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“Isabel”, novo longa brasileiro, divulga trailer antes da estreia na Berlinale

Selecionado para a mostra Panorama da Berlinale, o longa Isabel acaba de ter seu trailer divulgado às vésperas da estreia internacional. O filme será exibido pela primeira vez no dia 16 de fevereiro, no cinema Urania, em Berlim, marcando a estreia do diretor Gabe Klinger no cinema brasileiro.

Rodado em São Paulo e produzido pela RT Features, Isabel é protagonizado por Marina Person, que interpreta uma sommelière inserida no universo da alta gastronomia paulistana. Presa a um ambiente profissional opressor, a personagem sonha em abandonar o restaurante onde trabalha para abrir o próprio bar de vinhos, buscando autonomia criativa e pessoal.

O roteiro foi escrito em parceria entre Klinger e a própria Marina Person, e parte de vivências reais ligadas à cultura do vinho natural no Brasil. A produção aposta em uma abordagem íntima e observacional, acompanhando os dilemas cotidianos de uma mulher que tenta se afirmar em uma cidade marcada por excessos, pressões e contradições.

Primeiro longa de ficção de Klinger filmado no Brasil, Isabel foi rodado em 16mm. A escolha pelo formato analógico reforça o diálogo entre estética e tema, aproximando a materialidade do filme da filosofia artesanal defendida pela protagonista. As locações são todas reais, e a cidade de São Paulo surge menos como cenário e mais como força ativa na narrativa — caótica, hostil e, ao mesmo tempo, formadora.

O elenco conta ainda com Caio Horowicz, John Ortiz, Marat Descartes e Clarisse Abujamra. A produção é assinada por Rodrigo Teixeira, nome recorrente em grandes festivais internacionais.

Trailer

Isabel integra a programação da mostra Panorama da Berlinale e tem sua estreia mundial marcada para 16 de fevereiro, no Festival de Berlim, dando início à trajetória internacional do filme no circuito de festivais.

“Cansei de Ser Nerd” estreia no Boston SciFi Festival e marca primeira exibição internacional do longa

Fernando Caruso protagoniza o filme ‘Cansei de Ser Nerd’ (Crédito- Mariana Vianna)

O longa brasileiro Cansei de Ser Nerd terá sua première internacional no Boston Science Fiction Film Festival, um dos festivais de ficção científica mais antigos e respeitados das Américas. A sessão acontece no dia 13 de fevereiro, com a presença do diretor Gualter Pupo e do ator Fernando Caruso, que protagoniza o filme.

Realizado há mais de cinco décadas, o Boston SciFi selecionou apenas dez longas-metragens para a edição de 2026, a partir de mais de 300 inscrições. O evento ocupa o tradicional Sommerville Theater e espaços ao redor da Davis Square, reunindo exibições, debates e a famosa maratona de 24 horas de filmes, marca registrada do festival.

Dirigido por Gualter Pupo, conhecido por sua trajetória como diretor de arte em produções como Bufo & Spallanzani e Chatô, o filme aposta em uma mistura pouco convencional de gêneros. A narrativa cruza comédia romântica, terror, cultura geek, artes marciais e musical, assumindo referências que vão do cinema de Alejandro Jodorowsky e Dario Argento ao humor físico de Rowan Atkinson, passando por influências pop como Scott Pilgrim, Shaun of the Dead, Stranger Things e Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo.

Fernando Caruso interpreta Aírton, um nerd marcado por um episódio obscuro do passado que decide reencontrar antigos colegas de faculdade para provar sua inocência em um crime jamais resolvido. O reencontro, porém, revela uma trama ainda mais absurda: uma banda new wave de sucesso, rituais bizarros e uma possível seita por trás de tudo, além da tentativa de reconquistar um amor interrompido há duas décadas.

Com produção da Hungry Man e A Fábrica, coprodução da Paramount Pictures e do Telecine, e distribuição da H2O Films, Cansei de Ser Nerd chega aos cinemas brasileiros em 7 de maio de 2026, após sua estreia internacional no circuito de festivais.

