover com Bob Esponja, o conteúdo também dará espaço para personagens de Avatar: A Lenda de Aang e As Tartarugas Ninja, reforçando o apelo nostálgico e multigeracional do game.
Edição Deluxe e Passe de Temporada: o que vem por aí?
Quem adquirir a Edição Digital Deluxe de Sonic Racing: CrossWorlds vai desbloquear o Passe de Temporada, que garante acesso a esse conteúdo da Nickelodeon. O pacote também inclui personagens e pistas de Minecraft, além de corredores da série animada Sonic Prime, da Netflix. Duas colaborações extras estão a caminho, mas ainda permanecem em segredo.
Com uma proposta que mistura fanservice e uma seleção de mundos e estilos distintos, Sonic Racing: CrossWorlds se posiciona como um dos títulos de corrida mais ambiciosos do ano.
Trailer
Multiverso sobre rodas
A SEGA aposta na fórmula dos crossovers para criar uma experiência vibrante e imprevisível. O resultado é uma pista onde mundos completamente diferentes colidem — e colidem com estilo. É possível que os próximos anúncios tragam ainda mais surpresas, já que a desenvolvedora promete divulgar mais detalhes em breve sobre o conteúdo da temporada e as colaborações futuras.
Sonic Racing: CrossWorlds está em pré-venda para diversas plataformas, com lançamento previsto ainda para 2025.
Olha, por essa a gente não esperava: Shadow Labyrinth é a prequela do capítulo dedicado ao Pac-Man da série Secret Level, da Amazon Prime, em que o clássico personagem da Bandai Namco, que faz 45 anos de idade em 2025, deixou de lado os fliperamas para habitar um mundo escuro e violento, cheio de monstros e referências a outros jogos da produtora.
Tivemos a oportunidade de conferir o jogo em um evento de prévia, a convite da Bandai Namco, podendo jogar alguns momentos específicos da nova aventura do “come come” mais famoso dos videogames. Confira abaixo o que achamos!
É tudo tão bizarro que quem sabe dê certo?
A primeira coisa que você nota quando começa a jogar Shadow Labyrinth é como o jogo é estranho visualmente. Uma mistura de animação 2D por marionete com elementos poligonais mais simples e com texturas de qualidade um tanto precária, a apresentação, à primeira vista, chega a incomodar um pouco. No entanto, essa primeira impressão acaba passando, conforme mais do jogo é revelado, como pudemos ver neste evento de preview.
Tivemos acesso a três arquivos salvos distintos, cada um nos colocando em pontos específicos do jogo e com poderes diferentes. No primeiro, encontramos o protagonista, um ser silencioso (por não ter uma boca, segundo o material complementar!) conhecido somente pelo apelido “Sétimo Espadachim” e PUK, o Pac-Man desse mundo estranho em que o jogo se passa, juntos explorando um vilarejo no que parece ser o subterrâneo. Aliados ao povo local, a missão da dupla é se infiltrar em uma base vizinha e derrotar o chefão.
Mas isso se mostrou ser bem difícil, já que Shadow Labyrinth se trata de um jogo nos moldes de Metroid e Castlevania: Symphony of the Night, um “metroidvania”, por assim dizer. Apesar da própria Bandai Namco não estar usando esse termo, é o que o jogo é, e foi só jogar um pouco para perceber isso, ainda mais depois de testar os outros dois arquivos salvos. Há um pulo duplo, você pode virar bolinha, que no caso do jogo é se transformar no Pac-Man clássico para comer as esferas que servem como moeda de câmbio, e ainda por cima, como Alucard, se transformar ainda em um monstrão super poderoso.
O mapa, ainda em desenvolvimento, imaginamos, dá a dica de onde ir, mas mesmo sem ele foi fácil achar a tal base, que é dividida em várias áreas complementares, cada uma com um objetivo distinto. Uma trouxe um desafio voltado ao combate, mostrando do que o jogo é capaz nesse quesito. Há habilidades de refletir, desvio e carregamento de ataques, que dão ao seu personagem razoável versatilidade, e são, de fato, uma das partes que mais gostamos da demo. Inclusive, um dos arquivos salvos nos colocou em uma sequência de lutas contra chefes onde o combate foi colocado à prova e até que agradou e imaginamos que fará o mesmo com aqueles que gostam de jogos do gênero.
Ou não?
Voltando pra base em questão: depois dessas batalhas, os próximos desafios se mostraram menos animadores. Principalmente, esse foi o caso da parte de plataforma. O grande problema aqui foi a falta de pontos de controle e do design duvidoso dela, em que a gente teve que passar por diversas sequências de rolamento automático, onde a tela se move por si só, com uma espécie de laser nos empurrando. Ao tocar nele, o personagem é colocado no início novamente, levando dano ainda por cima. Por ter controles um tanto soltos, o pulo no jogo é bem impreciso, o que, com plataformas pequenas e armadilhas logo abaixo delas, esperando você cair nelas, tornam toda a experiência um tanto frustrante…
Os momentos em que jogamos como PUK, correndo em barras eletrificadas e comendo, mas comendo muito, foram um pouco mais divertidas, mas ainda repletas de incômodos, já que a velocidade e movimentação frenética do personagem tornam a jogabilidade ainda mais complicada de se controlar. Com botões que abrem portas por tempo limitado no fim de verdadeiros labirintos a serem percorridos o mais rápido possível, onde um toque nos obstáculos nos colocava de volta ao começo, já dá para imaginar o tanto que demoramos para terminar essa seção da base, né? E sim, há algo parecido em outros metroidvanias da vida, mas nesse, em específico, isso se mostrou ainda mais frustrante, já que tudo acontece muito rapidamente e em repetição.
A última parte da base foi o que a Bandai Namco revelou serem “desafios de ambiente”, tranquilamente o segmento mais fácil de todos, em que, além de enfrentar alguns inimigos, tivemos que navegar o mapa e encontrar a saída, o que fizemos sem muita dificuldade. Com a terceira parte da chave em mãos, ou melhor, na bocarra de PUK, avançamos adiante, para enfrentar o chefe, uma versão repaginada da fantasminha Pinky, do jogo original de fliperama. Flutuando no ar, a luta mostrou-se bem mais tranquila do que a que chegamos a testar no terceiro arquivo salvo, que é baseada em outro clássico, Splatterhouse. Utilizando as mecânicas de batalha que falamos anteriormente, derrotamos a chefona e demos um fim à experiência de demonstração.
Enfim… o fim
Apesar da estranheza de se jogar uma versão tão fora do comum de um personagem icônico como Pac-Man, há esperança de que o jogo final nos cause uma impressão melhor do que a demo que jogamos. O combate foi, de longe, a melhor parte da nossa experiência durante esse evento, com uma movimentação suave, rápida e bastante flexível, ao contrário de todo o resto do que jogamos.
