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Review | Shinobi: Art of Vengeance traz o retorno de Joe Musashi em quase 40 anos de história

Com o boom dos ninjas nos cinemas e na televisão, o primeiro Shinobi chegou aos fliperamas em 1987, com a SEGA aproveitando a onda e levando o jogo também aos videogames. Shinobi virou um sucesso, ao lado de Alex Kidd e Sonic the Hedgehog, se tornando uma das marcas mais relevantes desde então.

Agora em 2025, 38 anos depois, a série retorna com força total em Shinobi: Art of Vengeance. O novo jogo traz um capítulo inédito na saga de Joe Musashi em um título 2D de ação e plataforma, desenvolvido pela SEGA em parceria com a Lizardcube, que também revitalizou a série Streets of Rage.

O novo jogo volta às raízes, em especial The Revenge of Shinobi do Mega Drive, mas troca os famosos 16 bits por gráficos pintados à mão. Elevando o nível e o capricho, SEGA e Lizardcube não reinventam a roda tentando levar a série a novos patamares, mas resgatam o que realmente funcionou nela, mostrando o motivo de estarmos com tanta saudade dessa franquia.

Cronologia da série Shinobi

Comemorando quase 40 anos de história, sempre é bom retornar e entender o sucesso de Shinobi lá no final da década de 1980. Você lembra de todos eles?

Shinobi (1987) – Arcade clássico que apresentou Joe Musashi e o clã Oboro, colocando o jogador contra a organização criminosa Zeed. O jogo também ganhou versão para Master System, sendo o pontapé inicial da franquia.

Shadow Dancer (1989) – Dois anos depois, surgiu um novo jogo, introduzindo um ninja anônimo e seu cão companheiro, expandindo a jogabilidade com novas dinâmicas. Foi lançado para arcade, Master System e outros consoles da época.

The Revenge of Shinobi (1989) – Considerado um dos melhores jogos da série, lançado no Mega Drive, trouxe uma das histórias mais marcantes, com Joe Musashi enfrentando a Neo Zeed após perder seu mestre e ver sua namorada sequestrada. A versão japonesa surpreendeu com participações de Batman e Homem-Aranha como inimigos, enquanto a americana manteve apenas o herói da vizinhança.

Shadow Dancer: The Secret of Shinobi (1990) – Versão para Mega Drive com enredo variado em relação ao arcade e Master System. O protagonista era Hayate, filho de Joe.

The Cyber Shinobi (1991) – Exclusivo de Master System, trouxe o neto de Joe contra a organização Cyber Zeed.

The G.G. Shinobi (1991) e The G.G. Shinobi II: The Silent Fury (1992) – Jogos para o Game Gear, portátil da SEGA, que expandiram o universo do clã Oboro.

Shinobi III: Return of the Ninja Master (1993) – Seguindo a tradição no Mega Drive, é considerado um dos pontos altos da série, trazendo Joe Musashi em sua batalha final contra a Neo Zeed.

Shinobi Legions (1995) – Para Sega Saturn, inovou ao usar atores digitalizados, mas apresentou uma nova história sem Joe, focando nos irmãos Sho e Kazuma.

Shinobi (2002, PS2) – Já sem consoles próprios, a SEGA trouxe sua franquia reinventada em 3D para o Playstation 2. Um reboot com o protagonista Hotsuma, membro do clã Oboro que enfrenta demônios em Tóquio. Joe Musashi aparecia como personagem secreto, mas, apesar do visual marcante, o jogo não conseguiu traduzir o sucesso do 2D para o 3D.

Nightshade/Kunoichi (2003, PS2) – No ano seguinte, veio o spin-off estrelado por Hibana, uma ninja carismática que herdava técnicas de Hotsuma e Joe.

Shinobi 3D (2011, Nintendo 3DS) – Último título da franquia, trouxe de volta a série em um portátil da Nintendo, agora apresentando Jiro Musashi, pai de Joe, como protagonista, revisitando as origens da linhagem Oboro.

