Desde sua estreia em 1954, Godzilla vem destruindo o Japão e, ao longo de suas diferentes versões, se tornou conhecido no mundo inteiro, conquistando um espaço importante na cultura pop. De Rei dos Monstros a um dos maiores representantes do tokusatsu japonês, Godzilla atravessou gerações e conquistou diferentes públicos, mas foi com Godzilla Minus One que a franquia rompeu uma nova barreira ao conquistar o Oscar de Melhores Efeitos Visuais em 2024. Agora, três anos depois do lançamento do filme anterior, Godzilla Minus Zero chega para mostrar que um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar.
Se Godzilla Minus One trouxe o Rei dos Monstros de volta ao período histórico que influenciou sua criação, Godzilla Minus Zero retoma essa discussão sem deixar de lado seu senso crítico, colocando o dedo na ferida quando necessário e mostrando que ainda existem histórias a serem contadas dentro desse universo.
Mas, depois de conquistar o Oscar, será que Godzilla ainda tem algo a oferecer nesta continuação? Sem dar spoilers, a resposta é sim, e o novo filme mostra que ainda existe bastante espaço para explorar esse universo.
A história
Ambientado em 1949, dois anos após os acontecimentos de Godzilla Minus One, o novo filme acompanha um Japão que tenta recuperar sua normalidade depois de enfrentar os horrores da guerra e a destruição provocada pelo próprio Godzilla.
Koichi Shikishima (Ryunosuke Kamiki) e Noriko Shikishima (Minami Hamabe) seguem juntos como uma família, agora empregados, cuidando da filha e tentando seguir em frente depois das marcas deixadas pela guerra. A reconstrução de suas vidas acompanha a de um país que, mesmo diante de tantas perdas, procura recuperar a esperança em um futuro melhor.
Mas, quando o Japão finalmente começa a encontrar alguma tranquilidade, uma nova ameaça surge. Conhecida como Ghidorah, a estranha criatura demonstra um poder de destruição capaz de levar o país novamente a um período de trevas, colocando em risco uma sociedade que ainda não conseguiu se recuperar completamente dos ataques anteriores.
Com o surgimento desse novo perigo, Koichi e Noriko acabam envolvidos em uma situação que também traz o reencontro com antigos conhecidos, enquanto novos personagens chegam para ajudar a entender o que realmente está acontecendo.
Entre os novos rostos, temos Makoto Aoyama (Masami Nagasawa), cuja experiência com fenômenos climáticos acaba sendo importante diante dos acontecimentos, além do doutor Kanji Murakami (Min Tanaka). Junto deles, Kenji Noda (Hidetaka Yoshioka) retorna à história, ajudando a compreender essa nova ameaça que coloca o Japão em perigo.
Mas, diante de uma nova calamidade, qual será o papel de Godzilla nesta continuação?
Mais do que um filme de monstros
Ao levar a história para 1949, com a presença norte-americana ainda marcando o cotidiano japonês, Yamazaki nos leva para um período de grandes transformações. Sob ocupação dos Estados Unidos, o Japão tentava reconstruir suas cidades e recuperar sua autonomia depois da guerra, enquanto a população ainda convivia com as consequências dos conflitos.
Godzilla Minus Zero segue nesse Japão alternativo, no qual o pós-guerra foi marcado não apenas pela destruição causada pelos bombardeios, mas também pelos ataques de Godzilla, obrigando o país a se reerguer mais uma vez. E aqui, quando se conhece a história do Japão e do próprio tokusatsu, é impossível ignorar como os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki deixaram marcas que ecoam até hoje na sociedade japonesa.
O próprio Godzilla é a personificação dos temores provocados pelas armas nucleares, e Takashi Yamazaki não apenas reconhece essa origem, como desenvolve um contexto histórico que leva o personagem de volta ao período que inspirou sua criação. Com isso, o monstro deixa de ser apenas uma ameaça gigantesca e passa a representar os traumas de uma sociedade que precisa encontrar forças para continuar vivendo.
E é justamente nesse aspecto que Yamazaki mostra compreender tão bem o personagem, pois, mesmo diante de toda a grandiosidade de uma produção de Godzilla, nunca deixa de lado as pessoas que precisam conviver com as consequências de seus ataques.
O peso de uma continuação

Godzilla Minus Zero não abre mão dessa discussão, mas, por ser uma continuação, também não perde tempo reapresentando seus personagens, sendo uma obra mais direta ao ponto do que sua antecessora. Isso permite que Takashi Yamazaki trabalhe novas possibilidades para a história, aproveitando o vínculo que o público já construiu com Koichi, Noriko e os demais personagens.