Ficamos na torcida para que, ao jogar desde o início e aprender tudo no ritmo que os desenvolvedores planejaram, que a experiência final seja ainda mais agradável, inclusive com relação aos aspectos dessa demo que não nos agradaram tanto. Pac-Man é um personagem muito querido por todos nós, por isso ele merece o melhor que há, não é mesmo? A Bandai Namco está prometendo um verdadeiro MCU de suas principais marcas dos fliperamas com a chegada desse jogo, resta saber como isso se dará.
Felizmente, não vai demorar muito para Shadow Labyrinth estar entre nós, para que a gente possa descobrir. O game chegará às lojas físicas e digitais em 18 de julho, em praticamente todas as plataformas atuais.
Agradecemos a assessoria da Bandai Namco do Brasil por nos ter convidado para o evento de preview e pelo envio de uma cópia do jogo para a produção desta matéria.
Apresentado na gamescom latam 2025, Earthion é uma volta ao passado com um jogo que resgata o estilo 16-bit, rodando nativamente no Mega Drive. Produzido pela Ancient Corporation, o jogo está sendo desenvolvido pelo estúdio fundado por ninguém menos que Yuzo Koshiro. Shoot ’em up 2D raiz, o jogo não ficará preso aos 16 bits, sendo lançado também para PCs e consoles modernos.
Com direção de Makoto Wada (Gotta Protectors) e produção do próprio Koshiro, Earthion estava disponível na gamescom latam 2025 apenas para jornalistas e, a convite da Masamune, pudemos jogar duas fases do novo jogo.
Jogando no Steam Deck, Earthion será lançado em português brasileiro e é um jogo de navinha tipicamente raiz. Com trilha sonora bem nostálgica e até uma voz que remete a jogos de Mega Drive como Phelios, Earthion é um olhar para jogos do passado ainda bem vivos, proporcionando um prazer imensurável de jogar algo com jeitão retrô, mas feito nos dias de hoje.
Trazendo uma animação bem fluida antes das fases, Earthion é muito gostoso de jogar e direto ao ponto, sendo claramente feito para quem cresceu com jogos como R-Type. Os sprites estão bem animados e chamam atenção pelo cuidado e pela completa sensação de nostalgia.
Ambas as fases que jogamos têm chefes ao final, dando uma prévia do que poderá ser o jogo completo. Com uma dificuldade média, Earthion transmite a sensação de estarmos jogando algo do passado — e parece ser exatamente essa a intenção da equipe de desenvolvimento.
O novo jogo contará com 8 fases de rolagem lateral, além de 27 faixas inéditas compostas por Koshiro, explorando ao máximo o potencial dos consoles de 16-bit.
A estética retrô está presente, com filtros e scanlines para simular TVs de tubo nos consoles modernos. Além disso, o jogo será lançado também para o Mega Drive, respeitando todas as limitações da época, mas funcionando perfeitamente nele.
Para completar a experiência, as ilustrações do jogo são assinadas por ninguém menos que Mitsuhiro Arita, conhecido por seus trabalhos nos cards de Pokémon e nos quadrinhos da Marvel.
Mesmo com poucas informações disponíveis e lançamento previsto para breve, Earthion é pura nostalgia — despertando aquele desejo de reviver lembranças que talvez nem tenhamos vivido.
Agradecimentos à Masamune pelo convite para testar o jogo.
Realizada entre os dias 1 e 4 de maio no Distrito Anhembi, em São Paulo, a gamescom latam 2025 chegou à sua segunda edição conquistando ainda mais relevância como evento voltado para a América Latina. Um feito que não apenas a consolidou como o maior evento de games da região, mas também trouxe um crescimento de público de 30%, ultrapassando os 130 mil visitantes em um novo espaço (o Anhembi), mostrando que a mudança foi certeira.
A feira representa uma evolução direta do BIG Festival, tradicionalmente o maior festival de jogos independentes da América Latina, que agora vive pelos corredores da gamescom latam 2025. O evento é resultado de uma parceria entre Koelnmesse, Omelete Company e a game, Associação Alemã da Indústria de Jogos.
Neste ano, a gamescom latam apostou forte nos jogos e foram muitos: mais de 400 títulos disponíveis durante todos os dias do evento. Tivemos a oportunidade de testar Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2, Garena Delta Force, Assassin’s Creed Shadows, FragPunk, Solasta II, Double Dragon Revive e HUNTER×HUNTER NEN×IMPACT, entre muitos outros espalhados por toda a feira.
A troca do São Paulo Expo pelo Distrito Anhembi fez muito bem ao evento. O novo local, um dos centros de exposições mais modernos do Brasil, está mais bem localizado na cidade, o que facilitou o transporte tanto por vans quanto por aplicativos. (Confesso aqui minha torcida para que a CCXP, da mesma organização, também migre para o Anhembi no futuro.)
Quando o assunto é indústria, ela foi muito bem representada: Nintendo, Bethesda, Warner Bros. Games, Roblox, Supercell, Bandai Namco, SEGA, Epic Games, Ubisoft, Niantic, Konami, CD Projekt Red, entre outras. Algumas empresas que não têm os games como foco principal também se destacaram. A Claro, por exemplo, apostou em jogos na nuvem, karaokê japonês e outras ativações que agradaram bastante o público gamer.
Todo mundo sabe que a Nintendo deixou a desejar por não apresentar o Nintendo Switch 2 para o público brasileiro, mas compensou com diversos jogos. Tanto grandes títulos da casa quanto produções independentes, mantendo o posicionamento que vem reforçando em eventos recentes. Além disso, trouxe Donkey Kong Country Returns e colocou Donkey Kong e Mario para tirar fotos com o público, garantindo a diversão de crianças e adultos (como eu!).
E falando em Pokémon, teve balão da Equipe Rocket na área externa, estande com cards, Pokémon GO e muita nostalgia, reforçando a força da franquia além dos consoles e atraindo um público diversificado ao evento.
Com tantas atrações, não há dúvidas: a gamescom latam 2025 pode ser vista como uma versão turbinada dos anos anteriores. A organização fez a lição de casa e entregou sua melhor edição até agora.
Apesar dos muitos pontos positivos, é justamente na herança do BIG Festival que surgem alguns desafios. Criado no Centro Cultural Vergueiro, o BIG sempre foi um espaço onde era possível conversar diretamente com as equipes dos jogos independentes. Parte dessa essência ainda está presente, mas talvez não em sua melhor forma.
O destaque está não só na visibilidade internacional que o festival ganhou ao fazer parte da gamescom latam, como também no lançamento de mais de 120 jogos durante o evento. Essa diversidade é o que torna o BIG Festival essencial e obrigatório na programação da feira.
