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ARCO chega aos cinemas brasileiros nesta quinta (26)

Indicado ao Oscar, longa em 2D aposta em viagem no tempo, amizade e política sem virar sermão

Nesta quinta feira, 26 de fevereiro, ARCO finalmente estreia nos cinemas brasileiros. A animação dirigida por Ugo Bienvenu desembarca por aqui depois de rodar festivais importantes, ganhar prêmio em Annecy e entrar na corrida do Oscar de Melhor Animação de 2026. Não é pouca coisa, mas o que realmente chama atenção é outra coisa: ARCO confia no poder da animação tradicional para contar uma boa história, sem truques fáceis ou nostalgia vazia.

Distribuído pela MUBI em parceria com a Mares Filmes, o longa chega com versões dublada e legendada em um circuito amplo, passando por capitais e cidades médias em praticamente todas as regiões do país. É um lançamento que foge do padrão “uma sala por semana” normalmente reservado a animações autorais.

Uma ficção científica com cara de fábula

ARCO é todo desenhado à mão, em 2D, com cores vibrantes e um visual que conversa mais com o cinema europeu do que com o padrão industrial das grandes animações americanas. A história começa quando Arco, um garoto de 10 anos vindo de um futuro aparentemente pacífico, acaba viajando no tempo e cai em 2075, um mundo que não está exatamente indo bem.

É ali que ele conhece Iris, uma menina da época, e a partir dessa amizade o filme constrói sua espinha dorsal. Não é sobre salvar o mundo com explosões, mas sobre entender o que deu errado e o que ainda pode ser consertado. A ficção científica funciona mais como ponto de partida do que como fim em si mesma, algo que fãs de animações como O Menino e o Mundo ou As Bicicletas de Belleville devem reconhecer rapidamente.

Prêmios, Oscar e o que realmente importa

O currículo de ARCO impressiona. O filme venceu o Cristal de Melhor Longa no Festival de Annecy, levou também o prêmio de Melhor Trilha Sonora Original e ainda aparece entre os indicados ao Oscar, ao Globo de Ouro e ao BAFTA na categoria infantil e familiar. Produzido, entre outros nomes, por Natalie Portman, o longa claramente chamou atenção fora do circuito comercial tradicional.

Mas o mérito não está só nos troféus. ARCO funciona porque trata temas grandes — futuro, colapso, responsabilidade coletiva — sem subestimar quem está assistindo, seja criança ou adulto. Não há discurso mastigado nem moral gritada. A mensagem vem no ritmo da narrativa, como deveria ser.

A versão brasileira conta com vozes conhecidas da dublagem de animes e animações, o que ajuda a tornar o filme mais acessível sem descaracterizar o tom original. É uma daquelas raras animações que funcionam tanto para quem vai com criança quanto para quem só quer um bom filme de cinema, ponto.

ARCO estreia nesta quinta feira, 26 de fevereiro, exclusivamente nos cinemas. Para quem gosta de animação fora da curva, é um daqueles títulos que merecem ser vistos na tela grande antes de virar assunto atrasado nas redes.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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