Se no primeiro filme nem todos os ataques eram mostrados diretamente, aqui as cenas de ação são pontuais, mas mostram o desafio de uma continuação em apresentar ameaças cada vez mais perigosas. E, por mais que exista uma preocupação em ampliar a escala, o diretor continua equilibrando a destruição com o drama daqueles que estão envolvidos nos acontecimentos.
Outro fato que chama a atenção é que, sem precisar explicar novamente os personagens e seus contextos, o novo filme acaba dosando melhor os momentos dramáticos com as cenas de destruição, trazendo uma narrativa mais ágil, embora isso não signifique necessariamente que supere o impacto emocional da obra anterior. Afinal, Godzilla Minus One tinha a seu favor justamente a construção daqueles personagens e a maneira como o público foi apresentado aos seus traumas.
Ainda focado nos personagens, o filme acompanha Koichi e Noriko como um casal que procura construir seu futuro, com Koichi buscando protegê-la enquanto Noriko também encontra seu próprio espaço. Essa relação continua sendo importante para a história, mostrando que, mesmo diante de acontecimentos extraordinários, são as questões humanas que fazem a diferença.
Koichi e Noriko aqui são muito mais do que o casal que vimos se formar na obra anterior, mostrando uma relação mais desenvolvida e com novos desafios. Ryunosuke Kamiki e Minami Hamabe seguem sendo os verdadeiros destaques do filme, roubando a cena em diversas situações e mostrando como seus personagens continuam importantes para a história.
Enquanto somos apresentados a Ghidorah, uma ameaça que traz novos desafios para o Japão, cabe aos próprios personagens encontrar maneiras de enfrentar a situação, em um país que permanece limitado pelas consequências da guerra e pela presença norte-americana. Nesse cenário, Yamazaki volta a mostrar como pessoas comuns conseguem se unir diante de um perigo que parece impossível de superar.
Sem abrir mão das críticas à guerra, o novo filme expande sua mitologia e mostra que não pretende ser apenas uma continuação construída sobre o sucesso anterior. Com elementos que remetem a diferentes momentos da história da franquia, Godzilla Minus Zero tem carisma de sobra e reforça que ainda existe fôlego para continuar sua própria saga.
As batalhas também ganham intensidade, acompanhadas por um trabalho técnico que merece destaque, principalmente pela maneira como os efeitos visuais ampliam a grandiosidade do monstro sem deixar de lado sua presença ameaçadora. A trilha sonora de Naoki Sato também faz diferença, ajudando a criar o clima de tensão e dando ainda mais peso ao Rei dos Monstros.
Mesmo sem ter assistido ao filme em IMAX, Godzilla Minus Zero surpreende pela qualidade técnica, principalmente nos confrontos envolvendo Godzilla, que mostram não apenas o impacto das batalhas, mas também suas consequências. É possível perceber uma evolução nos efeitos visuais em relação ao primeiro filme, com sequências mais intensas e maior atenção à escala dos confrontos, algo que certamente favorece a experiência em uma tela IMAX.
Godzilla segue representando o medo, mas, se existe algo que sempre aprendemos com sua história, é que tudo aquilo que foi destruído pode ser reconstruído. E Godzilla Minus Zero reforça justamente essa mensagem, mostrando que, depois de grandes tragédias, precisamos encontrar forças para seguir em frente e reconstruir nossas próprias vidas.
Godzilla Minus Zero chega aos cinemas brasileiros pela Sato Company, com sessões antecipadas em IMAX no dia 3 de novembro, durante o Godzilla Day, e estreia nacional em 5 de novembro de 2026.
Trailer
Ficha técnica

Godzilla Minus Zero
Direção e roteiroTakashi Yamazaki
ElencoRyunosuke Kamiki, Minami Hamabe, Yuki Yamada, Kuranosuke Sasaki, Hidetaka Yoshioka, Sakura Ando, Mio Tanaka, Min Tanaka, Masami Nagasawa e Jun Kunimura
GêneroAção, aventura, drama e ficção científica
Duração135 minutos
Distribuição no BrasilSato Company
ProduçãoToho Studios e Robot
Mais informações
PaísJapão
Ano2026
Estreia5 de novembro de 2026
Título original: ゴジラ-0.0 (Gojira Mainasu Zero)
Trilha sonora: Naoki Sato
Efeitos visuais: Shirogumi
Agradecimentos a Sato Company e a Sinny pela produção deste conteúdo