Compositor de Donkey Kong Country, David Wise confirma presença na gamescom latam 2026 com shows, painel e encontros com fãs

David Wise

Nome fundamental da música nos videogames, David Wise está confirmado na gamescom latam 2026. O compositor participa do evento na sexta (1º) e no sábado (2), com apresentações musicais ao vivo, painel sobre sua carreira e sessões de meet & greet com o público.

Wise é responsável por algumas das trilhas mais marcantes da história dos games, especialmente pela série Donkey Kong Country, que ajudou a definir o som da era 16-bit no Super Nintendo. Seu estilo, que mistura ambientação natural, melodias fortes e ritmo percussivo, segue influente até hoje.

Na gamescom latam, o compositor sobe ao palco principal para apresentações musicais que prometem acionar a memória afetiva de quem cresceu ouvindo suas composições. Além disso, participa de um painel dedicado aos bastidores da criação musical nos videogames, compartilhando histórias, processos e curiosidades da carreira.

A presença de Wise reforça a aposta do evento em nomes históricos da indústria, ampliando o diálogo entre gerações de jogadores e criadores.

A gamescom latam 2026 acontece de 30 de abril a 3 de maio, no Distrito Anhembi, em São Paulo, com ingressos já à venda.

Ingressos — preços

IngressoMeia-EntradaEntrada SocialInteira
Quinta-feira (30/04)R$ 79,00R$ 94,00R$ 158,00
Sexta-feira (01/05)R$ 79,00R$ 94,00R$ 158,00
Sábado (02/05)R$ 99,00R$ 118,00R$ 198,00
Domingo (03/05)R$ 99,00R$ 118,00R$ 198,00
Passaporte 4 DiasR$ 284,00R$ 340,00R$ 568,00
Deluxe Pass — Quinta (30/04)——R$ 316,00
Deluxe Pass — Sexta (01/05)——R$ 316,00
Deluxe Pass — Sábado (02/05)——R$ 316,00
Deluxe Pass — Domingo (03/05)——R$ 316,00
Deluxe Pass — 4 Dias——R$ 1.138,00

Todos os ingressos garantem acesso às áreas abertas ao público. Os Deluxe Pass incluem benefícios como entrada antecipada, fila exclusiva, fast pass para meet & greet e itens colecionáveis.

Serviço — gamescom latam 2026

📍 Local: Distrito Anhembi — São Paulo (SP)
📅 Data: 30 de abril a 3 de maio de 2026
🎮 Preview Day (B2B, imprensa e convidados): 29 de abril
🌐 Ingressos: venda online pela plataforma oficial

Subnautica e Subnautica: Below Zero chegam ao Switch 2 em 17 de fevereiro com 60 fps e upgrade grátis

Os mergulhos em águas profundas vão ganhar fôlego novo no Subnautica e em Subnautica: Below Zero. A dupla chega ao Nintendo Switch 2 no dia 17 de fevereiro com melhorias visuais e desempenho travado a 60 quadros por segundo — tanto no modo portátil quanto no dock.

No dock, os jogos rodam em 1440p; fora da base, em 1080p. O resultado é uma exploração mais fluida do planeta 4546B, com controles ajustados ao Joy-Con 2 e menos atrito na navegação, no combate e na construção de bases. Quem já tem os jogos no Switch original não fica de fora: o upgrade para o Switch 2 será gratuito via eShop.

A novidade chega enquanto a Unknown Worlds segue preparando o terreno para Subnautica 2, previsto para este ano. O novo capítulo promete multiplayer cooperativo para até quatro pessoas, cross-play entre PC e consoles e foco maior em acessibilidade — mudanças puxadas diretamente pelo feedback da comunidade.

Com mais de 18,5 milhões de cópias vendidas desde 2018, Subnautica volta a respirar fundo no Switch 2, agora com desempenho à altura do que o jogo sempre pediu: tempo, silêncio e um oceano inteiro para explorar.