Depois de 2011, Shinobi entrou em hiato e muitos acreditavam que fosse mais uma das marcas esquecidas pela SEGA. Mas estávamos enganados: em 2023, no The Game Awards, a empresa anunciou que revisitaria suas principais franquias e que Shinobi estaria de volta em um novo título.

Shinobi: Art of Vengeance

Agora em 2025, finalmente a série retornou com Shinobi: Art of Vengeance, que também marca a volta de Joe Musashi ao protagonismo. Na nova história, temos a destruição completa da vila Oboro e a maldição lançada sobre seu clã.

Joe Musashi se despede de sua esposa, Naoko, grávida, para descobrir quem atacou seu clã e, em especial, seus pupilos.

Perseguidos, destruídos e petrificados, Joe Musashi parte para caçar o responsável por essa destruição: Lord Ruse, vilão que roubou um artefato capaz de lhe conceder imortalidade, apoiado pela misteriosa ENE Corp.

Resgatando o tom sombrio de Revenge of Shinobi, agora temos o mesmo Shinobi de volta, mas com diversas habilidades a conquistar em sua jornada, numa saga para derrotar toda a horda de Lord Ruse e reconquistar a paz para o clã.

Gameplay

Se você já jogou Shinobi sabe que temos aqui um jogo bem desafiador. E sim, ele respeita e bebe da fonte dos originais, mostrando exatamente como lembramos deles: desafiando o timing, o conhecimento em derrotar inimigos e a perspicácia para explorar os cenários.

Na primeira fase, temos a Oboro Village, onde Shinobi descobre que está sendo atacado por Lord Ruse. Em sua busca para entender o que aconteceu, ele acaba conhecendo seu inimigo e enfrentando o primeiro chefe, o samurai Kozaru. Numa mistura de macaco e samurai, Kozaru segue a tradição de dificuldade dos jogos clássicos, mostrando que mesmo após tantos anos, os desafios continuam intensos.

As fases seguintes trazem a Montanha, seguida do Festival de Lanternas, onde percorremos uma cidade tradicional japonesa ainda sob a horda de inimigos. Entre outros chefes, há o Arachno Tank, uma mistura de aranha com tanque, que também não pega leve com o jogador.

Falando do controle em si, o jogo parece mostrar que o tempo não passou. A jogabilidade conversa muito com os clássicos: é possível customizar o personagem, adicionar magias, comprar itens em lojas, mas esses elementos, comuns em jogos atuais, não mudam a sensação de estar jogando um novo Shinobi com cara e essência de clássico da franquia. Se você gosta de jogos 2D, Shinobi: Art of Vengeance é extremamente prazeroso e traz uma experiência nostálgica, já que os controles fluem como antigamente, como se estivessem guardados à espera de um novo jogo da série (e ele finalmente chegou!).

Uma coisa que não poderia deixar passar é que cada chefe vem com uma animação em preto e branco que remete a mangá. Trazendo enquadramentos dignos de animês, Shinobi também conversa com a cultura pop japonesa em suas direções de artes.

E quando falamos de dificuldade, tudo bem que o menu permite diminuir o nível, mas se você é um jogador raiz, vai querer experimentar o jogo da forma original. E é aí que você vai morrer muito, passando por frustrações típicas de jogos clássicos. Para quem nunca jogou, dá para comparar com a dificuldade de um Mega Man das antigas.

Conforme o jogo avança, começamos a entender a organização de Lord Ruse, enfrentando inimigos cada vez mais temerosos com a possibilidade de seus segredos serem descobertos.

Encontro de gerações

Shinobi: Art of Vengeance marca também o retorno de Yuzo Koshiro, compositor clássico da SEGA. Mas ele não está sozinho: Tee Lopes, conhecido por Sonic Mania e TMNT: Shredder’s Revenge, também participa da trilha sonora.

O resultado desse encontro é uma fusão do velho com o novo, onde ecoam músicas que remetem ao Shinobi, ao mesmo tempo em que ganham arranjos modernos e identidade atual. Funcionam perfeitamente com a arte pintada à mão, reforçando que ainda é Shinobi, mas de um jeito renovado, sem desrespeitar o legado.