Espalhado por baias entre os estandes das grandes produtoras, o BIG Festival foi distribuído por todo o evento. Embora a proposta seja interessante, isso faz com que ele perca visibilidade e concorra com atrações mais chamativas.
Foto – Giuliano Peccilli
Sendo direto: eu adoro jogos indies, mas nem em 2024, nem agora em 2025, consegui aproveitar essa parte do evento como gostaria. O barulho e o fluxo intenso do restante da feira acabam tirando o foco da área indie, que merece muito mais atenção.
Sinceramente? O BIG Festival precisa de um espaço próprio para resgatar aquele clima de conexão entre jogador e desenvolvedor. A ideia presente na edição de 2025 é bonita, mas, na prática, não funcionou. Muitos estandes indies ficaram vazios, sem o público que mereciam.
Vale lembrar que o BIG Festival também contou com premiações e programação própria, incluindo o BIG Festival XR/VR sponsored by TNT Energy e o Panorama Brasil sponsored by Banco do Brasil. Nunca o festival esteve tão presente. E, como fã de jogos indies, fico feliz com esse crescimento dentro de um evento internacional.
Entre as novidades, um destaque foi a gamescom latam arcade arena em parceria com a Retrocon, que reafirma o caminho da feira em seguir os passos da “irmã mais velha” CCXP. A ideia é se tornar um verdadeiro HUB quando o assunto é games no Brasil.
Claro
Foto – Giuliano Peccilli
A Claro entrou com tudo no mundo dos games em 2024, com jogos na nuvem, planos de assinatura e até Tiago Leifert anunciando novidades. Em 2025, a marca voltou ainda maior, com um estande gigante e ativações diversas. Parcerias iam de inZOI, da Krafton, passando por Assassin’s Creed Shadows com a Ubisoft, até uma colaboração entre Diablo IV e Berserk. Com direito a ecobag temática e karaokê japonês, a Claro se destacou como uma das empresas que mais surpreenderam no evento, mesmo sem ser uma gigante dos games.
Foto – Giuliano Peccilli
Nintendo
Foto – Giuliano Peccilli
A Nintendo seguiu sua linha tradicional: trazer jogos para todos os públicos, incluindo lançamentos e títulos já conhecidos, que ainda despertam interesse no Nintendo Switch. Mesmo sem o tão esperado Switch 2, o estande da empresa foi bem planejado, com atividades para crianças e ativações criativas, como sacolas temáticas. A Big N fez o básico, mas fez bem, e se consolidou como uma das presenças mais marcantes do evento.
Muito além do público
O público vê os jogos, mas o que acontece nos bastidores também é importante. Em 2025, o evento contou com mais de 5 mil reuniões de negócios, reunindo mais de mil empresas e cerca de 3 mil profissionais da indústria. Um número que mostra como a feira também é um ponto de decisão importante para o futuro do setor.
Prefeitura e Estado de São Paulo são gamers
Foto – Giuliano Peccilli
Um diferencial da gamescom latam é a forma como a prefeitura e o governo do estado de São Paulo se envolvem com o evento. Estandes com jogos, palestras, podcasts, até café e chocolate quente como parte de ativações criativas mostram um esforço real em se comunicar com o público presente.
Foto – Giuliano Peccilli
Profissionais que fizeram a diferença
O evento também recebeu nomes de peso como Shuhei Yoshida, Bo Andersson Klint, Chris Charla, Guillaume Provost, Henk Rogers, Michael Steranka (Pokémon) e Rodrigo Pérez (Activision). Sem falar dos influenciadores que marcaram presença, como Gaules, Nyvi Estephan, Mustache, Flakes Power, ChefOtto, Bagi, Matt, FunBabe, Tixinha e Forsaken.
Hands-on
Foto – Giuliano Peccilli
A possibilidade de testar jogos antes do lançamento é um dos maiores atrativos da feira. A SEGA trouxe Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2, enquanto a Arc System Works apresentou HUNTER×HUNTER NEN×IMPACT e Double Dragon Revive. Já a Bandai Namco montou um espaço só para ELDEN RING NIGHTREIGN, reforçando o foco em lançamentos futuros.
Muito além do evento
Com programação diária e mais de 20 horas de competições, a gamescom latam também alcançou quem não estava lá presencialmente. Foram mais de 10 milhões de pessoas impactadas pelas transmissões e cobertura de veículos como IGN, Terra, Meu PlayStation, Famitsu, Gamesindustry.biz, PlayTV, WooHoo, Omelete, Gamesbeat, Meristation e 3DJuegos.
Opinião
Foto – Giuliano Peccilli
A gamescom latam 2025 entregou uma edição muito mais estruturada e envolvente do que sua estreia. Sempre há algo a melhorar, mas a evolução foi clara em atrações, espaço e organização. Além disso, o evento funciona como vitrine de outras iniciativas do grupo Omelete. Telas de LED exibiram propagandas cruzadas com a CCXP, reforçando um intercâmbio interessante entre os eventos.
A parceria com a Retrocon também mostrou como colaborações pontuais podem ir além da casa, fortalecendo a cena como um todo.
Agradeço pela oportunidade de cobrir a gamescom latam 2025 e espero ter conseguido traduzir, em palavras, um pouco da grandiosidade do evento. Que venham as próximas edições!
Quando se fala em cinema italiano atual, fala-se de Pietro Castellitto — não à toa, o destaque dado à chegada de A Odisseia de Enéias aos cinemas brasileiros. Produzido em 2023 e aplaudido de pé por oito minutos, o longa é escrito, dirigido e protagonizado por Pietro Castellitto. Mostra a decadência dos jovens em uma sociedade regada a drogas e dinheiro, em que ecoam ruínas a longo prazo.
A história, que está chegando aos cinemas pela Pandora Filmes, apresenta um jovem bonito, rico e entediado chamado Enéias. Ao seu lado, temos o melhor amigo, Valentino (Giorgio Quarzo Guarascio), um piloto de avião recém-formado, constantemente no ar (em diferentes sentidos). Enéias e Valentino são amigos desde sempre, convivendo em um mundo cheio de riquezas, mas que vai além disso, atravessando o universo das drogas, num ambiente corrompido.
E vale uma curiosidade aqui: Pietro Castellitto trouxe sua família também para as telonas. Seu pai, Sergio Castellitto, interpreta Celeste, pai de Enéias, enquanto seu irmão mais novo, Brenno Castellitto, também está presente no papel de Cesare, irmão do protagonista.
E é aqui que, por mais que estejamos diante de jovens em decadência, A Odisseia de Enéias ainda é um filme italiano que não só bate na tecla da família, como evoca essas relações em seu tempo de tela.
O resultado em cena faz com que Pietro Castellitto brinque ao dizer que é “um filme de gângsteres sem gângsteres”. Mostra que o vazio da juventude leva os jovens a encontrar soluções que nem sempre são as melhores.