Subnautica e Subnautica: Below Zero chegam ao Nintendo Switch 2 em 17 de fevereiro, com upgrade gratuito para quem já possui os jogos no Switch original.

Zaynara, Naruna Costa e Vitão são os convidados da semana no Metrópolis

Foto Nadja Kouchi: Acervo TV Cultura

O Metrópolis entra na semana misturando música, cinema, carnaval e games, mantendo o formato que já virou marca do programa: conversas diretas com artistas e reportagens que conectam cultura pop, artes e comportamento. A atração vai ao ar na TV Cultura, com apresentação de Adriana Couto.

Na terça-feira (10), a música puxa a fila. A cantora Zaynara passa pelo estúdio para falar do momento atual da carreira e da força do beat melody, som que vem ganhando espaço fora do eixo tradicional. O programa também conversa com Gaby Amarantos, que apresenta Rock Doido: O Filme, projeto que cruza álbum e curta-metragem para traduzir a energia das festas do Norte sem filtros.

O carnaval aparece fora do óbvio, com blocos que fogem do formato tradicional: um inspirado em animes, mangás e cultura indiana, e outro formado por psicanalistas, que brinca com a ideia de que todo mundo carrega um pouco de caos — especialmente em fevereiro. A edição ainda abre espaço para games, com uma matéria sobre Nioh 3, apresentado em evento que reuniu fãs, espadas de samurai e muita estética do Japão feudal.

Na quarta-feira (11), o foco se divide entre cinema e música. Naruna Costa fala sobre sua estreia como protagonista em Salve Geral: Irmandade, filme de Pedro Morelli que aposta em ação e dilemas morais. Já Vitão comenta o EP O Que É Amar?, trabalho que cruza MPB com R&B e marca um momento mais introspectivo do artista.

A semana ainda inclui uma exposição de capas de discos no Itaú Cultural e a tradicional agenda com dicas culturais em São Paulo sem pressa, sem hype forçado, no ritmo habitual do programa.

O Metrópolis vai ao ar às segundas-feiras, às 23h30, e de terça a sexta-feira, às 22h, na TV Cultura.

Chico Chico fecha primeira fase da turnê e leva “Let It Burn / Deixa Arder” para os festivais em 2026

Depois de uma sequência de shows esgotados pelo país, Chico Chico encerrou em Salvador, no MAM, a primeira etapa da turnê Let It Burn / Deixa Arder. O show marca o fim de um ciclo iniciado em novembro de 2025 e o começo de outro: a entrada definitiva do projeto no circuito de festivais.

A turnê passou por mais de 15 cidades entre capitais e interior, com sessões extras e ingressos esgotados em praças como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Recife e Salvador. No palco, Chico apresentou o repertório do álbum Let It Burn / Deixa Arder (2025) e releituras que ajudam a desenhar sua identidade musical entre MPB, rock e folk.

Com essa primeira fase concluída, o show ganha nova escala em 2026. Chico Chico já tem presença confirmada em festivais como Rec-Beat, Festival Nômade, Coolritiba, Baita Festival, Um Festival e outros eventos espalhados pelo país ao longo do primeiro semestre.

A agenda marca uma transição natural: do circuito de casas cheias para palcos maiores e públicos mais diversos, ampliando o alcance do trabalho sem mudar o formato do espetáculo. Novas datas devem ser anunciadas nas próximas semanas.

Confira as datas confirmadas até o momento para essa nova etapa em festivais:

15/02 – Recife/PE – Festival Rec-Beat

17/02 – Garanhuns/PE – Jazz Festival 2026

25/04 – Brasília/DF – Música Urbana Festival

02/05 – São Paulo/SP – Festival Nômade

23/05 – Curitiba/PR – Festival Coolritiba

23/05 – Campinas/SP – Baita Festival

30/05 – Goiânia/GO – Um Festival

05/06 – Altinópolis/SP – Festival da Lua Cheia

Mais datas serão anunciadas em breve. Informações e ingressos estão disponíveis no link oficial: linktr.ee/duasvezeschico.

