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“Futuro Futuro”, ficção científica brasileira premiada em Brasília, estreia nos cinemas em julho

Novo longa de Davi Pretto transforma Porto Alegre em uma metrópole distópica e incorpora inteligência artificial à narrativa

Depois de conquistar o Troféu Candango de Melhor Longa-Metragem no Festival de Brasília, “Futuro Futuro” já tem data para chegar aos cinemas brasileiros. O novo filme do diretor gaúcho Davi Pretto estreia em 23 de julho, com distribuição da Cajuína Filmes e da Atelier W.

Antes do lançamento nacional, o longa também integra a programação do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. A produção teve estreia mundial no Festival Internacional de Karlovy Vary, na República Tcheca, um dos eventos cinematográficos mais tradicionais da Europa.

Ambientado em um futuro próximo, o filme acompanha K, interpretado por Zé Maria Pescador, um homem de 40 anos que perdeu a memória e passa a viver ao lado de um clickworker solitário em uma região empobrecida de uma cidade brasileira constantemente tomada pela chuva. Ao entrar em contato com um dispositivo de inteligência artificial utilizado em um curso voltado para pessoas afetadas por uma misteriosa síndrome neurológica, ele inicia uma jornada marcada pelo absurdo, pela alienação e pela tentativa de encontrar seu lugar no mundo.

Mais do que utilizar elementos típicos da ficção científica, “Futuro Futuro” dialoga diretamente com questões contemporâneas, como os impactos da inteligência artificial nas relações humanas e no mundo do trabalho. A própria produção acabou atravessada pelos temas que propõe discutir.

Rodado em Porto Alegre com um orçamento reduzido e apenas 16 dias de filmagem, o longa teve sua produção interrompida pelas enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Com locações destruídas e recursos limitados para concluir o projeto, Davi Pretto optou por incorporar imagens geradas por inteligência artificial tanto como parte da estética distópica do filme quanto como solução prática para finalizar a obra.

“Futuro Futuro” reflete sobre os perigos cognitivos e políticos dos avanços da inteligência artificial, ao mesmo tempo em que questiona os desafios do próprio cinema independente em um contexto marcado por crises climáticas e pela transformação da nossa relação com as imagens.

O elenco reúne nomes como Zé Maria Pescador (“Paloma”), João Carlos Castanha (“Castanha”), Carlota Joaquina (“Seus Ossos e Seus Olhos”), Clara Choveaux (“Luz nos Trópicos”) e Higor Campagnaro (“O Animal Amarelo”). Olivia Torres, de “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, também participa emprestando sua voz para uma inteligência artificial presente na trama.

Este é o quarto longa-metragem dirigido por Davi Pretto, responsável por títulos como “Castanha” (2014), “Rifle” (2016) e “Continente” (2024). Ao longo da carreira, o cineasta construiu uma trajetória marcada pela presença em festivais internacionais de destaque, incluindo a Berlinale e o Festival de Sitges.

“Futuro Futuro” estreia nos cinemas brasileiros em 23 de julho.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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