Depois de conquistar o principal prêmio do Festival de Brasília, “Futuro Futuro” já tem data para chegar aos cinemas brasileiros. O novo longa dirigido por Davi Pretto estreia em 23 de julho, com distribuição da Cajuína Filmes e da Atelier W.
Misturando ficção científica, drama e elementos lo-fi, o filme transporta o público para uma versão futurista e chuvosa de Porto Alegre, onde os avanços da inteligência artificial convivem com uma misteriosa síndrome neurológica que altera a percepção da realidade.
Antes da estreia comercial, o longa também integra a programação do Olhar Internacional de Cinema, reforçando o circuito de festivais que vem marcando a trajetória da produção.
Porto Alegre se transforma em cenário distópico
Em “Futuro Futuro”, acompanhamos K (Zé Maria Pescador), um homem de 40 anos que desperta sem memórias em uma cidade tomada pela desigualdade e pelos efeitos da tecnologia sobre a vida cotidiana.
Acolhido por Silvio (João Carlos Castanha), um clickworker solitário, K tenta reconstruir sua identidade enquanto se envolve com um dispositivo de inteligência artificial utilizado no tratamento de pessoas afetadas pela nova síndrome neurológica.
A partir daí, o protagonista embarca em uma jornada tão absurda quanto trágica em busca de pertencimento em um mundo cada vez mais artificial.
Ficção científica brasileira com identidade própria
Conhecido por transformar o Rio Grande do Sul em protagonista de seus filmes, Davi Pretto leva essa proposta a um novo território ao imaginar uma Porto Alegre futurista construída a partir de elementos muito próximos da realidade brasileira.
O resultado é uma obra que utiliza os códigos da ficção científica para discutir precarização do trabalho, dependência tecnológica, inteligência artificial e crises climáticas.
Produzido pela Vulcana Cinema, o longa teve suas filmagens interrompidas pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Diante da impossibilidade de utilizar algumas locações originalmente planejadas, Pretto incorporou imagens geradas por IA ao próprio conceito visual do filme.
A decisão acabou ampliando as reflexões propostas pela narrativa, transformando “Futuro Futuro” em um filme que debate os limites entre o real e o artificial dentro e fora da tela.
Destaque nos festivais
Antes de desembarcar nos cinemas brasileiros, “Futuro Futuro” teve estreia mundial no Festival Internacional de Karlovy Vary, na República Tcheca, um dos eventos cinematográficos mais tradicionais da Europa.
No Festival de Brasília, a produção saiu consagrada com quatro prêmios:
- Troféu Candango de Melhor Longa-Metragem
- Melhor Roteiro
- Melhor Montagem
- Menção Honrosa para Zé Maria Pescador
A trajetória de Davi Pretto
Natural de Porto Alegre, Davi Pretto construiu uma filmografia marcada pela experimentação e pelo olhar atento às transformações sociais.
Seus trabalhos anteriores incluem “Castanha” (2014) e “Rifle” (2016), ambos exibidos na mostra Forum da Berlinale, além de “Continente” (2024), apresentado no Festival de Sitges e vencedor do prêmio de Melhor Direção na mostra Novos Rumos do Festival do Rio.
Com “Futuro Futuro”, o diretor aprofunda sua investigação sobre os impactos do presente na construção dos futuros possíveis.
“Futuro Futuro” estreia nos cinemas brasileiros em 23 de julho.