Primeira etapa da turnê “Let It Burn / Deixa Arder”

Entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, Chico Chico percorreu o país com apresentações esgotadas e sessões extras, passando pelas seguintes cidades:

13/11/25 – Rio de Janeiro/RJ – Circo Voador – esgotado
21/11/25 – São Cristóvão/SE – FASC
27/11/25 – Campinas/SP – D Pedro
05/12/25 – Porto Alegre/RS – Bar Opinião – esgotado
11/12/25 – São Paulo/SP – City Lights – esgotado
13/12/25 – Rio de Janeiro/RJ – Teatro Rival – esgotado
14/12/25 – Rio de Janeiro/RJ – Teatro Rival – esgotado
18/12/25 – Belo Horizonte/MG – Teatro Francisco Nunes – duas sessões – esgotado
10/01/26 – São Paulo/SP – Cine Joia – esgotado
16/01/26 – Recife/PE – Teatro Riomar – esgotado
17/01/26 – Natal/RN – Teatro Riachuelo
18/01/26 – Fortaleza/CE – Teatro Riomar
25/01/26 – Iguape/SP – Praça Pública
31/01/26 – Curitiba/PR – Guairinha – duas sessões – esgotado
01/02/26 – Florianópolis/SC – Teatro CIC – esgotado
07/02/26 – Salvador/BA – MAM – esgotado

Confira os episódios que definem a 4ª temporada de Turma da Mônica

quarta temporada de Turma da Mônica chega à reta final com 26 episódios e deixa claro onde a série acerta quando resolve sair do piloto automático. Entre histórias mais simples e outras que testam formatos, alguns capítulos se destacam por tratar o absurdo com seriedade infantil — que sempre foi a marca do Limoeiro.

No T4E3, Cebolinha e Cascão disputam quem é o mais bonito do bairro, transformando vaidade em espetáculo ridículo. Já o T4E7 brinca com identidade ao mostrar uma Magali completamente diferente depois de um chiclete estourado. O conflito é simples, mas desconfortável na medida certa.

O T4E10 aposta no cotidiano: um corte de cabelo errado vira evento coletivo, enquanto o T4E15 escala o caos com alienígenas, tornado e um ultimato envolvendo o coelho Sansão. Tudo tratado como parte normal da rotina.

Entre os mais criativos estão o T4E23, que transforma o Limoeiro em falso documentário de vida selvagem, e o T4E24, que força Mônica e Cebolinha a dividirem o mesmo espaço por um fim de semana inteiro.

No conjunto, a temporada funciona melhor quando exagera, experimenta e confia nos personagens. Nem tudo é memorável, mas esses episódios mostram por que Turma da Mônica ainda sabe brincar com o próprio universo, sem precisar explicar demais.

“Privadas de Suas Vidas” estreia em Rotterdam

Tem filme brasileiro chegando a festival grande pedindo licença. Privadas de Suas Vidas não é um deles. O novo longa dirigido por Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner estreou no Festival Internacional de Cinema de Rotterdam já deixando claro o terreno: humor ácido, gore escancarado e zero interesse em agradar todo mundo.

Selecionado para a Mostra Harbour, espaço tradicionalmente aberto a obras que flertam com o risco, o filme saiu da primeira exibição com críticas empolgadas e um consenso curioso: é tão absurdo quanto preciso no que se propõe.

Da esquerda para a direita- Olivia Torres, João Marcos Almeida, Fernanda Frotté, Martha Nowill, Gurcius Gewdner, Gustavo Vinagre, Chandelly Braz e Rodrigo Teixeira na estreia do filme em Rotterdam

Escatologia com método

A premissa parece saída de uma piada de mau gosto, mas o filme insiste em levá-la a sério. Malu, vivida por Martha Nowill, é uma mãe atravessada por luto, conflitos familiares e dificuldades financeiras. O filho, Gênesis, interpretado por Benjamín, é uma pessoa não binária com quem a relação é tudo menos simples.