E se a vida passa diante dos seus olhos, Enéias demonstra uma preocupação genuína com seu irmão mais novo, Cesare. Vive cobrando que ele vá à escola, que se alimente direito — num papel de irmão mais velho, mas também quase um pai, desejando que seu irmão tenha uma vida mais justa do que a sua.
Além da história
Explicar A Odisseia de Enéias não é tarefa fácil. Enéias é dono do restaurante japonês “Sushi Sam” e passa seus dias entre uma vida ociosa, consumida por festas luxuosas e tráfico de cocaína.
Valentino é cúmplice de Enéias, compartilhando essa vida cheia de luxos e testando os limites da própria moralidade.
Por mais que esse não seja o foco principal do filme, o grande estopim para os acontecimentos está justamente na vida que Enéias e Valentino levam. Envolvidos com o tráfico, vendem 20 kg de cocaína para Giordano, chefe da região. A morte de Giordano reacende uma briga entre facções que desmorona a vida dos dois jovens — agora caçados.
Mas a relação entre Enéias e Valentino, muitas vezes, se confunde. O que poderia ser apenas uma amizade, ao menos sob a ótica de Valentino, se transforma em um amor platônico — revelado em cenas abstratas nas quais os dois dialogam e se beijam (fora das câmeras).
Durante a fuga, Valentino se despede de seu amor por Enéias, busca sua mãe e sobrevoa a torre de um prédio, chocando o avião contra ele. Redenção, morte, perdão por amar um amigo — Valentino apenas se despede da vida, ao lado da mãe em cena.
Enquanto isso, Enéias conhece Eva (Benedetta Porcaroli) e se apaixona perdidamente, o que leva ao casamento. Em uma típica festa de família italiana, o evento é cercado por facções que estão atrás do dinheiro de Giordano.
Opinião
Devo confessar aqui que A Odisseia de Enéias, por mais que tenha um grande elenco, se destaca muito mais no visual do que na história. Ao dar enfoque a outras narrativas, o filme acaba confuso e difícil de entender. Em contrapartida, as cenas que recebem maior atenção revelam uma capacidade técnica imensa de traduzir um mundo abstrato para a tela.
Os personagens são carismáticos, e você compra parte de sua história exatamente pelo carisma. No entanto, é difícil compreender a jornada deles em cena. É fácil entender a vingança e a caçada em torno dos dois jovens, mas, ao mesmo tempo, você se pergunta por que o filme opta por focar em outros momentos que julga mais importantes do que contar sua trama central.
Se aqui resumi o que parece ser A Odisseia de Enéias, vale dizer que há diversas tramas: da mãe de Valentino, dos pais de Enéias, do estilo de vida de Cesare ao ignorar a escola — camadas que enriquecem os personagens, mas ocupam um tempo precioso de desenvolvimento da história principal, ausente no fim das contas.
Há ainda outras histórias contadas pelos personagens e depois confirmadas visualmente, como o chefe de cozinha do “Sushi Sam”, que transa com salmões do restaurante. Só quando o local é invadido por bandidos, ele é flagrado nu, com a boca dentro do peixe. Não era algo importante, mas foi mencionado tantas vezes que ganha destaque em cena.
Falando ainda em cenas, a sequência em que Valentino busca a mãe doente e se suicida se destaca na narrativa. Não apenas impacta, como também chama atenção para seu amor não correspondido.
O que posso dizer, por fim, é que A Odisseia de Enéias é, tecnicamente, um bom filme, mas falha em nos cativar com sua história. Tem bons diálogos e reflexões interessantes, mas, lá no fundo… parece que faltou algo ali.
Exibido em 2024 na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o longa alemão Stella: Vítima e Culpada chega aos cinemas trazendo uma das tramas mais controversas do Holocausto. Inspirado na história real de Stella Goldschlag, o filme mergulha na trajetória da jovem aspirante a cantora de jazz que, da noite para o dia, passa a ser perseguida por ser judia numa Berlim nazista que caça seu povo impiedosamente pelas ruas.
Dirigido e roteirizado por Kilian Riedhof, o filme tem uma performance brilhante de Paula Beer, acompanhada por um elenco à altura, com rostos conhecidos do público brasileiro, como Damian Hardung (Maxton Hall – O Mundo Entre Nós) e Jannis Niewöhner (da franquia juvenil Rubinrot).
Stella quando era só cantora, antes de se transformar para sobreviver
Cheio de energia e vida, Stella: Vítima e Culpada se inicia em 1940, quando conhecemos uma Stella animada e integrada a um grupo de artistas que se apresentam por toda a Alemanha. Mesmo percebendo o avanço da perseguição aos judeus, Stella tenta seguir com sua vida, embora note que, a cada dia, precisa ser mais cuidadosa com seus passos.
Com amigos sendo capturados, sua carreira artística dá lugar a uma realidade em que ela passa a flertar com um policial alemão em troca de passaportes em branco para falsificação no mercado informal.
A doçura do filme vai se perdendo à medida que Stella se vê envolvida em um cenário cada vez mais insano. Capturada pela Gestapo em 1943 e torturada, ela retorna ferida para a casa dos pais — o que não dura muito, pois eles também são presos. Interrogada e pressionada a proteger a família, Stella sucumbe à única coisa que tentava evitar: entregar outros judeus.
A partir daí, Stella: Vítima e Culpada faz jus ao título brasileiro, mostrando sua transição de vítima para culpada. Ela passa a denunciar antigos amigos e conhecidos, acompanhando a polícia alemã em buscas que levam muitos deles a Auschwitz.
Stella se despede dos seus pais
Stella acreditava que, ao fazer isso, estaria salvando seus pais e até acreditou quando o Gestapo prometeu transferi-los para uma cidade do interior. Mas tudo era mentira. Ela descobre que seus pais também morreram em Auschwitz. Os anos passam e, com uma nova Alemanha surgindo, Stella acaba julgada por seus atos.
Baseado em fatos reais, Stella: Vítima e Culpada salta para 1954, quando vemos uma Alemanha em transformação e uma Stella frente a frente com antigos conhecidos, agora do outro lado do tribunal. Culpada aos olhos da sociedade, ela se vê prisioneira de suas próprias escolhas.
Mais uma vez o tempo avança, agora para 1984, e acompanhamos uma Stella envelhecida, que enfim reconhece o peso dos crimes cometidos — tanto para seu povo quanto para si mesma. É com essa Stella amargurada que a narrativa tenta compreender uma trajetória que terminou com a própria vida da personagem.
Opinião
Stella: Vítima e Culpada é um filme que não apenas se destaca por contar uma história real, mas por construir camadas complexas em torno de uma figura que de fato existiu.