Localização

Marca registrada da SEGA, Shinobi: Art of Vengeance chega totalmente localizado em português. É possível escolher áudio em inglês ou japonês, além de legendas em português.

Sou do time que, se o jogo se passa no Japão, deve ser jogado em japonês. Mesmo sem dominar o idioma, o áudio original garante uma imersão superior, e aqui só há elogios.

Já as legendas em português vão além de uma simples tradução. A SEGA oferece um suporte de qualidade, sendo este o primeiro jogo da série a receber localização oficial em nosso idioma.

Shinobi X Ninja Gaiden

Com lançamentos tão próximos, fica difícil não colocar aqui o retorno de duas franquias a suas raízes e aqui, tivemos Shinobi: Art of Vengeance e NINJA GAIDEN: Ragebound. Enquanto Shinobi vem conversando os jogos de 16bits, em Ninja Gaiden fica claro que ali conversa com a geração de 8bits.

Derivado do boom da cultura ninja com filmes e séries, difícil não parar aqui para analisar e fazer mesmo que breve um comentário destes dois ótimos jogos que foram lançados quase que juntos.

Opinião

Shinobi: Art of Vengeance fez a lição de casa e trouxe a franquia de volta a um lugar de onde nunca deveria ter saído. A Lizardcube se superou, entregando um trabalho ainda melhor que Streets of Rage 4. E olha que aquele já era um ótimo jogo, mas Shinobi prova que sempre dá para evoluir e beber ainda mais da fonte dos originais.

Não é apenas um repeteco dos antigos e se percebe que é uma continuação que explora muitas novas ideias. Com fases variadas que incluem percorrer florestas, indústrias e até montar em um cachorro o que mostra uma versatilidade de cenários e inimigos que mantém a experiência sempre interessante.

Quando falamos em respeitar a cronologia, mesmo títulos menos queridos como o Shinobi de Playstation 2 têm sua influência aqui. Ao sugar energia dos inimigos, Joe remete visualmente à sua contraparte em 3D, provando que até deslizes do passado podem servir de inspiração para um grande jogo como este.

Como fã das antigas, torço para que uma nova geração descubra Shinobi com Art of Vengeance e que este seja apenas o primeiro de muitos novos capítulos. Vale lembrar que houve um tempo em que se acreditava que o futuro dos jogos era apenas o 3D, mas os indies provaram que nem sempre esse é o melhor caminho.

Shinobi: Art of Vengeance funciona incrivelmente bem em 2D e mostra que jogos assim nunca deveriam ter sido deixados de lado. Foi feito tanto para novos jogadores quanto para aqueles que zeraram Revenge of Shinobi no Mega Drive.

Por fim, Shinobi: Art of Vengeance guarda muitas surpresas, garantindo alto fator de replay. Em tempos de jogos caros, ele se destaca pelo preço mais acessível: R$ 134 na Steam (promoção de lançamento), R$ 143 no Xbox Series S e X, R$ 146 no Nintendo Switch e R$ 159 no Playstation. É um título longo, com 5 zonas e 14 fases, o que justifica plenamente o valor e garante diversão por muitas horas.

Ficha Técnica

Nota: 4,5 (de 5)

Shinobi: Art of Vengeance

Desenvolvedora: Lizardcube

Publicadora: SEGA

Plataformas: PC (Steam), PlayStation, Xbox One, Nintendo Switch

Lançamento: 29 de agosto de 2025

Gênero: Ação e Plataforma 2D

Modos de jogo: Single Player

Protagonista: Joe Musashi

Compositores: Yuzo Koshiro, Tee Lopes

Idiomas:

Áudio: Inglês, Japonês

Legendas: Português (Brasil), Inglês e outros

Preço de lançamento:

Steam: R$ 134 (promoção)

Xbox Series S e X: R$ 143

Nintendo Switch: R$ 146

PlayStation: R$ 159

Agradecimentos a SEGA e a Theogames por ter enviado a cópia de Playstation 5 para produção deste conteúdo

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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