Quando Malu aceita organizar uma festa de revelação de gênero para a vizinha, a narrativa já está pronta para o desconforto. O detalhe é que uma maldição transforma os banheiros do prédio em armas letais. Sim, privadas literalmente assassinas. O que poderia virar só choque vira comentário social filtrado por humor grotesco.

Crítica comprou a loucura

Sarah Musnicky, do portal In Between Drafts, resumiu bem o espírito do filme ao dizer que, “para um filme de privadas, Privadas de Suas Vidas entrega mais do que promete”, associando a descarga impossível do trauma à ideia de que certos problemas sempre voltam à superfície. Já Max Borg, do The Film Verdict, foi direto ao ponto: é “engraçado, insano e nojento o suficiente” para virar presença constante em festivais e sessões da meia-noite.

O elogio mais curioso vem no final da crítica: a dupla de diretores consegue misturar comentário social com humor deliberadamente juvenil e ainda “resgatar o adjetivo ‘merdástico’ com orgulho”. Difícil discordar depois de ver.

Atuação sem medo do ridículo

Parte do impacto vem das atuações. Martha Nowill e Benjamín foram destacados pela crítica do Bloody Disgusting pela entrega física e pela disposição de ocupar lugares narrativos desconfortáveis. Nowill, especialmente, não tenta proteger a personagem de situações humilhantes ou grotescas — o filme ganha força justamente aí.

O elenco ainda reúne nomes bem conhecidos do cinema brasileiro como Otávio Muller, Maria Gladys, Chandelly Braz, Marco Pigossi, Regina Braga e Olivia Torres.

RT Features no modo “não pedir desculpas”

Produzido pela RT Features, o filme reforça uma fase da produtora que parece cada vez menos interessada em rótulos de prestígio e mais aberta a projetos que tensionam linguagem e mercado. Não é um “filme de festival” no sentido comportado da expressão — é um filme que usa o festival como palco para provocar.

Inspirado no gore clássico e contaminado pelo clima político recente, Privadas de Suas Vidas usa fezes, canos estourados e banheiros como metáfora. Não é sutil, nem quer ser. É cinema que ri enquanto cutuca ferida aberta.

Se o circuito internacional continuar reagindo como Rotterdam reagiu, dá para apostar que esse filme ainda vai entupir muita sessão por aí. E, pelo visto, essa sempre foi a ideia.

Curta feito com IA pela CloudWalk começa a ganhar mundo (e prêmios)

Enquanto muita gente ainda discute se inteligência artificial pode ou não fazer cinema, Arnaldo Had an Idea já está fazendo e sendo julgado como tal. O curta da CloudWalk levou o prêmio de Melhor Curta Estrangeiro no AI International Film Festival, em Los Angeles, e ficou em terceiro lugar na categoria dedicada a filmes feitos com IA no Subtelny Cinema and AI Festival, na Polônia.

Não é pouco, especialmente em um circuito que costuma separar “experimento tecnológico” de “obra cinematográfica”. Aqui, o curta brasileiro começa a atravessar essa fronteira com alguma naturalidade — e sem pedir desculpa por usar IA como parte do processo criativo.

Além dos prêmios, o filme ainda passou por festivais em Roma e Milão, recebendo menções honrosas no Rome AI Festival e no Absurd Film Festival, o que ajuda a entender por onde Arnaldo está circulando: eventos interessados menos em hype e mais em linguagem.

Uma ideia genial e o desespero de perdê-la

Dirigido por Ricardo Mordoch e Dan Moraes, o curta parte de uma premissa quase banal. Arnaldo tem a ideia da sua vida dentro de uma loja de penhores empoeirada, em Casablanca. O problema é simples: não há um lápis por perto.

O que poderia virar uma piada curta se transforma em uma espiral de mercados caóticos, delírios internos e reflexões existenciais. A ideia escapa, se fragmenta, se distorce — e o filme acompanha esse processo com humor seco e uma camada constante de estranhamento.

Inspirado no conto O Mouro e a Micose, de Marcos Barbará, o roteiro foi desenvolvido por Barbará ao lado do próprio Mordoch. O resultado não tenta explicar nada demais. Observa. Deixa a sensação se formar.

