Quando o assunto é He-Man, muita gente que cresceu nos anos 1980 sonhava em ter o Castelo de Grayskull. E, por mais que o filme estrelado por Dolph Lundgren, em 1987, tenha tomado muitas liberdades em relação ao desenho animado, existe um público que guarda com carinho aquela adaptação.
Mais de 40 anos depois de surgir como uma resposta da Mattel ao sucesso dos brinquedos de Star Wars, Mestres do Universo retorna aos cinemas em uma nova adaptação em live action. Desta vez, abraçando o espírito da série original, mas sem ignorar versões mais recentes, como Mestres do Universo: Salvando Eternia, da Netflix.
Também vale lembrar que o projeto passou anos trocando de produtoras, distribuidoras e diretores até finalmente chegar às mãos de Travis Knight. Depois de mostrar em Bumblebee que era possível equilibrar nostalgia e atualização, o diretor assume a missão de trazer a mitologia de He-Man para os dias atuais.
Depois de uma verdadeira epopeia nos bastidores, podemos dizer que Mestres do Universo finalmente chegou aos cinemas e que a espera acabou valendo a pena.
A história

Eternia é uma terra onde as lendas são reais. Adam é o príncipe do reino e é treinado por Mentor não apenas para se tornar um guerreiro, mas também para assumir seu papel como futuro rei.
Quando Esqueleto lança um ataque devastador e conquista Eternia, Adam é forçado a fugir ao lado da mãe para o Castelo de Grayskull. Para protegê-lo, a Feiticeira envia o jovem e a Espada do Poder para a Terra.
Quinze anos depois, Adam leva uma vida comum enquanto tenta desesperadamente encontrar a espada perdida e descobrir uma forma de voltar para casa. Mas, quando finalmente recupera aquilo que perdeu, ele acaba atraindo novamente a atenção de Eternia.
Ao retornar ao seu mundo natal ao lado de Teela, Adam se depara com um reino destruído pela ausência de seu verdadeiro herdeiro. Agora, caberá a ele aceitar o destino que sempre tentou evitar.
Opinião

Por mais que Mestres do Universo abrace a mitologia do personagem, He-Man e seus aliados foram atualizados para os dias atuais.
Nicholas Galitzine interpreta um Príncipe Adam bastante diferente daquele que muitos fãs guardam na memória. Sai de cena o herói definido apenas pela força física e entra um personagem que entende que liderança também exige empatia, diálogo e responsabilidade. É uma releitura que pode dividir opiniões, mas que faz sentido dentro da proposta do filme.
Dos personagens clássicos, Teela, interpretada por Camila Mendes, surge como uma guerreira determinada e segura de si, assumindo responsabilidades maiores após a queda de Eternia.
Já Idris Elba entrega um Mentor marcado pela culpa e pela decadência após a derrota do reino. Distante da figura inabalável da animação, o personagem encontra em Adam uma oportunidade de redenção. E, quando a ação começa, Elba mostra exatamente por que Mentor sempre foi um dos pilares de Eternia.
Mas, se você percebeu que ainda não falamos sobre Jared Leto como Esqueleto, existe um motivo. Depois de interpretações que dividiram opiniões em personagens como Coringa e Morbius, o ator finalmente encontra o tom certo. Seu Esqueleto alterna entre o ameaçador e o exageradamente teatral, abraçando a caricatura que sempre fez parte do personagem sem transformá-lo em uma piada.
Os trailers davam a impressão de que boa parte da trama aconteceria na Terra. Não sei se foi uma tentativa de homenagear o longa de 1987 ou apenas uma estratégia de divulgação, mas o filme passa surpreendentemente pouco tempo fora de Eternia. E devo admitir que essa foi uma das melhores surpresas da produção.
Dolph Lundgren também aparece em uma participação especial. Embora funcione como um agradável fan service para quem acompanhou o filme original, é difícil não desejar que sua presença fosse um pouco maior.

Depois do trabalho em Bumblebee, Travis Knight demonstra novamente um enorme respeito pelo material original. Os visuais modernizam o que precisava ser atualizado, mas preservam a identidade dos personagens. E, por mais improvável que parecesse, até elementos tradicionalmente considerados exagerados, como o visual do próprio He-Man, funcionam muito bem na tela.
Também é impossível ignorar a qualidade das cenas de ação. Seja nos confrontos entre Mentor e Fera ou no inevitável embate entre He-Man e Esqueleto, existe uma grandiosidade que faz jus ao universo apresentado. São sequências bem coreografadas e visualmente impactantes, que elevam o espetáculo sem comprometer a narrativa.
Para os mais puristas, o filme propõe que o verdadeiro poder de He-Man não está na Espada do Poder, mas em Adam ser o escolhido de Grayskull. Essa abordagem já havia sido explorada em Mestres do Universo: Salvando Eternia e, embora funcione dentro da proposta desta nova adaptação, pode causar estranhamento em quem não acompanhou a série da Netflix ou simplesmente não gostou dos rumos adotados na continuação escrita por Kevin Smith.
E antes de terminar, precisamos falar das cenas pós-créditos. Ver Gorpo reaparecer com sua tradicional lição do dia desperta imediatamente a nostalgia dos fãs mais antigos. Já a breve aparição de She-Ra, acompanhada pelos acordes familiares de sua animação, deixa clara a intenção de expandir esse universo nos cinemas. Quanto a Maligna e Esqueleto, uma coisa permanece igual: alguns vilões simplesmente sempre encontram um jeito de voltar.
Divertido e acompanhado por uma trilha sonora marcante, Mestres do Universo mostra que um personagem aparentemente preso aos anos 1980 ainda pode funcionar perfeitamente para o público atual. Atualizado sem abrir mão de suas raízes, o filme prova que muitos desenhos daquela época ainda têm potencial para se transformar em grandes franquias cinematográficas. Mais do que uma simples homenagem aos fãs antigos, o longa encontra espaço para apresentar Eternia a uma nova geração.
Ficha Técnica

Nota: 4,5 (de 5)
Mestres do Universo
Direção: Travis Knight
Roteiro: Chris Butler, Aaron Nee, Adam Nee e Dave Callaham
Elenco: Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Jared Leto, Alison Brie e Idris Elba
Duração: 140 minutos
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, fantasia, aventura
Idioma: Inglês
Estreia no Brasil: 4 de junho de 2026