Kilian Riedhof consegue explorar diferentes tons ao longo da obra, mostrando uma personagem em constante transformação. Parte desse impacto vem da entrega emocional de Paula Beer, entre a alegria e a dor, em busca de sua verdade.
Jannis Niewöhner também brilha como Rolf Isaaksohn, com quem Stella falsificava passaportes. O “casal” funciona bem em cena, mesmo que, para sobreviver, Stella não limite sua história a ele.
O que choca é a jornada cruel e, por vezes, mostrada de forma brutal, de como a tortura desfigurou Stella emocionalmente. Essa mudança é retratada com detalhes, evidenciando sua perda de valores em troca de mais um dia de sobrevivência.
Vemos policiais zombando de sua escolha em cantar jazz — “música de negros” —, além de parceiros abusando física e emocionalmente dela. Não é de se espantar sua frieza ao se tornar aliada da polícia em 1943.
Indicado para representar a Alemanha no Oscar, Stella: Vítima e Culpada é impactante e não busca justificar os atos de sua protagonista. Sua intenção é recordar às novas gerações os horrores do passado e garantir que histórias como essa nunca mais se repitam. Um filme necessário para compreender as marcas indeléveis que a barbárie deixou em nossos corpos e mentes.
STELLA: VÍTIMA E CULPADA
Direção Kilian Riedhof
Roteiro Kilian Riedhof, Jan Braren, Marc Blöbaum
Elenco Paula Beer, Joel Basman, Jannis Niewöhner, Katja Riemann, Lukas Miko, Bekim Latifi, Damian Hardung, Gerdy Zint
Distribuição Mares Filmes
Mais informações
STELLA: VÍTIMA E CULPADA
Alemanha – Áustria – Suíça – Reino Unido | 2023 | 121 min. | Drama | 16 anos
Se existe um animê que virou sensação nacional no ano passado, esse é Dan Da Dan. Chegando simultaneamente à Crunchyroll e à Netflix, a história absurda conquistou o público brasileiro, que não perdia um episódio sequer no streaming. Agora, com Dan Da Dan: Evil Eye, temos um pequeno gostinho da segunda temporada com a compilação dos três primeiros episódios, apresentada nos cinemas pelos diretores Abel Góngora e Fuga Yamashiro, que compartilham os desafios de adaptar o novo arco criado por Yukinobu Tatsu.
Mas se você não sabe nada sobre Dan Da Dan, definitivamente este filme não é pra você. Com uma série de cenas rápidas para situar os personagens, Evil Eye não faz rodeios nem apresenta ninguém. Pegou o flashback? Ótimo. Caso contrário, é só seguir o fluxo e tentar entender com o bonde andando, porque Dan Da Dan: Evil Eye não está aqui pra perder tempo, mas sim continuar o arco deixado em aberto no fim da primeira temporada.
Estreando no dia 19 de junho, a animação do estúdio Science SARU chega aos cinemas brasileiros em uma parceria entre Crunchyroll, Sony Pictures e a rede Cinemark. E aqui, além da belíssima animação, o filme funciona como um “esquenta” da nova temporada.
A história
Direto do último episódio, Momo Ayase, Okarun e Jiji viajam para a vila de Byakuya, conhecida por suas fontes termais e lendas antigas. Deixando o clima urbano de lado, o filme adota um tom retrô com uma vila que parece parada no tempo e no espaço.
Ao se mudarem para a casa de Jiji, dita como mal-assombrada, eles se deparam com a estranha família Kitou. É aí que o passado de Jiji vem à tona: seus pais foram parar no hospital por causa de uma assombração que ronda a casa há muito tempo.
A família Kitou, que cuida da casa ancestral de Jiji, desconfia da presença de médiuns no local. Isso não impede Momo de ser surpreendida no ofurô pelos homens da família, que explicam que o banho ali é misto — em uma cena bizarra com analogias envolvendo jacarés.
É nesse ponto que Okarun e Jiji percebem algo errado e descobrem um buraco na parede que leva a estruturas antigas. Um ambiente fora da lógica, onde aparece pela primeira vez o Kuragami, um verme da Morte da Mongólia que habita o local. Mas você sabe que Dan Da Dan nunca é sobre uma coisa só — e é aqui que entra o Olhar Maligno, um espírito que assombra a casa e faz com que qualquer pessoa que tente se aproximar acabe levando familiares ao desespero.
Como se já não fosse o bastante, fica claro que a família Kitou tem seus próprios segredos, estando ali há gerações. Eles realizam rituais para saciar o que chamam de Tsuchinoko, uma cobra gigante, que é outra forma de nomear o Kuragami escondido na parede da casa de Jiji.
Com o caos instaurado, o Olhar Maligno possui o corpo de Jiji, transformando-o numa versão roxa, com brincos RGB (talvez o primeiro vilão com visual gamer da história dos animês). E assim começa uma batalha intensa entre os dois seres, enquanto Momo e Okarun tentam entender essa vila bizarra que existe dentro da casa.
Com diversas batalhas em tela, Dan Da Dan: Evil Eye é um espetáculo visual, mas não responde se o embate será concluído aqui ou continuará na TV quando a nova temporada estrear.
Opinião
Um dos grandes acertos foi levar Dan Da Dan para os cinemas com Evil Eye. A qualidade técnica rivaliza com produções como Demon Slayer, tornando a experiência de assistir na telona ainda mais impactante.
O estúdio Science SARU é conhecido por títulos como Devilman Crybaby (Netflix), Tatami Time Machine Blues (Disney+) e Scott Pilgrim Takes Off (Netflix). Agora, com a nova temporada de Dan Da Dan, promete elevar ainda mais o nível das sequências animadas.
A direção de Fuga Yamashiro, agora dividida com Abel Góngora (responsável pela abertura da primeira temporada), traz novos desafios para a animação e é recheada de referências que vão além do mangá original. Fuga comenta que o estilo da obra se inspira fortemente nos antigos filmes da Kadokawa Pictures, como A Boneca Vampira e Inugami.
Os enquadramentos exagerados e o estilo da família Kitou, além do clima da vila de Byakuya, ecoam essas referências, da mesma forma que a abertura da primeira temporada faz alusão ao Ultraman (1966). Saber disso pelos próprios diretores torna a busca por referências e easter eggs ainda mais divertida.
Voltando ao filme em si, é preciso reconhecer que Evil Eye funciona como o início de uma nova fase. Tenta resumir os personagens, mas funciona melhor para quem já assistiu à primeira temporada ou acompanha o mangá — é um conteúdo claramente feito para fãs.
Nesse sentido, Dan Da Dan: Evil Eye é um excelente pontapé inicial, mostrando o quanto a história pode crescer na versão animada, enriquecendo o universo do mangá e mantendo uma narrativa coesa e visualmente impressionante.