IA como linguagem, não truque

O uso de inteligência artificial aqui não aparece como curiosidade técnica. Ela está integrada à estética do filme, ajudando a construir espaços instáveis, personagens que parecem à beira do colapso e um mundo que nunca se fixa completamente.

Segundo os diretores, a proposta sempre foi usar a IA como parte da narrativa, não como substituta de criação. A instabilidade visual acompanha a fragilidade da ideia central do filme: o pensamento humano como algo urgente, brilhante — e absurdamente fácil de perder.

Um circuito que está se formando

Arnaldo Had an Idea faz parte do catálogo da CloudWalk Studios, iniciativa da empresa para explorar a interseção entre tecnologia, arte e storytelling. O curta está disponível exclusivamente no CAISROOM, streaming focado em produções audiovisuais criadas com IA, reunindo obras de mais de 14 países.

Além dos prêmios recentes, o filme já passou por festivais na Índia, no Paquistão e tem exibição confirmada no Berlin Indie Shorts Festival, em fevereiro.

Ainda é cedo para falar em “novo cinema feito por IA” como movimento consolidado. Mas Arnaldo Had an Idea ajuda a tirar o debate do campo teórico. Em vez de perguntar se IA pode fazer cinema, o curta propõe outra questão: o que acontece quando a tecnologia deixa de ser ferramenta invisível e passa a influenciar a própria forma de contar histórias?

Os festivais, ao que tudo indica, já começaram a responder.

“Foi Apenas um Acidente” estreia na MUBI em março

Há filmes que chegam ao streaming como mais um item de catálogo. Foi Apenas um Acidente chega como afirmação política, estética e moral. A MUBI confirmou que o longa de Jafar Panahi estreia com exclusividade na plataforma no dia 6 de março — e não é exagero dizer que se trata de um dos lançamentos mais pesados do cinema recente a chegar ao streaming.

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2025, o filme também virou figura constante na temporada de prêmios: indicações ao Oscar de Melhor Filme Internacional e Melhor Roteiro Original, passagem forte pelo Globo de Ouro, reconhecimento no BAFTA e uma unanimidade crítica rara, dessas que atravessam publicações sem perder estrelas pelo caminho.

Mas nada disso explica sozinho o impacto do filme. Panahi não filma para acumular troféus. Filma porque precisa — e porque, em muitos contextos, filmar já é um ato de resistência.

Vingança, dúvida e um som que não sai da cabeça

A trama parte de um encontro banal que rapidamente se transforma em pesadelo ético. Vahid, um mecânico, acredita reconhecer em um cliente o homem que o torturou na prisão. A única “prova”? O som específico da perna mecânica do suposto algoz. A partir daí, o filme abandona qualquer conforto narrativo.

Em vez de um thriller de vingança, Foi Apenas um Acidente se torna um estudo sobre memória, trauma e incerteza. Vahid sequestra o homem e convoca outras vítimas para confirmar sua identidade. Só que cada confirmação levanta novas dúvidas. E cada dúvida torna a decisão mais insuportável.

Panahi constrói o suspense não pela ação, mas pela hesitação. O filme avança sempre perguntando: e se não for ele? E se for? O que muda? Existe justiça possível depois da violência institucional?

Cinema político sem discurso pronto

O autoritarismo está presente o tempo todo, mas nunca como pano de fundo genérico. Ele molda os personagens, suas relações e, principalmente, suas escolhas. Panahi conhece esse terreno por experiência própria — e isso se sente na mise en scène seca, na recusa ao melodrama e no modo como o filme se recusa a oferecer catarse fácil.

É um cinema que incomoda porque não resolve. Que provoca porque não absolve. E que insiste em lembrar que, quando o Estado falha, a moral individual também entra em colapso.

Não à toa, a crítica tratou o filme como obra de maturidade extrema. Não há explosões estilísticas nem discursos inflamados. Só dilemas éticos empilhados com precisão cirúrgica.

