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Crítica | Com competência, Michael entrega um verdadeiro show nos cinemas

Produção de Antoine Fuqua tenta resumir a primeira parte da vida do cantor

Quando se fala de Michael Jackson, se fala de uma lenda que produzia um sucesso atrás do outro. Seja no Jackson Five, The Jacksons ou em carreira solo, Michael Jackson fez história.

Sendo um artista que surgiu junto da televisão, sua vida sempre foi acompanhada por notícias, fofocas e momentos expostos diante das câmeras.

Falecido em 2009, o cantor ainda vive no imaginário popular. Fazer um filme sobre sua vida parecia um desafio quase impossível, mas Michael encontra um grande acerto em Jaafar Jackson, escolhido para interpretar o próprio tio.

E temos que ser claros em uma coisa: Michael, por ser um filme biográfico, não foge da regra de produções como Bohemian Rhapsody, que reorganizam fatos e acontecimentos para transformar décadas de história em pouco mais de duas horas de tela.

A história

Jaafar Jackson as Michael Jackson in Michael. Photo Credit: Courtesy of Lionsgate

Voltando para 1966, Michael Jackson segue as rígidas regras do pai rumo ao estrelato. Treinando ao lado dos irmãos, não havia descanso. Joseph Jackson queria que os filhos alcançassem o sucesso que ele próprio nunca conseguiu.

Após os primeiros shows, o grupo assina com a Motown em 1969, deixando para trás a vida em Indiana para tentar uma nova realidade na Califórnia.

Mas o grupo teria vida longa? Para o fundador da Motown, Berry Gordy, Michael tinha potencial para ir muito além como artista solo. Já Joseph acreditava que a família precisava permanecer unida para preservar o império construído.

Em 1978, Michael assina com a Epic Records e inicia a produção de Off the Wall ao lado de Quincy Jones. Mesmo querendo seguir carreira solo, o cantor ainda esbarra no controle do pai, que administrava não apenas sua carreira, mas também sua fortuna.

Buscando independência, Michael se aproxima de pessoas influentes da indústria, incluindo o advogado John Branca (Miles Teller). A primeira atitude dessa nova fase é demitir Joseph por fax, decisão que explode dentro da família.

Mas será suficiente para Michael Jackson finalmente conquistar sua liberdade artística?

Opinião

Essa não é a primeira e provavelmente não será a última vez que a vida de Michael Jackson ganhará uma adaptação nos cinemas. Mas talvez esta seja a única com um trunfo tão certeiro quanto Jaafar Jackson.

Sobrinho do cantor, Jaafar não apenas interpreta Michael, como também consegue reproduzir seus movimentos, olhares e presença de palco de forma impressionante. Isso sozinho já faz muita diferença para o filme funcionar.

Aliado ao figurino, que recria momentos icônicos da carreira do artista com bastante cuidado, Michael entrega uma adaptação competente, ainda que acelerada em diversos momentos.

Grande parte desse mérito também passa por Colman Domingo, que interpreta um Joseph Jackson rígido, intimidador e longe de caricaturas. Já Nia Long funciona bem como Katherine Jackson, trazendo a imagem da mãe que tentava equilibrar os conflitos dentro da família.

Mesmo contando uma história já conhecida pelo público, Michael encontra espaço para mostrar a fascinação do cantor por Peter Pan e pela Terra do Nunca, usando os contos infantis como uma fuga das pressões e regras impostas desde a infância.

Ao recriar momentos como as filmagens de Thriller, o acidente da Pepsi, a chegada do Bubbles e a ascensão da MTV, o longa aposta mais na reconstrução da mitologia do artista do que em aprofundar alguns conflitos pessoais.

E é justamente aí que aparece a sensação de que o filme está constantemente no “modo turbo”. A produção tem muita história para contar e, em alguns momentos, parece correr para chegar nos grandes marcos da carreira do cantor.

Figuras como Quincy Jones e John Branca ajudam a entender melhor os bastidores da ascensão de Michael, mas suas participações acabam sendo rápidas porque o foco principal está no desejo de liberdade do artista.

Indo até 1988, Michael praticamente funciona como a “primeira parte” da trajetória do cantor, acompanhando sua saída do Jackson Five até a explosão mundial com Thriller, Bad e Billie Jean. Com a parte mais polêmica de sua vida ainda de fora, fica a curiosidade sobre como um possível segundo filme lidaria com esses acontecimentos.

Em termos de espetáculo, Michael entende perfeitamente o peso de seus shows e videoclipes. O longa não funciona apenas como uma biografia, mas quase como um grande show de sucessos do artista, algo que transforma a experiência no cinema em algo maior do que apenas acompanhar sua história.

Com gosto de quero mais, Michael impressiona pela recriação de momentos marcantes da carreira do cantor. Mesmo acelerado em alguns trechos, o filme entende que a maior força de Michael Jackson nunca esteve apenas nas polêmicas, mas na capacidade de transformar música em espetáculo.

Ficha técnica

Nota: 4,5 (de 5)

Michael

Direção: Antoine Fuqua

Roteiro: John Logan

Produção: Graham King, John Branca e John McClain

Cinematografia: Dion Beebe

Edição: John Ottman, Harry Yoon, Conrad Buff IV e Tom Cross

Companhias produtoras: Lionsgate e GK Films

Distribuição: Lionsgate (Estados Unidos) e Universal Pictures (internacional)

Elenco: Jaafar Jackson, Nia Long, Laura Harrier, Juliano Krue Valdi, Miles Teller e Colman Domingo

Gênero: Musical e biográfico

Duração: 127 minutos

País: Estados Unidos

Idioma: Inglês

Lançamento: 23 de abril de 2026 (Brasil)

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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