Momo Ayase tem um crescimento notável no uso dos seus poderes, e Okarun também evolui, ficando mais forte na tentativa de impressioná-la. Já Jiji recebe o maior aprofundamento, com seu passado trágico vindo à tona, o que o consolida como um terceiro protagonista.
Outro destaque é a Velha Turbo (ou Vovó Turbo), representada aqui por um gatinho. Seu papel como espírito explicador é quase como um Wikipédia ambulante das assombrações. Mesmo com pouco tempo de tela, sua participação é marcante e divertida.
E a abertura? Sabemos que a expectativa é alta para a nova música que substituirá Otonoke, do Creepy Nuts. Mas aqui não temos música nem abertura o que pode frustrar fãs de J-pop. Ainda assim, é difícil sair decepcionado da animação.
Assisti ao filme legendado e, mesmo com uma boa adaptação, confesso que Dan Da Dan tem um jeitão meio Yu Yu Hakusho o que faz a gente imaginar como seriam as piadas se fossem dubladas. Enquanto a nova temporada não chega, Evil Eye é um excelente esquenta, não só pela história envolvente, mas por manter viva a expectativa pelo que vem aí.
Dan Da Dan: Evil Eye
GêneroAção, Comédia, Sobrenatural
Duração— (aguardando confirmação oficial)
PaísJapão
Ano2025
FormatoFilme (compilação de episódios)
Lançamento no Brasil19 de junho de 2025 (Cinemark / Crunchyroll / Sony Pictures)
Mais informações
Dan Da Dan: Evil Eye
Título original: ダンダダン: Evil Eye
Título internacional: Dan Da Dan: Evil Eye
Avaliação
5,0/5
★★★★★
JWave
Agradecimentos ao Cinemark e a Crunchyroll pelo convite para a produção deste conteúdo
O Brasil e a Coreia do Sul são dois países que viveram períodos muito parecidos no passado, em que ditaduras redefiniram as rotas de cada país. E enquanto o Brasil tem se destacado com filmes como Ainda Estou Aqui e o ainda a ser lançado O Agente Secreto, a Coreia do Sul tem entregado filmes como 12.12: O Dia e agora Na Teia da Aranha, que, mesmo cômico, desmistifica um período de censura em que o cinema sul-coreano só podia filmar com a devida autorização do governo.
Dirigido por Kim Jee-Woon, o filme Na Teia da Aranha nos leva aos anos de 1970, em que a criatividade sul-coreana, já bem aflorada, era podada pela censura estatal e moldada para recriminar valores e políticas que não fizessem a cartilha do governo.
E é aqui que conhecemos um diretor em crise, chamado Kim Ki-yeol (Song Kang-ho), e que está terminando o seu filme Na Teia da Aranha. Não gostando nem um pouco de como ficou, ele tem uma epifania e acredita que, se refilmar em dois dias, poderá tornar o filme um novo clássico do cinema.
Para conseguir fazer mudanças em sua obra, o rito é os censores lerem as mudanças e, num primeiro passo, ele acaba rejeitado, o que faz com que ele vá atrás da presidente da empresa, que também se recusa a apoiar e viaja para o Japão. Indo atrás da herdeira, Kim Ki-yeol prova que pode fazer um ótimo filme, e é aí que temos um caos generalizado com um filme sendo rodado totalmente ilegal pelas leis da época.
Kim precisa convencer elenco e equipe a retornarem para as filmagens, driblar a burocracia estatal e esconder a produção secreta de olhares indesejados. É assim que ele consegue manter o cenário do filme montado e traz todo mundo de volta, sem saberem que estavam fazendo uma filmagem praticamente clandestina.
Um dos maiores dilemas para mudar o final é a presença da atriz em ascensão Han Yu-rim (Krystal Jung). Saindo do filme direto para filmar um K-drama, a atriz não poderia demorar muito nas refilmagens, o que não só fazem com que mintam para ela sobre a quantidade de cenas, como chegam até a trancar o estúdio para que ela cumpra as refilmagens, gerando apreensão da equipe.
Semelhante a filmes como Parasita, sabemos o tempo todo que Na Teia da Aranha tem tudo pra dar errado. É quando censores aparecem para impedir o filme, sendo embebedados pela produção, que o filme mostra que tem tudo para acabar mal.
Além da metalinguagem, um recorte de uma época
Redefinindo a história e assassinos, Na Teia da Aranha vai ganhando nova forma com as refilmagens, o que não impede o desenvolvimento de novos problemas, com Han Yu-rim revelando estar grávida e fazendo Kim Ki-yeol reprogramar a rota, usando cenas mais leves para ela durante as filmagens.
Com o caos nas filmagens, a presidente retorna às pressas da viagem ao Japão querendo impedir as filmagens, enquanto o chefe dos censores do governo da Coreia do Sul chega tentando entender o porquê de o filme estar sendo rodado. E é aqui que Na Teia da Aranha se sobressai, mostrando o “jeitinho coreano”, tentando driblar tudo e todos para Kim Ki-yeol terminar seu filme.
E olha que Na Teia da Aranha tem de tudo, com direito a Kim Ki-yeol conversando com seu “mestre”, também diretor de cinema, em lembranças, dando o tom de que ele queria superar e entregar um filme memorável nos cinemas.
Vale notar aqui que o diretor lendário com quem Kim Ki-yeol trabalhou havia morrido em um incêndio no set de filmagem, e fica claro que essa paixão pela atuação verdadeira irá até as últimas consequências aqui também.
Mas será que, com tamanho caos… Na Teia da Aranha valeu realmente a pena em ser refilmado?
Conclusão
Numa homenagem ao próprio cinema, Na Teia da Aranha surpreende e muito pelo roteiro, pela comédia, pelas ótimas atuações e pela sua metalinguagem em trazer um filme sendo filmado dentro do próprio. As situações, até que caricatas, são hilárias, mostrando que não existiam limites para se filmar antigamente.
É fato que parte da graça do filme está em acompanhar esses absurdos de um diretor que foi sempre visto como mediano e tenta reescrever sua história com essa loucura. E é justamente este absurdo que acompanhamos em cena, com a equipe comprando a ideia (mesmo que alguns à revelia), o que torna Na Teia da Aranha tão épico de ser visto.
Song Kang-ho, conhecido em especial por Parasita, está impagável como o diretor Kim Ki-yeol, e com certeza é destaque mais que merecido por seu personagem tão excêntrico. No elenco, ainda temos Oh Jung-se (Tudo Bem Não Ser Normal), Lim Soo-jung (Eu Sou um Cyborg, e Daí?), Krystal Jung (Manual do Presidiário), Kim Min-jae (Força Bruta: Punição e Invasão Zumbi 2: Península), entre tantos rostos conhecidos das produções sul-coreanas. Já o filme, com direção de Kim Jee-Woon, também é velho conhecido do público brasileiro com as produções Os Invencíveis (2008) e Eu Vi o Diabo (2010).