A casa certa para um filme desses

A estreia na MUBI não é coincidência. A plataforma vem se consolidando como abrigo natural para filmes que não cabem na lógica algorítmica do streaming tradicional. Foi Apenas um Acidente entra num catálogo que entende cinema como linguagem, não como conteúdo descartável.

A partir de 6 de março, o filme estará disponível exclusivamente para assinantes no Brasil. Não é entretenimento leve, nem pretende ser. É um daqueles títulos que exigem atenção, silêncio e disposição para sair desconfortável.

E talvez esse seja o maior mérito de Panahi: lembrar que o cinema ainda pode ser um espaço onde o espectador não consome respostas, mas carrega perguntas para casa.

Entre Los Angeles e Rio, Timidez circula onde o cinema negro ainda é levado a sério

Foto Adeloyá Ojú Bará

Timidez não chegou a Los Angeles e ao Rio por acaso — nem por campanha bem escrita. O longa baiano dirigido por Thiago Gomes Rosa e Susan Kalik foi selecionado para dois espaços onde o cinema negro ainda é tratado como linguagem, não como pauta: o Pan African Film & Arts Festival, nos EUA, e o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, no Brasil.

São circuitos diferentes, mas conectados pela mesma lógica: filmes que não precisam explicar sua existência nem suavizar seus conflitos para caber em curadoria alguma. Timidez entra nesse diálogo sem alarde, sustentado mais pelo que constrói em cena do que por discurso externo.

O filme vem de uma passagem forte pelo Festival de Cinema de Triunfo, onde saiu com seis prêmios, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Ator. Ainda assim, o currículo não define o que está na tela. Define apenas que alguém prestou atenção.

Silêncio como estrutura, não efeito

Foto Adeloyá Ojú Bará

Filmado integralmente em Salvador, Timidez aposta em um drama psicológico seco, de poucos excessos e nenhum sublinhado. Jonas, vivido por Dan Ferreira, divide a casa com o irmão Nestor, um homem cego interpretado por Antônio Marcelo. A convivência entre os dois se constrói num território incômodo, onde cuidado e controle se confundem.

O racismo não aparece como evento isolado nem como choque externo. Ele se infiltra na rotina, no corpo, na maneira como Jonas ocupa o espaço e se percebe digno — ou não — de afeto. O desejo por Lúcia, a vizinha, não funciona como escape romântico, mas como gatilho. É ali que o personagem precisa decidir se continua encolhendo ou enfrenta aquilo que o paralisa.

Cinema negro sem cartilha

Dirigido por dois cineastas vindos do documentário, Timidez carrega um olhar que observa mais do que afirma. O roteiro, assinado por Susan Kalik, Cláudia Barral e Marcos Barbosa, nasce da adaptação da peça O Cego e o Louco, texto importante da cena teatral baiana. Essa origem aparece no tempo das cenas, no peso das pausas e na recusa ao didatismo.

O elenco é integralmente negro e majoritariamente baiano, mas o filme não transforma isso em slogan. Não há discurso de “representatividade” em destaque, porque a existência dessas vozes já é o ponto de partida, não o tema.

Diáspora como circulação, não vitrine

No Los Angeles, Timidez integra a programação de um festival fundado nos anos 1990 para dar visibilidade à produção da diáspora africana, hoje referência internacional e qualificatório para o Oscar em categorias de curta. Apenas dois longas de ficção brasileiros foram selecionados nesta edição, o que coloca o filme em um recorte específico, longe da lógica de volume.

No Rio de Janeiro, a exibição no Encontro Zózimo Bulbul reforça outro tipo de pertencimento. Não é retorno simbólico nem celebração institucional. É continuidade. Um espaço onde o cinema negro brasileiro se pensa, se critica e se constrói há quase duas décadas.

E o depois?

Timidez chega ao circuito comercial brasileiro em abril de 2026, com distribuição da O2 Play. Não é um filme fácil, nem interessado em consenso. Sua circulação internacional não o transforma em exceção, mas em sintoma: há filmes sendo feitos no Brasil que não pedem licença, não explicam demais e não cabem no molde confortável do “filme importante”.