Agora, falar de Na Teia da Aranha é falar de um filme que entrega drama e comédia em um plot que você até sabe o que vai acontecer, mas a forma como é contada é o que torna tudo tão interessante e convidativo para assistir cada minuto. É diversão na medida certa e que, com certeza, supera as expectativas de qualquer um.
O Switch 2 finalmente chegou e, para seu lançamento, recebeu um novo Mario Kart. Mario Kart World é uma grande aposta da Nintendo, já que oferece uma experiência um pouquinho diferente do que já estamos acostumados, com um elenco ainda maior de corredores que seu antecessor, Mario Kart 8 Deluxe. Nele, temos algo divertido e desafiante, um belo jogo que todo tipo de jogador pode curtir, dos mais novos até os velhinhos. Isso, claro, se eles conseguirem comprar um Switch 2 no lançamento…
Aqui e acolá, algo para fazer e correr, claro
O “mundo” do nome de Mario Kart World é apto porque agora temos um mapa gigante para explorar. As pistas são interligadas e é possível dirigir de uma para a outra, tanto no modo de jogo de livre exploração quanto em outros, isso porque algumas das corridas servem de conexão entre pistas. Dá até para parar e bater um ranguinho no caminho, na estrada, em uma das muitas lanchonetes do Yoshi, e até destravar trajes novos para seu personagem como brinde.
Esse mundo é grande e variado e oferece muitas atividades que vão além do simples dirigir: há grandes botões azuis espalhados em todos os lugares que trazem missões especiais para ganhar pontos, sem falar nas moedas douradas da Princesa Peach, escondidas em pontos estratégicos, difíceis de serem alcançadas sem o uso da sua criatividade. É do tipo de coisa que dá mais razão para se jogar e ficar fuçando Mario Kart World de uma maneira nunca vista em um Mario Kart.
Falando de modos de jogar, dá pra correr nas pistas de uma maneira mais tradicional, no formato de circuitos, o Grande Prêmio, que bem como os jogos anteriores, é possível escolher a dificuldade entre 50cc, 100cc e 150cc – a de 200cc não está no jogo, mas não será uma grande surpresa se for incluída mais para frente – cada uma mais rápida e envolvente que a outra. Os circuitos são bem rápidos de terminar, por isso são bons para quem só quer jogar por alguns minutos.
A grande novidade são as corridas Eliminatórias, onde você e 23 outros corredores têm uma corrida mais comprida, que vai eliminando participantes aos poucos até sobrar só os que estão na frente. Essas são ainda mais emocionantes jogando pela internet, onde o mais puro caos reina! O modelo de jogo lembra bastante o visto em F-Zero 99 e diverte tanto quanto.
Diversão com amigos é sempre bom
Falando no multijogador, ficou faltando comentar os modos Confronto e Batalha. No primeiro, você pode organizar partidas conforme as suas próprias regras, com as mais diversas opções, e competir contra amigos das mais variadas maneiras. É um jeito bacana de divertir um grupo todo sem compromisso. Em Batalha, é exatamente isso que o nome diz, um salve-se quem puder em que cada corredor tem um certo número de balões que são estourados conforme ele é acertado por cascos inimigos. É o modo multiplayer clássico dos Mario Kart, pura e simplesmente!
Jogar online é uma loucura de diversão se você não estiver exatamente querendo ganhar. Toda corrida é uma chuva de ataques e de gente batendo uma na outra, onde o objetivo mesmo é rir e brincar. Basta não tratar Mario Kart World como um jogo de corrida comum, onde o objetivo é ganhar, enquanto estiver jogando com outras pessoas pela internet que a coisa flui que é uma beleza. Como agora o jogo possibilita que ainda mais jogadores participem de uma mesma corrida, isso fica ainda mais na cara.
Nisso, há ainda mais jeitos de atrapalhar os outros corredores. Além dos conhecidos cascos azul, verde e vermelho, agora temos o dourado, que solta um rastro de moedas até explodir e dar conta dos mais gananciosos em seu encalço. O martelo dos Irmãos-Martelo é um power up poderoso que coloca um obstáculo na pista, na frente de seus inimigos, enquanto que a varinha mágica de Kamek cria uma magia que muda o aspecto de todos que estão correndo, podendo até transformá-los em personagens que ainda não foram destravados na galeria!
Tem de todos e tudo um pouco
Isso nos traz ao elenco. Meu Deus, quantos personagens. Tem até a vaquinha da pista Pastagens Moo Moo, do Mario Kart 64! Sabe aquele carinha que sai do bueiro no Mario do Nintendinho e joga chaves de fenda em você? Ele também! Tem até o golfinho de Super Mario World e ele nem tem mãos para dirigir o kart. Não que isso seja empecilho para o espinhudo Wiggler. Não há limites em Mario Kart World e é isso que o faz ser tão especial.
A nostalgia rola solta em todo o mundo do jogo. Há pistas de jogos anteriores, outdoors com toda a identidade não só de jogos do Mario, mas da Nintendo como um todo, que são convertidos em marcas, no dia-a-dia mesmo dos lugares que você visita. Mas talvez a melhor parte seja a trilha sonora, que mescla músicas-tema de várias franquias da Nintendo e as “remixa” de maneira brilhante. Tem de tudo, de Donkey Kong Country até os minigames Game & Watch. Os que tiverem bons ouvidos descobrirão ainda mais, com certeza.
Se você for como eu e estava procurando uma desculpa para voltar para a franquia Mario Kart, não perca tempo e vire a chave de Mario Kart World. É um excelente jogo de lançamento para o Switch 2, um baú de relíquias da história da série Super Mario e afins que parece não ter fim. O jogo faz uso excelente dos recursos do novo console, oferecendo uma experiência muito bonita tanto no modo portátil quanto na TV e é certo que irá cativar você a continuar jogando por meses afora. Apesar do preço alto do pacote como um todo, Mario Kart World faz valer a pena com muita diversão e personalidade!
Mario Kart World
DesenvolvedorasNintendo, Nintendo Planning & Development
PublicadorasNintendo
PlataformaNintendo Switch
GêneroCorrida
Lançamento5 de junho de 2025
Mais informações
Ficha técnica:
Nome completo: Mario Kart World
Avaliação
5,0/5
★★★★★
JWave
Agradecemos a assessoria da Nintendo no Brasil por ter nos enviado uma cópia do jogo para a produção desta matéria.
Na geração do PlayStation 2, uma produtora de jogos até então pouco conhecida teve sua época de ouro, com lançamentos que hoje são considerados verdadeiros clássicos obscuros, cujas cópias, em sua grande maioria, são caras e difíceis de encontrar, por terem tido tiragens pequenas. Trata-se da Atlus, que hoje em dia é sinônimo de uma só palavra: Persona.
Mas antes da Hora Sombria, dos Assassinatos da TV, ou da estréia dos Ladrões Fantasma, houve uma grande gama de jogos não tão conhecidos baseados em Shin Megami Tensei. É o caso de Devil Summoner Raidou Kuzunoha vs. the Soulless Army, lançado em 2006, o mesmo ano de Persona 3.
Nele, conhecemos um personagem novo, que também se utilizava dos conhecidos demônios, só que de um jeitão só dele, no combate em tempo real, colocando de lado as batalhas em turnos que conhecemos tão bem não só de Persona e de outra série pouco conhecida, Digital Devil Saga, mas do próprio Shin Megami Tensei, que naquele ano comemorou 29 anos.
A volta do caçador de demônios
Agora, é a vez de Raidou ter sua volta gloriosa com Raidou Remastered: The Mystery of the Soulless Army, a versão definitiva do primeiro jogo, que chega aos consoles atuais e ao PC trazendo gráficos remasterizados e outras novidades muito bem-vindas, mas que não deixa pra trás suas raízes. É um jogo de ação com elementos de RPG, além de uma camada um tanto superficial de investigação e suspense.
No papel de Raidou Kuzunoha, o 14o a adotar o nome e vestir o manto de caçador de demônios do vilarejo de Kuzunoha, cabe a você, junto de seu gato falante e conselheiro Gouto-Douji, erradicar o mal da capital do país, Edo. Para tanto, você, como um adolescente superdotado, terá que frequentar o colégio e, no tempo livre, fazer parte de uma agência de detetives, onde poderá agir para salvar a população da ameaça dos demônios. Como o nome do jogo diz, o grande mal da vez é um misterioso exército de soldados vestidos de vermelho, que estão abduzindo pessoas aparentemente normais para seus fins nefastos.
Para isso, Raidou conta com a ajuda de demônios próprios, aqueles que já conhecemos lá do Persona – ou outros jogos SMT que você pode ter jogado – que lutam ao seu lado e participam das interações com o mundo à sua volta, agindo para, por exemplo, extrair informações de testemunhas que não estão cooperando, ou até incentivar aqueles que podem estar desanimados. Mais demônios podem ser capturados conforme a história avança, trazendo ainda mais funcionalidades ao arsenal do protagonista.
Em Raidou Remastered, a jogabilidade é bem diferente do que você pode estar acostumado. Apesar da movimentação ser quase igual à vista em Persona, outras partes do jogo funcionam de maneira única, começando pelo combate, que acontece em tempo real, como uma versão mais simples de jogos de ação como Devil May Cry, em que Raidou tem dois tipos de ataque com espada, sua arma de fogo, e magias, além de poder dar ordens aos seus dois demônios parceiros.
Melhor, mais bonito e com vozes!
Nisso, há uma das novidades desse remaster: antes ele só podia controlar um demônio por vez e, para trocar, tinha que ir a um local específico para fazê-lo. Agora, pode levar dois deles consigo, que podem ser escalados a partir do menu, facilitando muito a vida dos investigadores sobrenaturais iniciantes mundo afora. Mesmo com uma maior simplicidade em comparação a outros títulos de ação, as batalhas do jogo conseguem ser envolventes, já que ainda é preciso se atentar às fraquezas elementais de seus adversários, como em Persona, e ser rápido para desviar dos poderosos ataques dos inimigos.
Dentre outras melhorias relacionadas ao combate há a trava de mira, o sistema de tiro e a capacidade de atrelar todos os poderes elementais de uma vez, muitas das quais foram apresentadas na continuação do jogo original no PS2, Devil Summoner 2: Raidou Kuzunoha vs. King Abaddon. O resultado final é algo mais divertido e flexível de jogar, mas que continua lembrando um jogo de sua época, o que não é exatamente uma coisa ruim, afinal, a geração dele foi uma das mais incríveis dos videogames quando falamos de RPGs e jogos de ação.
Falando em RPG, há muito dele em Raidou Remastered. Como detetive, você terá que virar Edo do avesso para descobrir informações relacionadas às suas investigações. É aí que pinta a grande e principal melhoria desta versão, a inclusão de vozes para praticamente todos os diálogos, tanto em Japonês quanto Inglês – mal aí, ainda não foi desta vez que teremos o Português Brasileiro em um jogo da Atlus! – e os gráficos atualizados, que dão ainda mais vida aos designs de personagens icônicos do conceituado Kazuma Kaneko.
A trilha sonora, outra parte dos jogos da Atlus que os coloca acima da competição, é destaque aqui, com um tempero forte de jazz instrumental e música clássica, com dedo dos compositores já consagrados da franquia Shin Megami Tensei, Shoji Meguro, Ryota Kozuka, e Toshiki Konishi. É deliciosamente ardente e lembra muito o que ouvimos não só em Persona, mas também outros como Shin Megami Tensei V: Vengeance, que também resenhamos por aqui.
Enfim, vale a pena jogar Raidou Remastered?
Raidou Remastered traz de volta um personagem carismático e emblemático da franquia Shin Megami Tensei aos holofotes gamisticos, mostrando que há mais para SMT do que só Persona, e que a Atlus tem talento não só em desenvolver RPGs em turnos, mas também aqueles de ação como este.
Graças não só às muitas melhorias, como também outras pequenas, das quais o salvamento automático, transporte rápido para locais já visitados no jogo e uma seleção de níveis de dificuldade fazem parte, Raidou Remastered é uma experiência ainda mais divertida e livre de frustrações, especialmente quando comparada à versão original, que é notória por ser bem difícil de zerar. Sim, ainda dá para ver que se trata de um jogo do PS2 com roupagem nova, não há como negar, porque é exatamente isso.
Tirando esse óbvio do caminho, esta remasterização é, sem dúvida alguma, a iteração de Raidou que você deve jogar. Não só por tudo isso, mas também pelo fato de que um disco original americano de PS2 chega facilmente à casa dos 800 reais. Raidou Remastered: The Mystery of the Soulless Army chega às lojas físicas e digitais pela bagatela de 280 reais (260 reais no PC/Steam), mas sempre vale dar aquela fuçada por cupons e outras promoções, podendo ficar mais em conta para o bolso.
Raidou Remastered: The Mystery of the Soulless Army
DesenvolvedorasAtlus
PublicadorasSega Atlus
PlataformaNintendo Switch 2, PC, PlayStation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Series X|S
GêneroRPG
Lançamento19 de junho de 2025
Mais informações
Ficha técnica:
Nome completo: Raidou Remastered: The Mystery of the Soulless Army
Avaliação
4,0/5
★★★★☆
JWave
Agradecemos a assessoria da Sega Atlus por ter nos enviado uma cópia do jogo para a produção desta matéria.