Entre Los Angeles e Rio, Timidez não busca aplauso. Busca escuta. E isso, hoje, já é bastante coisa.

World of Warships usa o Ano Novo Lunar para sacudir o meta e testar novos formatos de batalha

O World of Warships entrou no Ano Novo Lunar fazendo o que sabe melhor: transformar data comemorativa em desculpa para mexer na estrutura do jogo. A nova atualização já está disponível e traz um pacote que mistura narrativa, progressão, navios inéditos e um modo de batalha que tenta sair do piloto automático do PvP tradicional.

No centro da atualização está o evento Paradoxo de Nian, que puxa a mitologia da Fera Nian para dentro do jogo e coloca o jogador diante de uma escolha simples, mas funcional: Ordem ou Caos. A decisão define a trilha de progressão, as missões e o tipo de recompensa que vai cair no seu porto nas próximas semanas.

Paradoxo de Nian: escolha um lado e grind com propósito

O evento funciona em duas trilhas paralelas, ligadas às coalizões Defensores da Ordem e Adeptos do Caos. Missões semanais rendem Tokens Lunares, usados para avançar nas trilhas, desbloquear recompensas e abrir contêineres temáticos. Dependendo do quanto o jogador se dedica, dá para sair do evento com até cinco navios gratuitos, algo que a Wargaming raramente distribui sem exigir um preço alto em tempo ou recursos.

Os contêineres do evento ainda escondem o Tesouro de Nian, que pode render três novos navios de peso: o encouraçado pan asiático Yimeng, o cruzador italiano Messina e o porta aviões pan americano Independencia. Não é garantido, mas a cenoura está ali, bem visível.

Além disso, o Calendário Festivo e o Passe de Evento do Ano Novo Lunar entram como camadas extras de progressão. A linha premium do passe custa 2.500 dobrões e já libera a comandante pan asiática Nian de cara. Para quem só logar, também tem brinde: até 12 de março, o jogo entrega um pacote gratuito com contêineres, camuflagens e Tokens Lunares.

Frente Inquebrável tenta renovar o combate

A atualização também introduz Frente Inquebrável, um novo modo de batalha que reformula a Linha Inquebrável em partidas 7v7. O foco aqui é ritmo. Respawns mais inteligentes, bases que garantem vitória instantânea quando capturadas e a possibilidade de escolher um consumível especial antes da batalha criam um cenário menos previsível e mais tático.

Não chega a reinventar World of Warships, mas quebra a sensação de repetição que costuma aparecer para quem passa muitas horas nos modos tradicionais.

Navios novos e velhos conhecidos

Fevereiro também marca a chegada gradual de novos navios raros. O cruzador Pioneer, de Nível X, entra na Semana 2, trazendo 16 canhões de 152 mm e um kit de consumíveis que favorece controle de área e pressão constante. Já na Semana 3, o contratorpedeiro francês Châteaurenault aparece como opção agressiva, focada em dano pesado a curta distância.

Enquanto isso, os encouraçados europeus Laudon, Enigheten, Gustav Den Store e Thor seguem em Acesso Antecipado, mantendo o empurrão iniciado na atualização anterior. O evento Tudo pela Vitória também continua ativo, com destaque para o submarino francês Surcouf, uma das unidades mais fora da curva do jogo até hoje, combinando torpedos, canhão de 203 mm e ataque aéreo antissubmarino.

Ajustes para manter o jogo respirando

Fechando o pacote, as Operações receberam uma interface nova e missões secundárias aleatórias para aumentar a rejogabilidade, enquanto as Brigas passam por ajustes específicos nos parâmetros dos navios, deixando cada partida um pouco menos previsível.

No fim das contas, a atualização do Ano Novo Lunar não é só cosmética. A Wargaming aproveita o calendário para testar ideias, empurrar novos sistemas e manter o jogo em movimento. Nem tudo vai agradar todo mundo, mas é difícil acusar World of Warships de estar parado. Em 2026, o mar continua agitado — de propósito.